Nilópolis inaugura a Caravana Empreendedorismo RJ e coloca a Baixada Fluminense no centro da construção de novas políticas públicas
Primeira edição do programa estadual reuniu maioria feminina e reforçou o protagonismo do empreendedorismo como motor de transformação econômica e social

Por Geraldo Perelo
Nilópolis viveu nesta quinta-feira (11) um dia considerado histórico por lideranças locais e estaduais. O município da Baixada Fluminense foi escolhido para sediar a 1ª edição da Caravana Empreendedorismo RJ, programa recém-criado pelo Governo do Estado, vinculado à Casa Civil, que nasce com uma proposta ousada: escutar, mapear e construir políticas públicas voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo fluminense.

A subsecretária de Ações Comunitárias e Empreendedorismo, Karol Mendez, apresentou o projeto
O projeto, lançado oficialmente em 3 de setembro, prevê a realização de 22 caravanas em 38 municípios distribuídos pelas oito regiões fluminenses, impactando diretamente cerca de 10 mil pessoas, entre elas 2 mil empreendedores e 500 gestores públicos que serão capacitados durante as etapas.
Além da construção coletiva do “Documento Base da Política Estadual do Empreendedorismo”, a iniciativa ainda promete entregar três mapeamentos inéditos: o de Comunidades e Aceleradores do Empreendedorismo RJ, o de Lojas Colaborativas e o de Artesãos do Carnaval — este último, com potencial de dialogar diretamente com a economia criativa do estado.
Um auditório predominantemente feminino
A largada ocorreu na sede da Associação Comercial e Empresarial de Nilópolis (Acenil), onde a subsecretária de Ações Comunitárias e Empreendedorismo, Karol Mendez, apresentou o projeto diante de uma plateia marcante: 90% dos presentes eram mulheres empreendedoras.
Essa característica não passou despercebida pelos organizadores e convidados. O vice-prefeito Alvinho chegou a brincar que o auditório estava tomado por “rosas entre alguns cravos”, destacando a força feminina na construção de novos caminhos para a economia local.

No encontro, uma plateia marcante: 90% dos presentes eram mulheres empreendedoras.
A Caravana está estruturada em quatro grandes eixos: formação e qualificação empreendedora; políticas públicas e participação social; fomento ao empreendedorismo; e dados e mapeamento. O objetivo, explicou Karol, é tornar o processo de formulação de políticas públicas mais conectado às necessidades reais da ponta — quem empreende no dia a dia.
“O empreendedorismo se tornou protagonista e parte fundamental para o desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro. Vai além da abertura de negócios: hoje empreender significa dar as mãos, trabalhar de forma coletiva e construir desenvolvimento sustentável e social”, destacou a subsecretária.
A Baixada como motor econômico
A escolha de Nilópolis como cidade-piloto não é aleatória. A Baixada Fluminense é responsável por parte expressiva da economia estadual. Segundo o presidente da Acenil, Juan Medeiros, apenas três municípios da região — Nova Iguaçu, Duque de Caxias e São João de Meriti — respondem juntos por mais de 47% da economia do Rio de Janeiro.
“Somos uma região extremamente importante. A melhor forma de reconhecer essa força é devolvendo à sociedade ferramentas que ajudem pequenos empreendedores a crescer, em articulação com o poder público”, afirmou Medeiros.

Juan Medeiros, Presidente da Acenil,: Somos uma região extremamente importante
Essa perspectiva reforça o caráter estratégico da Caravana. Ao priorizar a Baixada, o governo estadual reconhece que políticas eficazes para o empreendedorismo devem levar em conta territórios de grande densidade populacional, diversidade de negócios e forte vocação para a economia informal e criativa.
Voz e vez para as empreendedoras
A diretora da Rede Empreendedoras da Baixada Fluminense, Nathalie Drumond, trouxe à tona o simbolismo da iniciativa. Representando a maior instituição voltada ao empreendedorismo feminino da região, ela lembrou que a rede atua em todos os 13 municípios da Baixada.
“É uma conquista de todas nós, que estamos trilhando e construindo o nosso movimento há dois anos. Estarmos aqui, ocupando esse espaço e tendo voz, é um momento histórico. Essa vitória é coletiva”, celebrou Nathalie.
A fala reflete uma tendência cada vez mais visível: o empreendedorismo feminino como vetor de transformação social. Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, mulheres lideraram a abertura de pequenos negócios na Baixada e em outras regiões periféricas do estado, muitas vezes conciliando o sustento da família com iniciativas criativas de geração de renda.
Desafios e caminhos
O secretário de Trabalho, Emprego e Desenvolvimento Econômico de Nilópolis, Eduardo Amorim (Dudu Amorim), reforçou que o município já realiza um diagnóstico junto a empreendedores locais, buscando compreender suas principais demandas. Para ele, o alinhamento com a Caravana será estratégico.

Dudu Amorim anunciou que a Prefeitura de Nilópolis está ouvindo os anseios dos empreendedores
“A pesquisa que conduzimos em Nilópolis já nos dá um raio-x do setor. Agora, com a Caravana, vamos conseguir transformar essas informações em políticas públicas consistentes, capazes de gerar emprego e renda”, explicou o secretário, que também preside o Fórum de Secretários e Gestores Municipais de Trabalho, Emprego, Renda e Economia Solidária (FORTRAB).
O vereador Leandro Hungria, que representou o Legislativo municipal, foi enfático ao destacar que o projeto estadual inaugura um novo ciclo de diálogo.
“Ainda sentimos os efeitos da pandemia. Pequenos e médios empreendedores carregam marcas desse período. É por meio da escuta e do diálogo que vamos construir políticas assertivas. Este é um dia marcante para Nilópolis, pioneira no estado a hospedar a Caravana”, declarou.

Leandro Hungria: É por meio da escuta e do diálogo que vamos construir políticas assertivas
O papel do Estado e o futuro
Na avaliação de Karol Mendez, a pandemia de Covid-19 acelerou uma mudança de paradigma: empreender deixou de ser apenas abrir um negócio e tornou-se uma estratégia coletiva de sobrevivência e desenvolvimento local.
“O poder público ainda não estava preparado para esse tipo de conversa. Mas o empreendedorismo é ágil, criativo e eficaz. Quanto mais a sociedade se organiza, mais o Estado precisa se organizar para entregar políticas públicas de verdade”, afirmou.
A ideia é que cada município envolvido elabore propostas específicas, como melhorias no acesso ao crédito e apoio a redes colaborativas. Essas contribuições vão compor um documento único, referência para o Estado estruturar ações menos baseadas em suposições e mais conectadas à realidade de quem empreende.
Um marco político e simbólico
O vice-prefeito Alvinho aproveitou a ocasião para agradecer ao governador Cláudio Castro, classificado por ele como “um grande amigo da Baixada”. Segundo o vice, a escolha de Nilópolis para abrir a Caravana reforça a parceria do governo estadual com a cidade.

Alvinho: a escolha de Nilópolis para abrir a Caravana reforça a parceria do governo estadual com a cidade
Com o evento, Nilópolis não apenas se coloca como pioneira em um processo que deve se estender a outras regiões, mas também projeta a Baixada Fluminense como um espaço de inovação, diálogo e protagonismo econômico.
A Caravana Empreendedorismo RJ surge, portanto, como uma tentativa de dar concretude ao que há anos é reivindicado por empreendedores: políticas públicas consistentes, participativas e sintonizadas com a realidade da ponta.
Se o projeto conseguirá se traduzir em ações efetivas ainda será testado ao longo das próximas edições. Mas o primeiro passo foi dado, e com força simbólica: em um auditório dominado por mulheres, em uma cidade periférica e em uma região historicamente marginalizada, o empreendedorismo foi celebrado não como um jargão, mas como um caminho real para desenvolvimento social e econômico no Rio de Janeiro.
Fotos: Geraldo Perelo















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