Beija-Flor de Nilópolis leva o orgulho da Baixada à Sapucaí e transforma desfile em manifesto cultural
Ao longo dos anos, a Beija-Flor consolidou-se como uma agremiação que alia grandiosidade estética a discursos sociais contundentes, e a expectativa é que, mais uma vez, a mensagem ecoe para além dos 700 metros da Passarela do Samba.

Por Geraldo Perelo
Nesta segunda-feira de Carnaval, a Beija-Flor de Nilópolis volta à Marquês de Sapucaí carregando mais do que alegorias e fantasias luxuosas. Leva consigo o peso de uma história vitoriosa, a responsabilidade de representar a Baixada Fluminense e a missão de dialogar com o Brasil por meio do seu enredo.
A escola nilopolitana, acostumada a transformar a Avenida em palco de reflexão e espetáculo, apresenta o enredo Bembé do Mercado, exaltando o maior candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro da Purificação (BA).
O desfile, que celebra a ancestralidade, a resistência cultural negra, o candomblé e a liberdade, com a Sapucaí retratando os seis dias da festa centenária, promete ir além do impacto visual. A proposta é provocar, emocionar e instigar o público a pensar sobre identidade, resistência e pertencimento — marcas históricas da azul e branco.
Ao longo dos anos, a Beija-Flor consolidou-se como uma agremiação que alia grandiosidade estética a discursos sociais contundentes, e a expectativa é que, mais uma vez, a mensagem ecoe para além dos 700 metros da Passarela do Samba.
O desfile desta segunda-feira deve reafirmar a tradição da escola de abordar temas que dialogam com a realidade brasileira. A Beija-Flor costuma transformar seu enredo em manifesto artístico: fala de justiça social, exalta figuras populares, questiona desigualdades e celebra a cultura do povo.
Para a opinião pública, o recado é claro: o Carnaval é também instrumento de consciência e transformação. Em tempos de desafios sociais e econômicos, a escola mostra que a arte pode ser ferramenta de crítica, memória e esperança.
A expectativa da Baixada e o orgulho nilopolitano

O desfile representa o resultado de meses de trabalho, ensaios e dedicação à escola de Nilópolis
Na Baixada Fluminense, a ansiedade toma conta das ruas. Em Nilópolis, cada ensaio, cada notícia e cada imagem divulgada alimentam o sentimento coletivo de pertencimento. A Beija-Flor não é apenas uma escola de samba; é símbolo de identidade local.
Para os nilopolitanos, ver sua escola brilhar na Sapucaí é ver a cidade projetada para o mundo. É o momento em que Nilópolis deixa de ser apenas um ponto no mapa da Região Metropolitana e se transforma em centro das atenções nacionais e internacionais.
Há uma relação afetiva profunda entre a comunidade e a escola. Muitas famílias têm gerações ligadas à agremiação — seja na bateria, nas alas, na confecção de fantasias ou nos bastidores. O desfile representa o resultado de meses de trabalho e dedicação, mas também a reafirmação do orgulho de ser da Baixada.
A Beija-Flor como vitrine socioeconômica de Nilópolis
Do ponto de vista socioeconômico, a importância da Beija-Flor para Nilópolis é imensurável. A escola movimenta a economia local com a geração de empregos diretos e indiretos — costureiras, aderecistas, ferreiros, coreógrafos, músicos, cenógrafos e tantos outros profissionais que encontram no Carnaval uma fonte de renda e valorização.
Este ano a Beija-Flor de Nilópolis levou uma inovação para dentro da Cidade do Samba, onde estão instalados os barracões das escolas do Grupo Especial do Rio. A azul e branco da Baixada Fluminense usou uma das maiores impressoras 3D do Brasil para produzir, em sistema de larga escala, peças das alegorias e fantasias que representam 10% do que a agremiação vai apresentar no Sambódromo com o enredo Bembé.



O presidente da Beija Flor, Almir Reis, inova em 2026 na produção de fantasias e alegorias com impressora 3D.
Além disso, a visibilidade nacional impulsiona o comércio, fortalece a imagem da cidade e atrai investimentos e turismo cultural. Nilópolis é frequentemente associada à tradição, à excelência e à ousadia carnavalesca graças à Beija-Flor. A escola funciona como uma vitrine que apresenta a cidade sob uma perspectiva positiva, vibrante e criativa.
Mais do que um espetáculo competitivo, o desfile é um cartão-postal vivo. É a Baixada mostrando sua força cultural, sua capacidade organizativa e seu talento artístico.
Um desfile que carrega sonhos
Quando o primeiro surdo marcar o compasso e a comissão de frente abrir o espetáculo, não será apenas o início de mais uma apresentação. Será a materialização de sonhos coletivos. Será Nilópolis inteira atravessando a Avenida.
A Beija-Flor entra na Sapucaí com a responsabilidade de manter sua tradição de excelência, mas também com a missão de representar um povo que vê na escola muito mais do que Carnaval: vê esperança, oportunidade e reconhecimento.
Nesta segunda-feira, a Baixada Fluminense não assistirá apenas a um desfile. Assistirá à reafirmação de sua grandeza cultural. E, como sempre, a Beija-Flor promete transformar emoção em história.
Foto: Eduardo Hollanda/ Divulgação Beija-Flor de Nilópolis















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