Operação contra chefão do Comando Vermelho (CV) termina com sete mortos e desencadeia onda de terror no Rio Comprido

Operação contra chefão do Comando Vermelho (CV) termina com sete mortos e desencadeia onda de terror no Rio Comprido

Considerado um dos traficantes mais antigos em atividade no estado, Jiló era foragido há anos e acumulava pelo menos oito mandados de prisão por crimes como tráfico de drogas, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal

A morte de um dos criminosos mais antigos e procurados do Rio de Janeiro provocou uma manhã de caos, violência e paralisação na Região Central da cidade. Cláudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), foi morto durante uma operação da Polícia Militar no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, nesta quarta-feira (18).

A ação, conduzida pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), contou com 151 policiais, 14 viaturas e dois blindados. Houve intensa troca de tiros logo nas primeiras horas do dia. Além de Jiló, outros seis suspeitos também morreram.

Ônibus foram sequestrados, atravessados nas vias e usados como barricadas, enquanto um coletivo foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin


Considerado um dos traficantes mais antigos em atividade no estado, Jiló era foragido há anos e acumulava pelo menos oito mandados de prisão por crimes como tráfico de drogas, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal. Ao longo da trajetória criminosa, somava 135 passagens pela polícia. Investigadores apontam que ele comandava o tráfico no Morro dos Prazeres e teria ordenado ataques contra bases policiais e roubos na Zona Sul.

O criminoso também foi apontado como um dos envolvidos na morte do turista italiano Roberto Bardella, em 2016, assassinado após entrar por engano na comunidade durante uma viagem de motocicleta pela América do Sul.

Retaliação e cidade sitiada

Pouco depois da confirmação da morte do traficante, criminosos iniciaram uma série de ataques em represália. Ônibus foram sequestrados, atravessados nas vias e usados como barricadas, enquanto um coletivo foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin — um dos principais acessos ao Túnel Rebouças, que liga o Centro à Zona Sul.

Coletivo incendiado na Paulo de Frontin

Por volta das 11h, a pista no sentido Lagoa estava interditada. Mais cedo, por volta das 10h, outros veículos já haviam sido posicionados para bloquear ruas da região. Comerciantes fecharam as portas após ordens impostas por traficantes, deixando o bairro praticamente paralisado.

Segundo o Centro de Operações Rio (COR), houve interdições intermitentes na Rua Itapiru, no Catumbi, e nas ruas Barão de Petrópolis, Estrela e na própria Avenida Paulo de Frontin.

Diversos ônibus tiveram as chaves retiradas e foram abandonados atravessados nas pistas. Entre os coletivos afetados estavam linhas importantes que ligam o Centro à Zona Norte e à Zona Sul, como Saens Peña x Gávea, Rio Comprido x Castelo, Central x Leblon e Silvestre x Largo do Machado. Ao todo, ao menos dez linhas sofreram alterações ou interrupções.

Impacto na mobilidade e no cotidiano

A violência afetou diretamente o transporte público, o comércio e a rotina de milhares de moradores. Linhas de ônibus tiveram itinerários modificados, passageiros ficaram sem alternativas de deslocamento e motoristas enfrentaram longos congestionamentos.

O clima na região foi de medo e incerteza durante toda a manhã, com moradores relatando rajadas de tiros e fumaça visível à distância. A ação policial fazia parte de uma ofensiva mais ampla contra integrantes do Comando Vermelho que atuam na região da Lapa e do Centro, onde também foram expedidos dezenas de mandados de prisão contra membros da facção.

Entre os alvos está Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, outro nome de peso do tráfico que segue foragido.

A operação evidencia mais uma vez como a queda de lideranças do crime organizado costuma desencadear reações violentas imediatas, transformando áreas inteiras da cidade em zonas de confronto e deixando a população refém da guerra entre facções e forças de segurança.

Fotos: Reprodução/TV

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