Ministério da Igualdade Racial pede informações sobre a morte de Horus no Morro Santa Amaro
Mônica Guimarães disse que, mesmo ferido, seu filho foi arrastado escada abaixo no Morro pelos policiais da operação
O Ministério da Igualdade Racial enviou ofício ao governador Cláudio Castro cobrando resposta sobre a ocorrência que vitimou o jovem Herus Guimarães Mendes na madrugada deste sábado (7) no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro.
A ministra Anielle Franco solicitou informações que esclareça a motivação da operação, se houve comunicação prévia com o Ministério Público estadual, quais protocolos foram seguidos, quais medidas serão tomadas para reparar as famílias e que medidas serão tomadas para conter o aumento das mortes por intervenção policial no estado.
O corpo Herus, balado com tiro de fuzil na barriga, durante operação do Bope, quando participava de uma festa junina comunitária, foi enterrado ontem à tarde no Cemitério de São João Batista.
Na manhã desta segunda-feira, a mãe do jovem, Mônica Guimarães Mendes, fez um relato emocionada, ao vivo, no programa Encontro com Patrícia Poeta, da TV Globo. Ela contou que mesmo depois de ferido os policiais arrastaram o corpo do filho escada abaixo.
— Estavam todos vestidos para dançar. Será que a Polícia não viu isso? Não acredito que eles não viram as fantasias brilhando. Meu filho foi alvejado na barriga, caiu em frente à padaria do campo e o policial arrastou o meu filho pela escada e gritou que meu filho era vigia (do tráfico) — denunciou.
Informações dão conta de que médicos do hospital para onde Herus foi levado, conseguiram retirar um projetil do corpo da vítima, que será usado para confronto de balística pela Polícia Técnica Científica.
Secretário da PM: Bope não seguiu os protocolos
O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, se pronunciou na manhã desta segunda-feira, no RJTV1, admitindo que o Batalhão de Operações Especiais não seguiu os protocolos estabelecidos pela corporação. Entre os requisitos da polícia, estariam a avaliação de risco, o impacto que operação pode provocar na comunidade, o princípio da oportunidade – quando é avaliado o contexto, dia e horário para a execução da operação – e a preservação de vidas.


Mônica: “Arrastaram meu filho escada abaixo”. Coronel Menezes: “Não observaram os protocolos”
— Os responsáveis pela operação não observaram os protocolos e procedimentos operacionais da corporação. Por conta disso, nós decidimos afastar os oficiais e todos os policiais envolvidos, das ruas, para que haja lisura nas investigações — anunciou o secretário da PM.
O governador Cláudio Castro, que disse em nota oficial neste domingo estar “triste e indignado” com o fato, exonerou o comandante de Bope, coronel Aristheu Lopes, e o coronel André Luiz de Souza, do Comando de Operações Especiais (COE). Doze policiais também foram afastados do serviço ostensivo.
Os policiais envolvidos já foram ouvidos na Corregedoria-Geral da PM e pelo Ministério Público. Eles também tiveram suas armas e câmeras de monitoramento corporal recolhido s para a perícia e estão sendo investigados pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
No sábado, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) expediu ofícios aos comandos das secretarias de Estado de Polícia Militar e de Polícia Civil solicitando medidas para garantir a apuração dos fatos relacionados à operação policial realizada na Comunidade Santo Amaro, no Catete, nesta sexta-feira (06), que resultou na morte de um jovem.
À Polícia Militar foi requisitada a preservação das imagens das câmeras corporais utilizadas na ação. À Corregedoria da PM, o Ministério Público pediu esclarecimentos sobre os objetivos, procedimentos e impactos da operação, além do envio de todo o material coletado, incluindo registros audiovisuais. Já à Polícia Civil, foi solicitado o acesso de peritos do MPRJ ao Instituto Médico-Legal para acompanhar os exames de necropsia da vítima.
Em Nota Oficial, o Ministério Público manifesta também profundo pesar pelos acontecimentos registrados na noite desta sexta-feira, durante ação policial na Comunidade do Santo Amaro, no Catete.
“Neste momento de dor, o MPRJ solidariza-se com os familiares das vítimas, com os feridos e toda a comunidade. O MPRJ destaca o seu comprometimento com a independência, a apuração dos fatos e com o exercício do controle externo da atividade policial. Para tanto, acompanha o caso desde os primeiros momentos, a fim de buscar as providências cabíveis e responsabilização de quem de direito”, diz a nota.
Fotos: Reprodução TV















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