Justiça manda soltar vereador Salvino Oliveira e aponta falta de provas em caso ligado ao Comando Vermelho
A decisão foi assinada pelo desembargador Marcus Henrique Basílio, que considerou insuficientes os elementos apresentados pela investigação para manter o parlamentar preso. Segundo o magistrado, o suposto vínculo do vereador com a organização criminosa se apoia principalmente em uma conversa entre terceiros registrada há mais de um ano, sem prova concreta de participação direta

O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi colocado em liberdade na tarde desta sexta-feira (13) após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogar sua prisão temporária, decretada durante uma operação contra a estrutura nacional do Comando Vermelho. Ele estava detido na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da capital.
A decisão foi assinada pelo desembargador Marcus Henrique Basílio, que considerou insuficientes os elementos apresentados pela investigação para manter o parlamentar preso. Segundo o magistrado, o suposto vínculo do vereador com a organização criminosa se apoia principalmente em uma conversa entre terceiros registrada há mais de um ano, sem prova concreta de participação direta.
Ao deixar o presídio, Salvino afirmou que sempre sustentou sua inocência e classificou a prisão como uma grande injustiça. O vereador também disse que pretende cobrar responsabilização dos envolvidos na investigação.
Apesar da soltura, a Justiça determinou medidas cautelares: o parlamentar não poderá se ausentar do Estado do Rio por mais de 15 dias sem autorização judicial e está proibido de manter contato com outros investigados.
A prisão provocou forte repercussão política e acirrou o confronto entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL). Enquanto Castro afirmou nas redes sociais que o vereador seria um elo da facção dentro da prefeitura, Paes reagiu defendendo seu aliado e criticando o que chamou de tentativa de atingir seu governo por meio de pessoas próximas.
Salvino foi um dos sete presos na Operação Contenção Red Legacy, que investiga a atuação do grupo criminoso e possíveis interferências políticas em áreas dominadas pelo tráfico para consolidação de bases eleitorais. Entre as suspeitas está a de que ele teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, controlada pela facção.
Contudo, a própria decisão judicial ressalta que não há registro de comunicação direta entre o vereador e o criminoso — apenas diálogos de terceiros mencionando seu nome. O caso segue sob investigação.
Imagem: Reprodução/TV Globo















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