Como será o acordo? Há uma enorme tensão política no ar

(*) Jorge Gama

Enquanto os extremos se confrontam no interior da República, onde uns querem aprofundar as apurações e outros desejam abafar a crise dos aposentados fraudados pelos gestores do governo no interior da CPMI do Senado, o caso escabroso do Banco Master escalou rapidamente, dominando a cena e superando em volume e envolvimento os demais.

Na classificação e na escala que podem medir a extensão, a profundidade e o volume do escândalo, é necessário apurar os atores e os fatos decorrentes e os personagens e seus respectivos pesos institucionais.

Os escândalos comuns todos nós já conhecemos, duram pouco tempo e logo são abandonados ou sequer entram na agenda dos grandes veículos de mídia e até mesmo a peneira das redes sociais os registram e nada mais.

Nesse momento há um enorme engarrafamento nas rodovias institucionais. Há uma colisão entre dois escândalos cujas proporções ainda não podem ser inteiramente avaliadas.

Em situações como esta devemos começar a examinar os envolvidos e os comprometidos. No lugar dos envolvidos que procuram apurar estão os senadores e deputados divididos entre os que aprovam a apuração e os que, representando o governo, tentam impedi-la na comissão de apuração do escândalo dos aposentados, onde até os limites da violência física já foram ultrapassados e expostos na TV Senado.

O próprio presidente do Senado poderá ser questionado na Comissão de Ética como recurso extremo para obrigá-lo a cumprir o regimento interno da Casa.

A outra ponta do engarrafamento institucional é ainda mais explosiva: é o caso do Banco Master, onde envolvidos em apurar se confundem com os fatos que devem ser apurados.

A Polícia Federal, os ministros do Supremo, parlamentares de vários partidos, ministro do TCU, servidores do Banco Central são diariamente protagonistas do horário nobre das grandes redes de TV e ocupam a quase totalidade do tempo das redes sociais.

E para agravar ainda mais esse cenário explosivo, já existe um cadáver na cena do crime.

O acúmulo dos escândalos de agora alcançaram patamares da República até aqui impensáveis, sem minimizar a Lava Jato, que nos desgastou interna e externamente.

Esse novo momento supera todas as crises anteriores, o país está politizado e dividido.

As redes sociais estendem o conhecimento desse ambiente degradado ao cotidiano do cidadão ampliando a desesperança nas instituições.

Há sempre os que ainda acreditam em algum tipo de acordo de cúpula e trabalham nessa direção.

Insistir em “soluções” para a superação dessa crise em forma de acordo é uma temeridade, podendo agravar ainda mais a nossa imagem no exterior.

Chegou o momento em que o melhor acordo está no cumprimento da lei.

(*) Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal.