Quando o Carimbó vira ato de amor
“As Estrelas do Carimbó” nasceu no bairro Nossa Senhora de Fátima e, em menos de dois anos, já conquistou a Baixada Fluminense
(*) Por Geraldo Perelo
Em tempos em que o mundo parece girar mais rápido e os laços humanos se afrouxam diante da correria do dia a dia, histórias como a do grupo “As Estrelas do Carimbó” reacendem a centelha da esperança e da empatia. Elas nos lembram que ainda é possível — e necessário — praticar a solidariedade, não apenas com gestos materiais, mas com atitudes que toquem a alma.

Dez senhoras de Nilópolis estão unidas, não pelo acaso, mas por um propósito nobre e contagiante: devolver alegria aos seus contemporâneos. Elas encontraram no colorido das saias rodadas e no ritmo vibrante do carimbó, do sirimbó e do siriá uma ponte entre passado e presente, entre tradição e cuidado, entre arte e afeto. Sob a liderança da aposentada Matilde de Assis Teixeira, de 67 anos, elas transformaram o tédio da rotina em um espetáculo de emoções positivas.
O projeto nasceu no bairro Nossa Senhora de Fátima e, em menos de dois anos, já conquistou corações pela Baixada Fluminense. O sucesso de “As Estrelas do Carimbó” não está nos palcos suntuosos nem nos cachês altos, mas na capacidade de emocionar, de resgatar memórias, de trazer brilho aos olhos e sorrisos aos rostos que o tempo muitas vezes quis apagar.
Atração do Arraiá D’Ajuda
“As Estrelas do Carimbó” será uma das atrações da 32ª edição do Arraiá D’Ajuda, que acontece este ano no estacionamento da antiga casa de show Riosampa, em Nova Iguaçu, entre os dias 4, 5 e 6 de julho. Antes, porém, se apresentam na manhã do dia 27 de junho na Igreja do Nazarena II, em Nilópolis, e à noite, na Igreja de São Judas Tadeus, no bairro carioca de Cosme Velho.
- O que desejamos com o nosso show é eliminar a desesperança, sentimento que eventualmente possa estar entediando a vida de quem já deu tudo de sí por um mundo melhor, levando a eles e a elas um pouco de felicidade compartilhada. Somente assim podemos cultivar um equilíbrio entre corpo, a mente e o ambiente social para nos sentirmos mais plenos e felizes- explica Matilde com a experiência de seus 67 anos bem vividos, como se define, frisando que o seu maior cachê “e poder ver de perto o sorriso, o brilho nos olhos e a alegria no semblante das pessoas”

O sucesso do grupo não está nos palcos nem nos cachês altos, mas na capacidade de emocionar, diz a líder das Estrelas do Carimbó
O verdadeiro valor da solidariedade está justamente nisso: em doar o que se tem de mais precioso — tempo, talento, cuidado — para quem precisa de acolhimento. Não se trata apenas de dançar. Trata-se de levar um pouco de luz a quem, por vezes, se sente invisível. De fazer da arte um ato de amor. De fazer da alegria um direito de todos, inclusive daqueles que já deram tanto por suas famílias, comunidades e pela sociedade.
Matilde resume com sabedoria: “O maior cachê é ver o sorriso no rosto de quem nos assiste.” Essa frase, simples e profunda, é um lembrete poderoso de que a solidariedade não exige muito — apenas o desejo sincero de fazer o bem.
Que o exemplo dessas mulheres nos inspire a cultivar mais empatia, a olhar para o outro com atenção e a entender que cada gesto, por menor que pareça, pode ser a chave para transformar um dia, uma vida, um mundo.
Porque a verdadeira dança da vida só é bonita quando há espaço para todos no salão da solidariedade
(*) Geraldo Perelo é jornalista e fundador e editor do gpbaixadanews.com












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