Da Feira para o Mundo: A Resenha do Antunes registra em vídeo a força cultural da Baixada Fluminense
Responsável por transformar os domingos da Feira Livre da Avenida Mirandela em um ponto de encontro obrigatório para amantes do samba, o cantor e idealizador Wagner Antunes prepara agora um passo ainda maior: a gravação do seu segundo projeto audiovisual, marcada para a segunda semana de junho, na Praça dos Estudantes.

Por Geraldo Perelo
Nilópolis sempre foi terra de gente talentosa, de histórias que nascem simples e ganham o mundo embaladas pelo ritmo, pela fé e pela força cultural da Baixada Fluminense. Em meio às ruas movimentadas, ao calor humano e à tradição que pulsa em cada esquina, um projeto vem se destacando como símbolo de resistência, alegria e identidade: a Resenha do Antunes.
Responsável por transformar os domingos da Feira Livre da Avenida Mirandela em um ponto de encontro obrigatório para amantes do samba, o cantor e idealizador Wagner Antunes prepara agora um passo ainda maior: a gravação do seu segundo projeto audiovisual, marcada para a segunda semana de junho, na Praça dos Estudantes.
A expectativa é de casa cheia, energia lá em cima e a celebração de uma história que já faz parte da alma nilopolitana. A ideia da festa é registrar em vídeo toda a energia e identidade cultural que o cantor e idealizador do projeto conquistou embalando o seu público fiel com a maior roda de samba da Baixada Fluminense ao longo dos seis anos de carreira solo.
Um filho da música, criado pela Baixada

Cantor Wagner Antunes prepara agora a gravação do seu segundo projeto audiovisual
Wagner Antunes falou ao GPBaixadanews ao lado da esposa e empresária Anne Karen. Ela desempenha papel fundamental na consolidação do projeto, cuidando da estratégia e da comunicação que ampliam o alcance da Resenha sem perder sua essência. Juntos, formam uma parceria que vai além do profissional – é uma união entre sonho e realização.
Nascido no Méier, mas criado em Nilópolis, desde os seis anos de idade, Antunes carrega no sangue a herança musical da família. A mãe, passista; o pai, à época, sambista e carnavalesco da escola de samba Lins Imperial. Em casa, a trilha sonora era constante — e foi ali que o menino descobriu que a música seria seu caminho.
O fascínio de Antunes pela arte popular cresceu ainda mais quando se mudou para Nilópolis, com cinco para seis anos, e passou a frequentar os ensaios da Beija-Flor, escola que não apenas o formou como músico, mas o levou a conhecer o mundo.
“Com a Beija-Flor eu viajei o mundo todo. Lugares que muita gente da nossa realidade não teria oportunidade de conhecer”, relembra. Angola, Japão, Europa — o samba abriu portas e horizontes.
Entre as memórias mais marcantes, ele destaca o tricampeonato de 1978, ano do enredo “A Criação do Mundo na Nação Nagô”, quando desfilou pela última vez na Bateria Mirim, ainda adolescente, tocando caixa. Um momento que moldou sua identidade artística e afetiva.
Do cavaco aos palcos: a descoberta da própria voz

Nascido no Méier, mas criado em Nilópolis, desde os seis anos de idade, Antunes carrega no sangue a herança musical da família
A transição para o canto veio por influência do primo e amigo Alan Vinícius, hoje diretor musical da Beija-Flor. Foi com ele que Antunes começou a tocar cavaco nos bares da vida e a descobrir seu lugar no palco. “Foi onde eu me encaixei e me achei”, conta.
A passagem de mais de dez anos como vocalista do Grupo Pirraça também foi fundamental. Ali, aprendeu, amadureceu e viajou o Brasil, sempre com o banjo nas mãos e o samba no peito. Mas chegou o momento de seguir seu próprio sonho.
“Quando se pega uma certa idade, a gente quer realizar os sonhos mais íntimos. E o meu maior sonho era ser reconhecido por si só – antes eu era conhecido por causa da Beija-Flor, por causa do Grupo Pirraça. Hoje, eu sou reconhecido pelo meu próprio projeto, pelo meu sobrenome, que é Antunes. Isso, para mim, vale mais do que qualquer dinheiro”, afirma, frisando que a Resenha do Antunes é, mais do que tudo, é a sua própria vida.
A Resenha que virou família
Criada com a ajuda de amigos — e por isso batizada de “Resenha” —, a roda de samba cresceu, ganhou identidade e se tornou um dos projetos culturais mais importantes da Baixada.
Aos domingos, a Feira Livre de Nilópolis se transforma: música de qualidade, cerveja gelada, ambiente acolhedor e um público que se sente parte de uma grande família.
“A gente trata o público como se fosse da nossa casa. A Resenha não é só o palco, é o evento inteiro”, explica Antunes.
O cuidado vai do atendimento à segurança, da organização do espaço ao repertório que passeia por samba, pagode, MPB e sucessos que atravessam gerações. A banda própria de MPB, inclusive, já é destaque à parte.
Nilópolis como cenário e protagonista
A decisão de gravar o audiovisual na própria Feira Livre da Avenida Mirandela veio, segundo revela Antunes, do clamor popular.
“O público perguntava: por que vocês não gravam aqui? Aqui está tão cheio, tão bonito…”, conta Antunes. A escolha é um gesto de gratidão e reconhecimento ao lugar que abraçou o projeto desde o início.
A gravação promete reunir personalidades do samba e do pagode, como Carlos Inho e Gilson Bacana, parceiro de Neguinho da Beija-Flor, entre outros nomes da MPB. “Muita gente boa vai chegar nesse dia”, adianta o cantor.
Um artista que carrega a Baixada no coração

“Muita gente boa vai chegar nesse dia”, adianta o cantor Wagner Antunes
Hoje, Antunes vive o melhor momento de sua carreira profissional. Além da independência artística e financeira, conquistou tempo para a família e o carinho de um público fiel, que atravessa cidades para vê-lo cantar.
Às quintas-feiras, leva sua voz para turistas do Brasil e do mundo em espaços culturais do Rio, como o Samba Social Clube, Areia MPB, Nacho Praia e Coisas de Bamba, na orla de Copacabana.
Mas é em Nilópolis que o seu coração bate mais forte. “A Resenha do Antunes é a minha vida, a minha dignidade”, resume.
Um projeto que transforma e inspira
Mais do que música, a Resenha representa a força da cultura como instrumento de transformação social. Em uma região carente de opções de lazer, o projeto devolve autoestima, movimenta a economia local, cria oportunidades e mostra que a Baixada é — e sempre foi — um celeiro de talentos que brilham no Brasil e no mundo.
A gravação do novo audiovisual promete ser mais um capítulo dessa história de amor entre artista, público e cidade. Uma celebração da cultura que nasce na rua, cresce no coração do povo e ecoa muito além das fronteiras de Nilópolis
Fotos: Geraldo Perelo















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