Justiça de portas abertas: PopRuaJud leva dignidade e esperança às pessoas em situação de rua
O TJRJ participa com a Justiça Itinerante, permitindo retificações de registros civis, emissão de segunda via de documentos e atendimentos relacionados a pensão alimentícia — serviços simples, mas que fazem enorme diferença na vida de quem precisa.

Disponibilizar o acesso à Justiça para todos. Essa é a missão que norteia o PopRuaJud, mutirão nacional que chega à sua 4ª edição no Rio de Janeiro, entre os dias 26 e 28 de agosto, na Catedral Metropolitana. Mais do que oferecer serviços jurídicos, a iniciativa busca devolver dignidade e cidadania a quem vive em situação de vulnerabilidade extrema.
Promovido pela Justiça Federal (TRF2), em parceria com o TJRJ, TRT1, TRE-RJ e mais de 60 instituições que compõem o Fórum do Poder Judiciário no Rio (Fojurj), o evento oferece desde orientações jurídicas até atendimentos de saúde, vacinação, serviços odontológicos, corte de cabelo e apoio social.

Da esquerda para a direita: o corregedor do TRF2, desembargador Firly Nascimento; o corregedor-geral da Justiça, desembargador Claudio Brandão; o cardeal Dom Orani Tempesta; a juíza do TRF2 Valéria Caldi Magalhães; o desembargador Peterson Barroso Simão e a desembargadora Helda Meireles
O TJRJ participa com a Justiça Itinerante, permitindo retificações de registros civis, emissão de segunda via de documentos e atendimentos relacionados a pensão alimentícia — serviços simples, mas que fazem enorme diferença na vida de quem precisa.
Para a juíza Andressa Maria Ramos Raimundo, da Central de Audiência de Custódia, a essência do PopRuaJud está no encontro humano:
“É um evento de inclusão social, que aproxima o Poder Judiciário da população em situação de rua. É a chance de ouvir histórias, entender realidades e construir pontes de dignidade.”
Vozes e histórias que emocionam
Entre os atendidos estava Larissa Rodrigues, 27 anos, mãe de gêmeas e da pequena Alice, de um ano. Ela procurou o mutirão para resolver questões da pensão alimentícia. Com um sorriso emocionado, resumiu:
“Elas precisam disso, então é por elas que estou aqui. Estou muito feliz.”
Já Edson Tobias, 58 anos, resolveu uma pendência do Bolsa Família e aproveitou para descansar à sombra, tomar água gelada e ouvir música. Para ele, o gesto simples de atenção vale tanto quanto os serviços oferecidos:
“Quem vive na rua enfrenta descaso todos os dias. Então, quando acontecem eventos como esse, é muito importante. A gente se sente lembrado.”
O direito de ser chamado pelo próprio nome

Outro momento marcante foi o de Bernardo Ferreira, 34 anos (foto), que conseguiu oficializar a mudança de seu nome, incluindo o sobrenome da mãe: “Sempre quis fazer isso. Hoje realizei um desejo antigo e saio daqui em paz comigo mesmo.”

História parecida é a de Amanda Felix, 36 anos (foto), mulher trans que finalmente pôde registrar o nome com o qual se reconhece:
Um gesto de esperança
O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, anfitrião do evento, destacou o simbolismo da ação: “O PopRuaJud é uma luz que ilumina o presente e o futuro. O presente, com gestos concretos de dignidade; e o futuro, com a esperança de uma sociedade mais justa para todos.”
A abertura contou com autoridades dos tribunais e representantes de instituições parceiras, mas os verdadeiros protagonistas foram aqueles que, por três dias, puderam se ver reconhecidos não como números, mas como cidadãos de direitos.
O PopRuaJud mostra que a Justiça não é apenas um tribunal, mas também um olhar humano, um ouvido atento e uma mão estendida.















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