Nilópolis devolve dignidade à Saúde Pública e vira referência na Baixada Fluminense

Nilópolis devolve dignidade à Saúde Pública e vira referência na Baixada Fluminense

Localizado na Rua Zezinho, no Centro do município, o prédio do hospital JK, que custou R$ 32 milhões para ser reerguido e reequipado, conta agora com cinco pavimentos e 102 leitos, oferecendo atendimento de emergência e urgência, inclusive com pediatria adulto e infantil, centro cirúrgico e obstétrico, centro de parto normal, berçário, clínica geral e quartos de pré-parto, parto e pós-parto

Por Geraldo Perelo

Líder na Baixada Fluminense em qualidade de vida, e apontado como o 2º entre os 92 municípios do Estado com melhor serviço de Atenção Básica, Nilópolis voltou a enxergar o futuro da Saúde Pública com esperança concreta.

A cidade acaba de abrir as portas do CTI do Hospital e Maternidade Municipal Juscelino Kubitscheck (JK) para prestar atendimento especializado, contínuo e ininterrupto a pacientes em estado crítico ou com alto risco de descompensação clínica, oferecendo também cuidados especializados a quem se submente a procedimentos cirúrgicos de grande porte, complexos ou de alto risco. 

Fechado e demolido em 2013, o JK foi reinaugurado e reestruturado pelo prefeito Abraão David Neto, o Abraãozinho, no dia 21 de agosto de 2024, data do 77º aniversário da cidade. E desde 21 de janeiro deste ano, o hospital municipal passou a realizar cirurgias eletivas de hérnia, vesícula, vasectomia, laqueadura e histerectomia, entre outros procedimentos, representando menos sofrimento e mais dignidade à população.

Até janeiro, 189.421 atendimentos

A cidade acaba de abrir as portas do CTI do Hospital Juscelino Kubitscheck (JK)

Até o último dia 29 de janeiro, o JK já contabilizava 189.421 atendimentos na Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia/Obstetrícia e Ortopedia. Foram 3.219 acolhimentos para cirurgias (917), internações clínicas (2.302), partos normais (467), partos cesáreos (462), além de outras intervenções cirurgicas e ginecológicas (392).

Entre os atendimentos de urgência e emergência, apenas 109.936 deles (58%) foram voltados para pacientes nilopolitanos. No mesmo período, o JK atendeu a 38.979 mesquitenses, 20.676 meritienses, 13.663 cariocas, 3.692 iguaçuanos e 2.476 moradores de outras regiões do estado, totalizando 49% de demanda de moradores de outros municípios.

Toda essa sinfonia tem a regência do jovem médico e secretário municipal de Saúde, André Esteves, de 36 anos, um visionário, dedicado e comprometido com a causa pública, que mantém o ritmo da saúde do município em tom maior.

Na sua avaliação, o JK deixou de cuidar somente da população local para se tornar por questões geográficas um hospital regional. Essa situação, segundo ainda o secretário, pode colocar Nilópolis como referência em gestão de saúde na região.

— Mas, pensando no (custo) financeiro, não é tão bom assim, porque não temos a contrapartida de recursos vindo para custear esse tipo de atendimento. Acaba, que a gente custeia e complementa esses recursos com dinheiro próprio. Até porque, todo paciente de emergência é porta-aberta (sem restrição); a gente não pode recusar, mas também não cobra — explica.

Secretário André: o seu maior desafio foi reconstruir a Saúde Pública municipal

André esteves lembra que ao assumir a Secretaria, o seu maior desafio era reconstruir o setor da Saúde Municipal de Nilópolis. “Estávamos na 91ª posição entre os 92 municípios fluminenses no ranking da Atenção Básica. Não tínhamos informatização, era tudo no papel. Hoje, somos o segundo melhor município do estado nesse tipo de atendimento”, festeja.

— Diante deste quadro, nosso primeiro passo foi fortalecer a Atenção Primária. Saímos de 22 equipes estratégicas da Saúde da Família para 39. Hoje, o município conta com cem por cento de cobertura. Montamos ainda 11 equipes da Saúde Bucal, reformamos o Centro Especializado de Odontologia (CEO). Ou seja, primeiro, organizamos a parte da Atenção Básica e dos Postos de Saúde e agora estamos fazendo o link entre a Atenção Básica e o Hospital Municipal, com o atendimento de emergência e urgência, focando sobretudo na Média e Alta Complexidade – relata o secretário, lembrando que nesse meio tempo, conseguiu também implantar o Centro de Imagem, que oferece diagnóstico de saúde de qualidade à população e a Policlínica da Mulher, que funcionam na Avenida Mirandela.

Reaberto em agosto de 2024, o hospital JK já fez 189 mil atendimentos

Localizado na Rua Zezinho, no Centro de Nilópolis, o prédio do hospital JK, que custou R$ 32 milhões para ser erguido e equipado, conta agora com cinco pavimentos e 102 leitos, oferecendo atendimento de emergência e urgência, inclusive com pediatria adulto e infantil, centro cirúrgico e obstétrico, centro de parto normal, berçário, clínica geral e quartos de pré-parto, parto e pós-parto. Dispõe ainda de setor de Raio-x, farmácia, laboratório, unidade transfusional e central de material de esterilização, além das salas verde, amarela e vermelha.

— A reconstrução do hospital Juscelino Kubitschek é também um símbolo de reconstrução da cidade de Nilópolis. É um projeto que o ex-prefeito Farid Abrão e o deputado federal Simão Sessim (falecidos) sonharam e lutaram para entregar à população. Para a cidade, eu diria, é um sonho que volta a tornar realidade. Ter a maternidade de volta, ter um atendimento qualificado – outro sonho dos nilopolitanos – é muito importante. Temos que agradecer o esforço do prefeito Abraãozinho e dos deputados Rafael Nobre (estadual) e Ricardo Abrão (federal). Eles conseguiram juntos aos governos estadual e federal o aumento do repasse de recursos para atendimento da média e alta complexidade e outros serviços que estão sendo oferecidos pela prefeitura de Nilópolis —explicou André esteves, agradecendo também ao govenador Cláudio Castro, “grande parceiro” na ajuda com o mobiliário e recursos para a conclusão das obras do hospital”.

Ainda de acordo com André Esteves, o governo do estado disponibiliza mensalmente R$ 5,6 milhões para o custeio do JK. “É um grupo de trabalho que se esforça diariamente para manter o hospital de pé. Eu diria que o estado é hoje um grande parceiro do município”, reconhece o secretário, um valenciano radicado em Nilópolis, cidade que o adotou com mulher e filho, faz seis anos.

O município também foi contemplado com o aumento do teto financeiro para o atendimento de Média e Alta Complexidade no JK, no valor de R$ 25 milhões/ano, pouco mais de R$ 2 milhões/mês. “Com esse recurso, a gente habilitou as cirurgias. Temos também a promessa do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de aumento desse valor para que a gente possa colocar serviços novos para a Saúde no município”, anuncia o secretário, que teve passagem pelo Hospital Estadual de Traumatologia e Ortopedia Vereador Melchiades Calazans (HTO Baixada) e as UPAs de Seropédica e do bairro Botafogo, em Nova Iguaçu.

Redução da fila de espera

O próximo passo da Secretaria de Saúde de Nilópolis é trabalhar com foco na redução de até 40%/50%, em um prazo de seis a oito meses, da fila de espera do paciente que aguarda há muito tempo pelo Serviço Estadual de Regulação (SER) ou do Sistema Nacional de Regulação (SISREG), do Ministério da Saúde, sobretudo para alguns tipos de cirurgia.

— Com os novos serviços que a Saúde Municipal está começando a ofertar no JK, o nosso paciente vai passar a receber um tratamento ainda mais humanizado e mais perto de casa. Às vezes, o morador de Nilópolis não tem dinheiro para ir a um hospital no Rio ou em outro lugar. Esse deslocamento gera custo. Mas queremos fazer tudo com seriedade e planejamento para que nada saia errado — pondera o secretário.

André Esteves projeta como meta, para o mês de fevereiro, realizar pelo menos 100 cirurgias de vasectomia, 40 laqueaduras, 30 hérnias e dez vesículas por vídeo. “Para toda gestante que possui planejamento familiar, nós realizamos a laqueadura”, anunciou o secretário, informando que esse tipo de atendimento está sendo feito para parto normal e cesárea. Dentro em breve, Nilópolis vai disponibilizar também cateteres e fístulas a pacientes que fazem hemodiálise. “Com isso, o nosso paciente não precisará mais sair da cidade em busca desse tipo de atendimento”, explica.

Centro de Imagem oferece diagnóstico de saúde de qualidade à população nilopolitana

CTI de ponta e tomógrafo

Com as novas ofertas de serviços, o Hospital JK acaba de ganhar dez leitos de CTI de ponta, um deles para isolamento respiratório voltado a paciente com sintomas de tuberculose ou outra doença que necessite de cuidado maior.

— Com o CTI a gente consegue qualificar o atendimento através de equipe multidisciplinar, oferecendo um tratamento melhor sem o paciente precisar sair do município. Outra boa notícia é a chegada do tomógrafo para a obtenção de diagnóstico e tratamento mais rápido do paciente, que ganha também mais qualidade de vida — anunciou o secretário, lembrando que muitos municípios da Baixada Fluminense não dispõem do Centro de Tratamento Intensivo e de Centros Cirúrgicos.

André Esteves lembra ainda que Nilópolis também deu um passo à frente, na saúde, com a implantação do Centro de Imagem, onde o paciente dispõe de serviços de ultrassonografia, ecodoppler, eletro, Raio-x, densitometria e mamografia.

— Isso reduz em cerca de 40% a 50% a nossa fila de espera. Além do mais, todas as unidades têm a senha de acesso ao Serviço Estadual de Regulação. Com isso, a gente consegue dar uma qualidade no atendimento, embora não seja ainda o que de fato esperamos, porque a demanda ainda é muito grande. Hoje, temos em média 10 mil atendimentos para Média e Alta Complexidade, com cardiologista e Ortopedista. E tudo isso gera demanda de exames complementares. Ou seja, é uma fila que nunca tem fim — lamenta o secretário de Saúde.

Endoscopia e Colonoscopia

O município também fornece vagas de ressonância, através de convênio com a rede privada. Já o JK disponibiliza serviços de endoscopia e colonoscopia. “A nossa meta é chegar a 160 endoscopias e 100 colonoscopias/mês”, diz André Esteves, para quem a oferta deverá reduzir a fila de espera entre 40% e 45%.

Para o secretário, a luta agora é para melhorar ainda mais os indicadores da Atenção Básica de Saúde, investir cada vez mais em melhor atendimento no JK e na UPA, avançar com oferta de serviços no Centro de Imagem, inaugurar a Clínica veterinária no bairro Frigorífico e, por fim, implantar no Distrito de Olinda o Centro Especializado de Reabilitação (CER), com atendimento na fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia.

— É nossa ideia também colocar a causa do autismo no CER, com todo o tipo de atendimento para essa especialidade. Já temos o espaço, o custo, a planta da obra e R$ 3,5 milhões em caixa. No entanto, todo o projeto, incluindo equipamentos, mobiliário e tudo mais está orçado em R$ 7 milhões. Estamos correndo atrás desta diferença para iniciarmos, ainda este ano, mais esse equipamento de saúde — anunciou.

Unificação do Prontuário

A Secretaria de Saúde também corre atrás, agora, para a conclusão do projeto de Unificação do Prontuário dos pacientes. Segundo André Esteves, com o novo equipamento digital o município passa a centralizar os dados clínicos – exames, históricos, prescrições – do paciente, de várias fontes, em um único registro. A medida facilita o compartilhamento entre as unidades de saúde.

— Com o programa, a gente vai conseguir ver o paciente em tempo real e dar mais celeridade e embasamento para o médico. Com isso, o paciente terá o seu histórico de atendimento disponibilizado para toda a rede de saúde do município. E, além de facilitar o atendimento, também diminui custos — explica André Esteves, lembrando que a Secretaria de saúde já dispõe do aplicativo eSUS Feedback, que serve para organizar informações da Atenção Primária à Saúde (APS), criando um prontuário eletrônico que facilita a gestão de dados e o acompanhamento do paciente.

 — A população já enxerga esse atendimento, principalmente os novos serviços ofertados. Mas temos que manter os pés no chão, trabalhar diuturnamente, porque na saúde todo dia tem um novo problema. Por isso, a gente pede a nossa equipe de trabalho que tenha carinho e humanidade com os pacientes e tente resolver as demandas — conclui o secretário André Esteves.

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde