Governador Cláudio castro entrega o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada) à população nesta quarta-feira (11) em Nova Iguaçu

Governador Cláudio castro entrega o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada) à população nesta quarta-feira (11) em Nova Iguaçu

Antes da inauguração do Onco Baixada, muitos pacientes precisavam viajar até a capital ou outras regiões para consultas, quimioterapia, radioterapia e cirurgias — o que atrasava o início do tratamento e aumentava a sobrecarga nos serviços de saúde fora da região

Por Geraldo Perelo

Às 11 horas desta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, o governador estado, Cláudio Castro, entrega oficialmente à população o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada) — o primeiro hospital estadual dedicado exclusivamente ao diagnóstico e tratamento do câncer na região. A cerimônia de inauguração está prevista para esta data em Nova Iguaçu (RJ), com a presença de autoridades estaduais e federais.

Ainda recuperando-se de uma cirurgia de vesícula, o deputado estadual Carlinhos BNH vai interromper o repouso, nesta quarta-feira, para participar da inauguração do hospital. Líder do PP na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o parlamentar fluminense é autor da Indicação Legislativa 300/2023, ao governo estadual, que solicitou a implantação da unidade especializada para tratar o câncer na Baixada Fluminense. 

— Agradeço o governador Cláudio Castro e o  deputado federal Dr. Luizinho, que são muito sensíveis aos apelos das lideranças políticas. Eles reconheceram a importância da construção de um hospital oncológico em Nova Iguaçu, e agora dois anos depois da nossa indicação legislativa iremos inaugurar a unidade. Além de salvar vidas, o hospital vai evitar o transtorno de pacientes da Baixada Fluminense que precisam fazer longos deslocamentos em busca de tratamento do câncer —, destaca o deputado Carlinhos BNH.

Carlinhos BNH é autor da Indicação para criação do hospital

A ampliação da rede é considerada estratégica diante do aumento de diagnósticos de câncer no estado. Dados do Painel Oncologia Brasil indicam que 35.169 pessoas foram diagnosticadas em 2024, enquanto cerca de 25 mil casos foram registrados entre janeiro e outubro de 2025.

O projeto foi anunciado ainda em 2023, junto à inauguração do Rio Imagem Baixada, como uma resposta à falta de unidades especializadas em oncologia na região. Ao longo de 2024 e 2025, o hospital avançou em sua construção, superando 80% de execução até o final de 2025.

A obra — cuja estrutura está ao lado do Rio Imagem Baixada — foi acompanhada por autoridades do governo estadual e recebeu investimentos para ampliar a rede de saúde pública na Baixada.

Uma das visitas do governador Cláudio Castro às obras do Onco Baixada

A unidade possui cerca de 12 mil m² de área construída e 101 leitos de alta complexidade. Está equipada para funcionar de forma integrada com serviços diagnósticos e terapêuticos (quimioterapia, radioterapia, cirurgias, etc.) numa rede voltada à atenção oncológica.

Situação do câncer na Baixada Fluminense

O câncer é uma das principais demandas de saúde pública no Brasil, e a Baixada Fluminense — com dezenas de municípios e mais de 3 milhões de habitantes — historicamente enfrenta dificuldades de acesso a tratamentos especializados. Muitos pacientes precisavam se deslocar até o município do Rio de Janeiro para consultas, exames e terapias mais complexas. A inauguração desta unidade vem justamente para reduzir esses deslocamentos e ampliar o atendimento oncológico público na região.

A unidade deve começar a receber pacientes regulados pelo Sistema Estadual de Regulação (SUS) a partir do 19 de fevereiro. Sua capacidade de atendimento é de cerca de 5 mil consultas ambulatoriais/mês; 300 cirurgias por mês; 340 internações mensais, à medida que a operação se expanda.

A unidade contará com 101 leitos no total, 81 de enfermaria, 10 de UTI, 8 leitos de emergência e 2 salas de emergência, com um leito cada.

Dos 81 leitos de enfermaria, serão 72 leitos em quartos duplos, 5 de isolamento, 2 quartos individuais de idosos e 2 leitos em quarto duplo para idosos. Dos 10 de UTI, são 9 leitos simples e 1 (um) de isolamento.

A unidade também contará com 19 consultórios médicos, 15 consultórios normais e 4 fastpass — para casos de urgência, caso haja intercorrências durante o tratamento. Ao todo, serão 24 espaços para quimioterapia, com 21 poltronas e 3 leitos.

No ambulatório de radioterapia, haverá 4 (quatro) leitos de repouso, e 1 (uma) sala de exame. O serviço de PET Scan contará com 4 boxes de ativação/exames por vez; e 1 (uma) sala de aplicação.

O funcionamento será gradativo, começando pelos serviços essenciais e ampliando conforme a integração dos profissionais e da estrutura. A expectativa dos gestores de saúde é que o Onco Baixada amplie de forma significativa o acesso a tratamento oncológico de alta complexidade na região, beneficiando pacientes que antes enfrentavam filas longas e deslocamentos até a capital ou outras regiões do estado. Isso representa um avanço no atendimento especializado em oncologia dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) fluminense.

Incidência e impacto do câncer

Segundo as últimas projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano. Entre os principais tipos esperados:

  • Câncer de mama (mais comum entre as mulheres)
  • Câncer de próstata (mais comum entre os homens)
  • Câncer de pele (com alta incidência geral)
  • Tumores de cólon e reto com tendência de crescimento
  • O câncer de pele não melanoma, apesar de representar cerca de 60% dos casos, responde por uma parcela menor de mortes comparado a tipos mais agressivos.

O estado enfrenta uma média de cerca de 60 novos casos de câncer por dia, com um total de aproximadamente 19.065 pessoas diagnosticadas entre o início de 2023 e outubro de 2025 pelo SUS. Entre os tipos de câncer mais frequentes no RJ nesse período estão:  Mama, Próstata, Pele e Colorretal, com crescimento observável nos últimos anos.

Um dado preocupante: cerca de 44% dos pacientes não iniciam o tratamento dentro do prazo legal (até dois meses após diagnóstico). Isso impacta diretamente nas chances de cura e qualidade de vida.

Cenário da Baixada Fluminense

Embora não haja um painel público rotineiro com dados exclusivos para a Baixada Fluminense, o que se sabe pelos indicadores de saúde do estado é que com cerca de 10 milhões de habitantes a Região Metropolitana I registrou uma taxa padronizada de casos de câncer (confirmados e tratados via SUS) e internações compatível com a média estadual.

É comum em grandes centros metropolitanos a predominância dos mesmos tipos de câncer observados no restante do estado e do país (mama, próstata, pele e colorretal). Esses tumores são particularmente impactados pela detecção precoce e qualidade do acesso a exames e tratamentos.

Antes da inauguração do Onco Baixada, muitos pacientes precisavam viajar até a capital ou outras regiões para consultas, quimioterapia, radioterapia e cirurgias — o que atrasava o início do tratamento e aumentava a sobrecarga nos serviços de saúde fora da região. Esse cenário é congruente com o fato de uma grande parte dos diagnósticos e tratamentos oncológicos no Rio de Janeiro terem ocorrido fora da Baixada nos últimos anos.

O novo Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense – Onco Baixada foi planejado para oferecer tratamentos de alta complexidade, incluindo:

1. Diagnóstico precoce e acompanhamento

  • – Consultas com oncologistas e especialistas para avaliação clínica;
  • – Biópsias, exames de imagem, análises laboratoriais integradas (especialmente em conjunto com a estrutura diagnóstica do Rio Imagem Baixada).

2. Quimioterapia

  • – Local de tratamento ambulatorial para administração de medicamentos antineoplásicos;
  • – Espaços com poltronas e leitos confortáveis para sessões que podem durar várias horas.

3. Radioterapia

– Técnica que utiliza radiação controlada para destruir células tumorais com o objetivo de reduzir tumores ou atuar em casos onde cirurgia não é possível. O hospital prevê oferecer radioterapia — parte essencial de tratamentos curativos ou paliativos.

4. Cirurgias oncológicas

– Procedimentos de alta complexidade para remoção de tumores sólidos, integrados ao cuidado pré e pós-operatório especializado.

5. Exames avançados (PET-CT)

– Equipamentos modernos associados ao diagnóstico e estadiamento do câncer, essenciais para planejar o tratamento adequado caso a caso.

Quanto mais cedo o câncer é identificado, maior a chance de tratar com sucesso — especialmente em tumores como câncer de mama e próstata, onde a detecção precoce pode elevar taxas de cura significativamente.

Agora, com serviços de quimioterapia, radioterapia e cirurgias disponíveis diretamente na Baixada Fluminense, pacientes enfrentarão menos barreiras logísticas para iniciar e continuar o tratamento.

A integração de diagnóstico, tratamento e acompanhamento numa única unidade tende a reduzir atrasos no início das terapias e a melhorar a coordenação do cuidado clínico.

Serviço

Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada)

  • Local: Av. Baltimore, 23 – Jardim Esplanada, Nova Iguaçu
  • Data: 11 de fevereiro
  • Horário: 11h