O samba perde Bira Presidente, fundador do Cacique de Ramos e Fundo de Quintal

O samba perde Bira Presidente, fundador do Cacique de Ramos e Fundo de Quintal

Fundador do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, um das agremia-ções mais tradicionais do Rio de Janeiro, e do grupo Fundo de Quintal, Ubi-rajara Félix do Nascimento, Bira Presidente, de 88 anos, morreu na noite deste sábado (14) de complicações de um câncer de próstata.

Bira Presidente foi um dos fundadores do Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, uma das agremiações mais tradicionais do Carnaval

Fundador do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, uma das agremiações mais tradicionais do Rio de Janeiro, e do grupo Fundo de Quintal, Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, de 88 anos, morreu na noite deste sábado (14) de complicações de um câncer de próstata. O artista estava internado no Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, Zona Oeste carioca.

Em nota conjunta, divulgada na manhã deste domingo, Cacique de Ramos e Fundo de Quintal informaram com profundo pesar a morte do sambista, lembrando que Bira Presidente “construiu uma trajetória marcada pela firmeza, pela ética e pela contribuição inestimável ao samba e à cultura popular brasileira.

Conhecido por sua simpatia e generosidade, o ex-servidor público, também um das maiores lendas do samba, será lembrado pelos grandes sucessos do grupo Fundo de Quintal, como Lucidez, Nosso Grito, O tem que continuar, a Amizade e Do fundo do nosso quintal.

“Sua atuação no Cacique de Ramos moldou o bloco e o samba, o Doce Refúgio se tornou um espaço de referência cultural. No Fundo de Quintal, foi o ponto de partida de uma linguagem que redefiniu a roda de samba e inspirou gerações”, diz a nota.

Para a escola Império Serrano, que também se manifestou pelas redes sociais, Bira foi uma das grandes referências do samba, responsável por abrir caminhos e revelar talentos que marcaram gerações.

“Além da genialidade musical e do carisma que o consagraram, Bira carregava uma relação especial com o Império Serrano. Nascido em 23 de março, mesma data de fundação da nossa escola, ele nunca escondeu o orgulho de compartilhar o aniversário com o Reizinho. Em 2023, durante a produção visual do enredo “Lugares de Arlindo”, concedeu um depoimento emocionado, deixando registrada essa conexão em forma de carinho e história.

Nos despedimos com gratidão por sua trajetória e legado imenso. À família, amigos e admiradores, nosso abraço fraterno e solidariedade. O samba perde um pilar, mas Bira seguirá vivo em cada coração”, diz a nota da agremiação verde e branco de Madureira.

Filho de uma mãe de santo e de um serralheiro, Bira Presidente foi um dos fundadores, em 1961, do Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, uma das agremiações mais tradicionais do Carnaval do Rio de Janeiro, berço de talentos da Música Popular Brasileira, como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Jorge Aragão e Arlindo Cruz, entre outros nomes do samba.

Por anos, o Cacique de Ramos, que reinava absoluto no Carnaval, foi o grande rival do Bloco Bafo da Onça, bloco mais velho, cinco anos, e com o qual seus integrantes se confrontavam nos desfiles da Avenida Rio Branco nos dias de Carnaval. Foi o Bira quem selou a paz entre as duas agremiações  

Foi ao lado do pai, Domingos Félix do Nascimento, no subúrbio carioca de Ramos, que Bira começou a se envolver com a MPB, época em que passou a frequentar show com Pixinguinha, entre outros nomes populares da época.

Percussionista, cantor e compositor, Bira foi também fundador do grupo Fundo de Quintal, criado em 1967, cujo nome teve como origem na participação do show ‘Samba é no fundo de quintal’, exibido no Teatro Opinião. O artista foi considerado um grande responsável por transformar as rodas de samba em um movimento musical que revolucionou o samba tradicional. Nos anos 1970, o Cacique de Ramos passa a incorporar novos instrumentos, a exemplo do tantã, o repique de mão e o banjo, que passa a dar nova sonoridade ao que hoje é considerado samba de raiz.

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