A arte não morre: A Sapucaí cantou e eternizou Fábio Mateus
Falecido aos 46 anos, em outubro de 2023, o ator, produtor cultural e empreendedor social atravessou a avenida não apenas como lembrança, mas como presença viva. A Ala Aldeia Samambaia (foto) da escola de samba Inocentes de Belford Roxo, levou para o Sambódromo muito mais que fantasia e coreografia: levou resistência, adaptação e renovação — valores que marcaram a trajetória de Fábio Mateus — sob o manto verde da cultura nordestina, tão pulsante quanto sua própria história.

Por Geraldo Perelo
Sob o céu iluminado da Marquês de Sapucaí, a memória virou desfile, a saudade virou canto e o amor virou aplauso. Na primeira noite da Série Ouro, a Inocentes de Belford Roxo, que defendeu o enredo “O sonho de um pagode russo nos frevos do meu Pernambuco”, transformou emoção em espetáculo ao homenagear um dos maiores nomes da cultura da Baixada Fluminense: Fábio Mateus.

Ator Fábio Mateus segue em cena — na memória, na luta, na cultura e no coração de um povo que aprendeu com ele que a arte é resistência,
Falecido aos 46 anos, em outubro de 2023, o ator, produtor cultural e empreendedor social atravessou a avenida não apenas como lembrança, mas como presença viva. A Ala Aldeia Samambaia levou para o Sambódromo muito mais que fantasia e coreografia: levou resistência, adaptação e renovação — valores que marcaram a trajetória de Fábio — sob o manto verde da cultura nordestina, tão pulsante quanto sua própria história.
Diretor do Sindicato dos Artistas e Técnicos do Rio de Janeiro, o Sated-RJ, Fábio representou a classe artística no Conselho Nacional de Comunicação Social do Senado Federal, defendendo a voz e os direitos de quem vive da arte. Pesquisador inquieto, criador do grupo Os Andarilhos e um dos fundadores do Festival de Artes Cênicas da Baixada Fluminense, o EncontrArte, ele construiu pontes onde antes havia invisibilidade.
Seu legado segue pulsando por meio do Instituto Fábio Mateus, criado após sua partida, com a missão de promover desenvolvimento social e cultural nas comunidades, oferecendo assistência social, educação, esporte, lazer, cultura e incentivo à economia criativa. Um projeto que traduz em ação concreta aquilo que ele sempre acreditou: a arte como ferramenta de transformação.

A inocentes de Belford Roxo, que fez bonito na Marquês de Sapucaí, e sonha com o Grupo Especial
A homenagem idealizada pelo diretor de Comunicação da escola, Avelino Ribeiro, reforçou aquilo que toda a Baixada já sabe: Fábio Mateus foi gigante. “Com pouco tempo de existência, ele deixou um legado enorme de coragem, determinação e talento”, destacou. E a avenida confirmou — cada passo era um aplauso, cada sorriso era um agradecimento.
Na arquibancada da emoção, a jornalista Bernadete Travassos, viúva do artista, desfilou ao lado de familiares e amigos. Com o coração transbordando, celebrou a alegria que sempre marcou a personalidade do marido. A conexão com Pernambuco, terra natal de seu pai e também reverenciada no enredo, tornou tudo ainda mais simbólico.
Como se o Carnaval eternizasse o que a vida já havia consagrado, 2025 trouxe mais um reconhecimento: a Lei nº 11.026, de autoria do deputado Rafael Nobre, instituiu oficialmente o Dia do Artista da Baixada Fluminense, celebrado em 24 de outubro — data que também marca o aniversário de Fábio Mateus.
Mais que uma homenagem, o desfile foi um reencontro. A Baixada cantou seu filho ilustre, a Sapucaí aplaudiu sua história e o Carnaval provou que artistas não partem: eles ecoam.
Fábio Mateus segue em cena — na memória, na luta, na cultura e no coração de um povo que aprendeu com ele que a arte é resistência, é identidade e é, acima de tudo, esperança.















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