Japeri inicia construção da primeira maternidade pública da história com investimento superior a R$ 100 milhões
A unidade será a primeira maternidade do município e também a primeira do Novo PAC Seleções a sair do papel, colocando Japeri no centro de uma política nacional de fortalecimento da atenção à saúde da mulher.

(*) Por Geraldo Perelo
Japeri viveu, nesta quarta-feira (28), um dos momentos mais simbólicos de seus quase 35 anos de emancipação. A assinatura da ordem de início das obras da primeira maternidade pública do município, realizada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pela prefeita Fernanda Ontiveros, representa uma virada histórica na saúde pública de uma das cidades mais carentes da Baixada Fluminense e do Estado do Rio de Janeiro. A unidade será a primeira maternidade do município e também a primeira do Novo PAC Seleções a sair do papel, colocando Japeri no centro de uma política nacional de fortalecimento da atenção à saúde da mulher.

Ministro Padilha ao lado da prefeita Fernanda Ontiveros: virada histórica na saúde
O investimento, que ultrapassa R$ 100 milhões, vai muito além da construção de um prédio. Ele simboliza dignidade, acesso a direitos básicos e o fim de uma longa peregrinação enfrentada por gestantes obrigadas, por décadas, a buscar atendimento em outros municípios para dar à luz. Em uma região historicamente marcada por desigualdades sociais, déficit de equipamentos públicos e baixos indicadores socioeconômicos, a maternidade surge como um marco de justiça social e de reparação histórica.
inclusão, pertencimento e esperança
A cerimônia, realizada no Paço Municipal, reuniu cerca de duas mil pessoas e foi marcada por forte emoção. A apresentação do coral Vozes da Inclusão, da APAE, que entoou os hinos Nacional e da Cidade, deu o tom simbólico do evento: inclusão, pertencimento e esperança. Para a prefeita Fernanda Ontiveros (PT), a obra representa o cumprimento de uma das principais promessas de campanha e carrega um significado pessoal profundo, ligado à memória de seu pai, Carlos Ontiveros, o primeiro médico da cidade e responsável pelo nascimento de muitos japerienses.

O coral Vozes da Inclusão, da APAE, deu o tom festivo e simbólico do evento
“Somos a única cidade da Região Sudeste contemplada que conseguiu avançar até a fase de projetos, execução e licitação. É um orgulho enorme não só representar o Rio de Janeiro, mas entregar ao nosso povo uma maternidade pública. Isso não tem preço”, afirmou a prefeita, visivelmente emocionada.
O ministro Alexandre Padilha destacou que a atenção à saúde das mulheres deve ser prioridade absoluta das políticas públicas e ressaltou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a garantia dos recursos necessários para a conclusão da obra. Segundo ele, a maternidade será construída, equipada e colocada em funcionamento pleno, sem risco de interrupção, por se tratar de um serviço essencial.
“Essa obra representa tudo aquilo em que acreditamos: o fortalecimento do SUS, o cuidado com a vida e a redução das desigualdades regionais”, afirmou.
A presença da Caixa Econômica Federal, representada pela gerente executiva Ana Denise Coimbra, reforçou a solidez institucional do projeto.
“Nada é feito sozinho. Tudo é construído a muitas mãos. Este é um projeto que faz a diferença na vida das pessoas”, destacou.
O evento contou ainda com a presença dos deputados federais Jandira Feghali, Reimont, Benedita da Silva, além de Celso Pansera, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), vereadores, autoridades municipais e lideranças políticas, evidenciando o peso político e institucional da conquista.
Emoção, memória e identidade
Um dos momentos mais comoventes da cerimônia foi o discurso da secretária municipal de Educação, Caroline Ontiveros, que relembrou a trajetória do pai, o médico Carlos Ontiveros. Em lágrimas, ela destacou que nasceu pelas mãos dele, assim como milhares de outros japerienses. “Meu pai enxergava pessoas antes de enxergar estruturas. Ele cuidou de mães, famílias e de uma cidade que precisava de atenção desde o começo da vida”, disse.
Durante anos, a casa de saúde da família Ontiveros foi o principal local de nascimento em Japeri. Com o tempo, a ausência de uma maternidade pública obrigou gestantes a se deslocarem para cidades vizinhas, um drama silencioso que atravessou gerações. A nova maternidade resgata esse direito básico e devolve às mulheres de Japeri a possibilidade de gerar e dar à luz em seu próprio território.
Um sonho coletivo que começa a se concretizar

A cerimônia, em Japeri, reuniu cerca de duas mil pessoas e foi marcada por forte emoção
Para a população, o início das obras representa a realização de um sonho antigo. Moradora do Centro de Engenheiro Pedreira, Eduarda Ribeiro relembrou a insegurança vivida ao precisar sair da cidade para ter seu filho. “Foi cansativo, angustiante. Saber que outras mulheres não vão mais passar por isso é emocionante”, contou.
O sentimento é compartilhado por Igor Nascimento, de 44 anos, que vê na maternidade um símbolo de pertencimento. “Meus quatro filhos não nasceram em Japeri porque não existia essa estrutura. Pensar que meus netos vão nascer aqui, sendo japerienses desde o primeiro dia, toca o coração”, afirmou.

Equipe de apoio do governo municipal em momento de festa pela saúde do município
Mais do que uma obra física, a maternidade pública de Japeri representa um divisor de águas. Em um município marcado por carências históricas, o equipamento de saúde sinaliza um novo tempo: o de uma cidade que começa a garantir direitos, fortalecer o SUS e assegurar que a vida possa começar com dignidade, cuidado e pertencimento.
- (*) Com Secom Japeri
- Fotos: Secom Japeri
Matéria atualizada















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