Sambódromo do Rio de Janeiro se transforma nesta terça-feira (17) em um grande território de memória, fé identidade cultural
Entre espiritualidade africana, fundamentos do samba, revolução cultural pernambucana e homenagem a uma das maiores mentes do Carnaval, a Sapucaí reafirma sua vocação: ser palco da memória coletiva brasileira, onde passado e presente desfilam lado a lado sob o brilho das luzes e o som das baterias.

A terça-feira (17) de Carnaval promete transformar a passarela da Rua Marquês de Sapucaí, no Sambódromo do Rio de Janeiro, em um grande território de memória, fé e identidade cultural. Quatro escolas atravessam o Atlântico simbólico que une África e Brasil, revisitanto raízes ancestrais, a história do samba e movimentos culturais que redefiniram a música brasileira.
Abrindo a noite, às 22h, o Paraíso do Tuiuti apresenta o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, uma imersão na tradição religiosa afro-cubana da santería, de matriz iorubá. O desfile propõe um percurso espiritual que parte da criação do mundo segundo a cosmologia iorubá, passa pela cidade sagrada de Ifé — considerada o berço da humanidade nessa tradição — e desemboca nas conexões culturais entre Cuba e Brasil.
Sob a assinatura do carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola aposta em um espetáculo de forte carga simbólica, exaltando os orixás, a oralidade e os caminhos de resistência preservados pela fé afro-diaspórica. A Tuiuti promete uma abertura solene e ritualística, com alegorias que traduzem o universo mítico do Ifá para a estética grandiosa da Sapucaí.
Às 23h30, a Unidos de Vila Isabel leva para a avenida “Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África”, homenagem a Heitor dos Prazeres, um dos pioneiros do samba urbano carioca. A escola azul e branca mergulha nas origens africanas do gênero, resgatando a trajetória de Heitor como compositor, artista plástico e personagem fundamental na consolidação do samba como expressão cultural das camadas populares do Rio.
O desfile, desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, deve unir música, artes visuais e memória histórica, reforçando o papel do samba como patrimônio vivo e herança afro-brasileira.
Na sequência, à 1h, a Acadêmicos do Grande Rio apresenta “A Nação do Mangue”, trazendo para o centro da Sapucaí o movimento Manguebeat, surgido em Pernambuco nos anos 1990. Liderado por Chico Science e pela banda Nação Zumbi, o Manguebeat misturou maracatu, rock, hip-hop e música eletrônica, propondo uma revolução estética e social a partir da lama simbólica dos manguezais recifenses.
A tricolor de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, aposta em um desfile pulsante, urbano e contemporâneo, conectando tradição e modernidade, periferia e inovação cultural.
Encerrando a noite, às 2h30, o Acadêmicos do Salgueiro presta tributo à genialidade de Rosa Magalhães com o enredo “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau”.
Reconhecida pela erudição, inventividade e rigor estético, Rosa construiu desfiles memoráveis e acumulou títulos no sambódromo. O Salgueiro promete um espetáculo lúdico e sofisticado, revisitando o imaginário criativo da carnavalesca que marcou gerações com narrativas históricas, literárias e fantásticas.
Os desfiles desta noite
- 22h – Paraíso do Tuiuti
- 23h30 – Unidos de Vila Isabel
- 1h – Acadêmicos do Grande Rio
- 2h30 – Acadêmicos do Salgueiro
Entre espiritualidade africana, fundamentos do samba, revolução cultural pernambucana e homenagem a uma das maiores mentes do Carnaval, a Sapucaí reafirma sua vocação: ser palco da memória coletiva brasileira, onde passado e presente desfilam lado a lado sob o brilho das luzes e o som das baterias.















Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.