Polícia Civil realiza mega operação à caça de 44 traficantes do Complexo de Israel responsáveis por levar o terror a cinco comunidades
Acuados com a chegada da os bandidos reagiram a tiros. A Avenida Brasil e a Linha Vermelha ficaram fechadas por mais uma hora.
Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de delegacias da capital, da Baixada e do Interior, deflagraram uma megaoperação no Complexo de Israel, Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (10). A ação teve como alvo o cumprimento de 70 mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) que agem em cinco comunidades da Zona Norte, entre elas a Cidade Alta, Vigário Geral, Para de Lucas, Cinco Bocas e Pica-Pau.
Acuados com a chegada da polícia, os bandidos reagiram a tiros. A Avenida Brasil e a Linha Vermelha, duas das principais vias expressas da cidade ficaram fechadas por mais uma hora. Dois ônibus foram alvos de tiros na Avenida Brasil, segundo a Federação das Empresas de Mobilidade do Rio (Semove). O tiroteio também causou a interrupção do BRT (linha expressa de ônibus articulados) e do trecho entre Penha e Gramacho, do ramal Saracuruna da Supervia. Cinquenta linhas de ônibus tiveram que alterar seus trajetos.

Avenida Brasil interdita ao trânsito durante a operação que levou pânico na cidade do Rio de janeiro
Sete unidades da rede municipal de saúde que atendem na região, incluindo clínicas da família e centros municipais de saúde, foram impactadas, das quais quatro suspenderam suas atividades e outras três interromperam as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares.
Momentos de terror
Apavorados, motoristas abandonaram seus veículos, buscando proteção atrás de muretas, enquanto passageiros de um BRT se jogaram no chão de uma das estações para se protegerem do intenso tiroteio.


Passageiros se refugiam no chão do BRT e o motorista Marcelo Silva Marques baleado no ônibus
Pelo menos, duas pessoas ficaram feridas. Um deles foi identificado como Marcelo Silva Marques, de 54 anos, motorista da linha de ônibus 442-B, da Viação Evanil, que circulava pela Avenida Brasil quando foi baleado no braço esquerdo. Levado por Bombeiros para o Hospital Adão pereira Nunes (Hospital de Saracuruna), em Duque de Caxias, onde o seu estado de saúde era considerado estável.
No mesmo hospital também foram atendidos, baleados, o mecânico, Jerry Henrique, de 47 anos. Ele saía da Viação Jurema, onde trabalha, e acabou sendo baleado no calcanhar esquerdo. Outra vítima foi João André dos Santos, 63 anos, passageiro da linha de ônibus 603. Ele seguia para o trabalho, por volta de seis horas da manhã, quando foi baleado na altura do Parque Lafaiete.
— Ele contou que estava no ônibus, descansando, para chegar até o trabalho e sentiu uma queimadura no braço esquerdo — disse um dos parentes na porta do hospital.
A outra vítima foi o servente Manoel Américo da Silva, 60 anos, passageiro da linha Cabuçu-Central, da Viação Evanil. Ele levou um tiro que atravessou a janela do ônibus e se alojou no ombro esquerdo. Levado para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse), passou por atendimento de urgência para a retirada do projetil. O seu estado de saúde também era considerado estável.
— Eu só pedi aos passageiros para se jogarem no chão e continuei a viagem. Só ouvi o zumbido dos projetis passando. Vi que bateu um projetil no carro. Quando peguei a (Via) Dutra, perguntei aos passageiros se estava todo mundo bem. O colega me disse que havia um passageiro baleado, perdendo muito sangue. Prossegui a viagem, falei pro inspetor que ia levar ele para o hospital da Posse —, contou o motorista Paulo Sérgio dos Santos, da Viação Evanil.
O alvo: 44 mandados de prisão
Pelo menos, 14 pessoas foram presas. Houve também apreensão de cinco fuzis, duas pistolas, granadas e coquetéis molotov. Por conta da operação policial, iniciada no fim da madrugada, com a mobilização de centenas de agentes, 20 escolas haviam sido fechadas na parte da manhã. A operação impactou também a circulação de 50 linhas de ônibus.


Um dos 14 presos no Complexos de Israel, onde a polícia apreendeu cinco fizis, pistola e muita munição
A ação é resultado de sete meses de intensas investigações, que culminaram na identificação de 44 traficantes sem mandados anteriores, permitindo à Polícia Civil solicitar ordens judiciais com base em provas contundentes. A operação integra uma série de ações da instituição voltadas ao desmantelamento da estrutura criminosa do TCP na região.
As investigações conduzidas pela DRE, com apoio da Delegacia Antissequestro (DAS), da 22ª DP (Penha) e da 33ª DP (Realengo), revelaram uma organização criminosa altamente estruturada e armada, sob a liderança de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, um dos narcotraficantes mais perigosos do estado. O grupo atua nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau.
A facção impõe seu domínio com o uso de barricadas, drones para monitoramento das forças de segurança, toque de recolher e monopólio de serviços públicos, além de promover intolerância religiosa.
Sob o comando direto de Peixão, o TCP promove a intimidação sistemática de moradores, expulsão de rivais, ataques a agentes de segurança e ações coordenadas para impedir operações policiais. Foi identificado um grupo responsável pelo monitoramento de viaturas, queima de ônibus e organização de protestos simulados com o objetivo de obstruir o trabalho policial. Foi apurada, ainda, a existência de um núcleo especializado na tentativa de abate de aeronaves policiais, composto por criminosos com armamento pesado e treinamento específico.
Além das prisões, a operação tem o objetivo apreender armas de fogo, drogas, rádios comunicadores, aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que reforcem a responsabilização penal dos envolvidos. Duas construções irregulares utilizadas pelos traficantes como abrigo e pontos estratégicos de ataque — equipadas com seteiras — serão demolidas, conforme autorização judicial, como medida de desarticulação da estrutura defensiva da facção.
Imagem: Reprodução















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