Estado do Rio apresenta aplicativo inovador para avaliação neurológica de pacientes com hanseníase durante Conferência Nacional

Estado do Rio apresenta aplicativo inovador para avaliação neurológica de pacientes com hanseníase durante Conferência Nacional

Demonstração foi feita durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026, que terminou neste sábado no Rio de Janeiro

A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, apresentou neste sábado (14) o protótipo de um aplicativo para modernizar a avaliação neurológica de pacientes com hanseníase. A ferramenta, desenvolvida em parceria com pesquisadores, propõe digitalizar um dos principais instrumentos utilizados no acompanhamento da hanseníase no Sistema Único de Saúde (SUS): a Avaliação Neurológica Simplificada (ANS). Atualmente, o procedimento é feito manualmente em formulários de papel e exige profissionais treinados para aplicar testes de sensibilidade nas mãos e nos pés dos pacientes.

A secretária explicou que a proposta é incorporar tecnologia ao processo de avaliação, tornando o atendimento mais ágil, além de ampliar a capacidade de registro e de análise de dados.

“O que existe hoje é um teste feito em papel, que exige treinamento específico e pode ser trabalhoso. A ideia foi trazer algo diferente, disruptivo, ligado à tecnologia, para ajudar no processo de trabalho. Primeiro vamos buscar digitalizar esse documento e, no futuro, queremos incorporar tecnologias que permitam até auxiliar na classificação da sensibilidade”, destacou a secretária.

Claudia Mello: no futuro, incorporar tecnologias que permitam até auxiliar na classificação da sensibilidade

Aplicativo em fase de protótipo

A apresentação foi feita durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026, promovida  pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), Ministério da Saúde e Fundação Sasakawa, do Japão, no centro de convenções de um hotel na Zona Sudorest do Rio. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) marcou presença com inovação tecnológica, debates científicos e ações de conscientização sobre a doença. Durante o painel “IA na prevenção de incapacidade em hanseníase: desafios para classificação”, conduzido pela secretária, Claudia Mello demonstrou o funcionamento do aplicativo 

O aplicativo ainda está em fase de protótipo e será testado no estado por meio de uma prova de conceito (POC). A expectativa é que a ferramenta seja aplicada inicialmente em duas unidades da rede estadual, incluindo o Hospital Estadual Tavares de Macedo, referência no tratamento da hanseníase.

“Queremos mostrar que, dentro da tecnologia da informação, estamos buscando alternativas para melhorar o cuidado com a hanseníase. Não é algo que já está estabelecido, mas é um caminho que estamos começando a trilhar”, acrescentou.

Planejamento das políticas públicas

A solução foi desenvolvida no âmbito de um projeto de pesquisa financiado por instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Saúde e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). Autora do projeto, a pesquisadora Patricia Endo, da Universidade de Pernambuco (UPE), explicou que a digitalização da avaliação neurológica pode ajudar a superar limitações do modelo atual.

“Hoje essa avaliação é feita em papel e muitas vezes as informações acabam se perdendo ou ficam difíceis de consolidar. Quando visitamos um hospital de referência em Recife, percebemos que não havia dados estruturados para entender o cenário da doença. Com o aplicativo, conseguimos coletar essas informações em um banco de dados digital, melhorar a qualidade dos registros e agilizar o atendimento. Isso ajuda tanto no cuidado com o paciente quanto no planejamento das políticas públicas”, afirmou.

A prova de conceito do aplicativo já ocorre em Pernambuco e deve ser ampliada para o Rio de Janeiro em parceria com instituições de pesquisa, conforme explicou a Emanuela Rainho, Coordenadora de Inovação da SES-RJ.

“Sabemos que esse caminho não foi fácil, mas estamos falando da construção de um SUS digital mais humanizado, usando a tecnologia como meio para ampliar possibilidades e aprimorar os nossos serviços”, ressaltou.

Importância da conscientização

Além dos debates científicos, a Conferência teve momentos voltados à sensibilização da sociedade. Na sexta-feira (13), segundo dia do evento, a Miss Supranational, Eduarda Braum, visitou o Hospital Estadual Tavares de Macedo, em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Durante a visita, ela conversou com pacientes, conheceu a história do hospital e destacou o impacto humano da doença.

“Foi uma experiência única para mim. Ouvi histórias muito marcantes, de pessoas que foram separadas da família e viveram muitos anos no hospital. Fiquei muito comovida. Esse contato mostra a importância de falar sobre a hanseníase e de mostrar que ela tem cura”, destacou.

Miss Supranational, Eduarda Braum, visitou o Hospital Estadual Tavares de Macedo, em Itaboraí


Natural do interior do Espírito Santo, a modelo tornou-se a primeira brasileira a vencer o Miss Supranational, concurso de beleza com competidores de 65 países. Agora, ela tem a missão de disseminar as questões da hanseníase e combater o estigma associado à doença.

Para o diretor-geral do Hospital Estadual Tavares de Macedo, Rafael Feitosa, a presença da miss contribui para ampliar o alcance das ações de conscientização. “Recebê-la em um hospital-colônia que é referência estadual ajuda a dar mais destaque ao tema e a mostrar que a hanseníase precisa ser discutida. Ela conversou com pacientes, caminhou pelo hospital e ouviu muitas histórias. Isso mobiliza toda a equipe e reforça a importância do trabalho que realizamos aqui diariamente”, destacou.