Fortrab defende a interiorização de investimento durante encontro de Secretários de Trabalho em Silva Jardim

Fortrab defende a interiorização de investimento durante encontro de Secretários de Trabalho em Silva Jardim

Dados da federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), mostram que a Região dos Lagos (litoral) e a Região Serrana estão entre os locais com os piores índices de investimentos públicos. Ainda de acordo com o mesmo estudo, a economia local é altamente baseada no turismo e, em algumas áreas, no setor de petróleo

Por Geraldo Perelo

A defesa da interiorização dos investimentos públicos e privados e a valorização das vocações econômicas regionais marcaram o 1º Fórum Fluminense de Secretários Municipais de Trabalho (Fortrab), de 2026, realizado nesta sexta-feira (30), em Silva Jardim. O encontro reuniu gestores, especialistas e autoridades para debater estratégias capazes de enfrentar os desafios históricos da empregabilidade nas regiões da Baixada Litorânea e Serrana do Estado do Rio de Janeiro.

Presidente do Fortrab e anfitrião do evento, Eduardo “Dudu” Amorim disse neste sábado ao gpbaixadanews.com, que, apesar das diferenças territoriais, ambas as regiões convivem com problemas estruturais semelhantes, como a dependência econômica de poucos setores, a informalidade e a forte sazonalidade do mercado de trabalho.

“A economia local ainda gira em torno do turismo, da hotelaria, do comércio e, em algumas áreas, do petróleo. São atividades importantes, mas que geram empregos temporários e deixam milhares de trabalhadores vulneráveis na baixa temporada”, alertou.

Dudu debateu com lideranças da baixada Litorânea a questão de empregabilidade

Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) reforçam o diagnóstico apresentado no fórum: a Região dos Lagos e a Região Serrana figuram entre as áreas com os piores índices de investimento público no estado. O resultado é um ciclo recorrente de desemprego, subocupação e migração diária de trabalhadores para outros municípios e para a capital.

Outro ponto sensível abordado nos debates foi a vulnerabilidade ambiental da economia costeira. Segundo Dudu Amorim, problemas como a poluição de praias, lagoas e áreas de preservação afetam diretamente o turismo e a pesca — duas das principais fontes de renda da população local. “Quando o meio ambiente sofre, o emprego desaparece. É uma relação direta”, afirmou.

Proposta nacional para pequenos municípios

Durante o fórum, o presidente do Fortrab anunciou que a entidade irá apresentar ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a proposta de criação do Conselho Consultivo Nacional (CCN), durante a Conferência Nacional do Trabalho, que acontece nos dias 3, 4 e 5 de março, em São Paulo.

A proposta, aprovada por 168 delegados em representação tripartite — governo, empregadores e trabalhadores — durante a Conferência Estadual do Trabalho, realizada em dezembro de 2025, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, tem como foco o fortalecimento institucional dos municípios com menos de 200 mil habitantes.

Vice-prefeito Marcos João; Prefeita Maíra Branco; Secretária de Assistência Social, Isabela Mello; Deputado Federal Ricardo Abrão e o presidente do Fortrab, e Secretário de Trabalho de Nilópolis, Dudu Amorim


“O CCN surge como um instrumento inovador de apoio técnico e institucional aos municípios brasileiros”, explicou Dudu Amorim. Entre as medidas previstas estão assessoria governamental para soluções de empregabilidade, programas de capacitação e qualificação profissional, implantação do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e criação do Fundo Municipal do Trabalho.

Fat para todos os municípios

O presidente do Fortrab anunciou ainda que irá apresentar proposta na Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, no sentido de que o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) também repasse recursos do FAT (Fundo de Apoio ao Trabalhador) aos municípios brasileiros com menos de 200 mil habitantes. Ele cita como exemplo o próprio o Rio de Janeiro, onde apenas 13 cidades são contempladas com o benefício.

O Codefat é um órgão colegiado tripartite e paritário no Brasil, composto por representantes do governo, trabalhadores e empregadores. O órgão federal é responsável também por gerir políticas de geração de emprego e renda. 

Dudu Amorim lembra que os repasses do FAT para estados e municípios visam financiar ações de emprego, trabalho e renda, incluindo o funcionamento de postos do Sine, por força da Resolução CODEFAT nº 825/2019.

“Vamos pedir, portanto, ao Governo Federal que reveja com carinho a atual resolução. É uma forma de promover equidade, de maneira que o Ministério do Trabalho reconheça que os problemas relacionados a questões como oferta de trabalho, empregabilidade, geração de emprego ocorrem com todos os municípios, indistintamente, sendo uns mais, outros menos. As cidades mais afetas precisam desfrutar das mesmas oportunidades, independentemente das diferenças regionais.

Papel estratégico do CIEE

O Fórum do Trabalho de Silva Jardim contou com a presença da prefeita Maíra Branco Monteiro e do deputado federal Ricardo Abrão, além de especialistas e gestores públicos. Entre os palestrantes, Ronaldo Silveira, coordenador regional do Sebrae na Região dos Lagos, analisou as dificuldades da empregabilidade na Baixada Litorânea e apontou caminhos para o desenvolvimento local.

Roosevelt Monteiro, coordenador regional Leste Fluminense do CIEE, abordou a qualificação profissional por meio dos programas Jovem Aprendiz e Estágio.

Dudu Amorim elogiou a participação de Roosevelt no Fórum do Trabalho de Silva Jardim, explicando que o CIEE exerce um papel estratégico no desenvolvimento social e econômico das cidades fluminenses ao atuar como ponte entre educação, juventude e mercado de trabalho. “Em um estado marcado por profundas desigualdades regionais, a presença do CIEE Rio representa oportunidade concreta de transformação, especialmente para jovens de municípios do interior, da Baixada Fluminense, do Leste Fluminense e das regiões Serrana e Norte”.

De acordo com o presidente do Fortrab, ao promover programas de estágio, aprendizagem e capacitação profissional, o CIEE Rio contribui diretamente para a inserção qualificada de estudantes no mundo do trabalho, reduzindo a evasão escolar e ampliando as perspectivas de futuro de milhares de jovens.

“Mais do que oferecer vagas, a instituição prepara esses estudantes para a realidade profissional, desenvolvendo competências técnicas, comportamentais e cidadãs que fortalecem a empregabilidade. Para as cidades fluminenses, o impacto vai além do indivíduo. A atuação do CIEE Rio estimula a economia local, ao aproximar empresas, instituições de ensino e poder público, criando um ambiente favorável à formação de mão de obra alinhada às vocações regionais. Pequenas e médias empresas, em especial, encontram no CIEE um parceiro confiável para formar talentos, inovar processos e garantir sucessão profissional”, disse.

Outro aspecto fundamental defendido por Dudu Amorim é o papel social do CIEE Rio.

“Ao priorizar o acesso de jovens em situação de vulnerabilidade, a instituição contribui para a redução das desigualdades e para a construção de trajetórias profissionais mais dignas e sustentáveis. Em muitos municípios, o primeiro contato do jovem com o mercado formal acontece por meio do CIEE, o que reforça sua importância como agente de inclusão socia. Assim, o CIEE Rio se consolida como um instrumento essencial de desenvolvimento humano e regional, fortalecendo as cidades fluminenses ao investir no que elas têm de mais valioso: suas pessoas. Ao integrar escola e empresa, a instituição ajuda a construir um estado do Rio de Janeiro mais justo, produtivo e preparado para os desafios do futuro”, afirmou.

Já o subsecretário de Trabalho e Renda de Nova Friburgo apresentou propostas voltadas às soluções de empregabilidade para a Região Serrana. Representando o município anfitrião, a diretora de Trabalho, Luciene Maria de Azevedo, falou sobre “Um novo tempo para a nossa gente”, enquanto o secretário de Fazenda, Leandro Antunes, apresentou ações como a Sala do Empreendedor e o Programa Primeiros Passos, voltados ao fortalecimento do empreendedorismo local.

Integração regional como estratégia

Na avaliação de Dudu Amorim, o Fórum de Secretários Municipais de Trabalho cumpre um papel estratégico em um estado marcado por profundas desigualdades regionais. “O mercado de trabalho não respeita limites geográficos. Moradores da Baixada, do Leste Fluminense e do interior se deslocam diariamente para outros municípios. Planejar de forma integrada evita ações isoladas e ineficientes”, destacou.

Segundo ele, a articulação entre as secretarias permite a criação de programas regionais de qualificação profissional, ações conjuntas de intermediação de mão de obra e políticas voltadas à economia solidária e ao empreendedorismo local.

Mais do que ampliar números, o foco do Fortrab é a geração de empregos de qualidade, com inclusão social. Juventude, mulheres, população negra, pessoas com deficiência e trabalhadores acima dos 50 anos estão entre os públicos prioritários das políticas defendidas pelo fórum.

“Em um estado complexo como o Rio de Janeiro, o Fórum de Secretários Municipais de Trabalho transforma políticas fragmentadas em estratégias regionais, fortalece a governança pública e amplia as chances de desenvolvimento econômico sustentável e inclusão social”, concluiu Dudu Amorim.

  • Fotos: Fortrab
  • Edição atualizada, às 13h55

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