Ruptura histórica: Cidinha Campos deixa o PDT após 45 anos e reescreve seu destino político no MDB
O presidente regional do MDB no Rio de Janeiro, Washington Reis, anunciou, nesta terça-feira (31), com entusiasmo, a filiação de Cidinha Campos à legenda. Em publicação nas redes sociais, Reis celebrou a chegada da comunicadora como um reforço de peso para o partido e antecipou sua pré-candidatura a deputada federal

(*) Por Geraldo Perelo
A política fluminense amanheceu atravessada por um gesto que carrega o peso da história. Após mais de quatro décadas de militância fiel ao partido que ajudou a construir ao lado de Leonel Brizola, a jornalista, radialista e ex-parlamentar Cidinha Campos decidiu romper com o PDT — uma legenda que, por anos, foi extensão de sua própria identidade política.
A decisão, anunciada de forma direta e emocional nas redes sociais, não foi apenas um ato burocrático. Foi um desabafo público, marcado por mágoa, frustração e, sobretudo, pelo sentimento de desrespeito. Cidinha, que sempre se orgulhou de sua lealdade ao partido, afirmou não ter suportado ser ignorada em uma inserção televisiva que homenageava mulheres pedetistas — uma ausência que, para ela, simbolizou muito mais do que um simples esquecimento.
— “Eu nunca traí o partido, nunca fiz nada errado. Sempre fui leal. E fui deixada de fora”, declarou, em tom firme, reafirmando o estilo que a consagrou no rádio e na política.

A crítica foi direcionada ao presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, a quem acusou de erros recorrentes. Em sua fala, não houve espaço para conciliação. Ao contrário: houve ruptura definitiva. “Esse PDT sem Brizola não me merece”, disparou, encerrando um ciclo de 45 anos com a contundência que sempre marcou sua trajetória.
Um novo capítulo no MDB
Poucas horas depois, o cenário político já apresentava novos contornos. O presidente regional do MDB no Rio de Janeiro, Washington Reis, anunciou, com entusiasmo, a filiação de Cidinha Campos à legenda.
Em publicação nas redes sociais, Reis celebrou a chegada da comunicadora como um reforço de peso para o partido e antecipou sua pré-candidatura a deputada federal. Para ele, trata-se de um “quadro político extraordinário”, capaz de agregar experiência, visibilidade e credibilidade ao MDB.
— “Ela é uma âncora que vem para somar e brilhar na nossa sigla”, afirmou, em entrevista ao GPBaixadanews.
A resposta de Cidinha, embora carregada de cautela, também revelou esperança. Ao reconhecer que dedicou mais de 40 anos ao antigo partido sem o retorno esperado, ela sinalizou disposição para recomeçar: “Vou tratar esse partido com carinho para merecer o carinho de vocês”.
Entre a lealdade e o desencanto
A saída de Cidinha Campos do PDT não é apenas mais uma troca partidária em um cenário político acostumado a rearranjos. Ela representa o rompimento de uma história construída sob os pilares do trabalhismo brizolista, onde política e ideologia caminharam juntas por décadas.
Ao lado de Leonel Brizola, Cidinha ajudou a consolidar um projeto político voltado à defesa da educação pública, dos direitos sociais e da soberania nacional. Sua atuação sempre refletiu esse compromisso — seja nos microfones do rádio, seja nas tribunas parlamentares.
Sua voz, conhecida por não fazer concessões, transformou-se em instrumento de denúncia e cobrança. No rádio, aproximou-se do cidadão comum, dando visibilidade a problemas ignorados. Na política, manteve o mesmo tom incisivo, conquistando admiradores e enfrentando adversários com igual intensidade.

Coerência que resiste ao tempo
A decisão de deixar o PDT, ainda que dolorosa, também revela coerência com a trajetória de quem nunca aceitou o silêncio diante do que considera injusto. Aos 83 anos, Cidinha Campos segue ativa, combativa e fiel a um princípio que norteou toda a sua vida pública: o respeito.
Sua ida para o MDB abre um novo capítulo — talvez inesperado, mas carregado de simbolismo. Não se trata apenas de uma mudança de partido, mas de uma reafirmação de identidade. Uma declaração de que, acima de siglas, está a dignidade pessoal e política.
No fim, a ruptura de Cidinha Campos com o PDT não encerra sua história. Pelo contrário: reposiciona sua trajetória em um novo cenário, onde a mesma voz firme que marcou gerações promete continuar ecoando — agora sob outra bandeira, mas com a mesma essência.
(*) Geraldo Perelo é jornalista, criador e editor-chefe do GPBaixadanews















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