Primeira mulher intérprete do carnaval do Rio e puxadora do samba-enredo pela Beija-Flor recebe prêmio da Assembleia Legislativa (Alerj)

Primeira mulher intérprete do carnaval do Rio e puxadora do samba-enredo pela Beija-Flor recebe prêmio da Assembleia Legislativa (Alerj)

Jéssica Martin, a voz que fez história no Carnaval deste, fez a Beija-Flor reinventar o espetáculo e consagrar um novo tempo na Sapucaí

(*) Por Geraldo Perelo

Na passarela mais icônica do planeta, onde sonhos desfilam ao som do tamborim e da emoção, um momento inédito ecoou para além da Marquês de Sapucaí. A Beija-Flor de Nilópolis, conhecida por transformar cada desfile em um espetáculo arrebatador, mais uma vez surpreendeu o mundo — agora, não apenas com alegorias grandiosas ou enredos impactantes, mas com um marco histórico que ressignifica o próprio carnaval.

A cantora Jéssica Martin, que entrou para a história como a primeira mulher a assumir o posto de intérprete oficial de uma escola de samba do Grupo Especial, ao lado de Nino do Milênio, será homenageada com o Prêmio Dandara pelas mãos da presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, deputada Dani Monteiro (PSOL, em uma bar na Tijuca, Zona Norte da capital, com a presença de lideranças do samba, representantes do movimento negro e mulheres da cultura.

Sua voz potente, carregada de identidade e resistência, não apenas conduziu o samba — ela abriu caminhos. Em um universo tradicionalmente masculino, sua presença representa mais do que conquista: é transformação.

Esse feito ganha ainda mais força a partir do reconhecimento popular. O Prêmio Dandara, concedido pela Aleri, é uma honraria que reconhece mulheres negras que impulsionam mudanças reais na sociedade. Um reconhecimento que ultrapassa o palco e ecoa nas lutas por igualdade, representatividade e valorização da cultura popular.

Escolhida após um processo inovador que mobilizou o público e renovou tradições, Jéssica assumiu o microfone que por décadas pertenceu a Neguinho da Beija-Flor, uma lenda do carnaval carioca, que se aposentou da função, após puxar os desfiles da escola por 50 anos. E não apenas deu continuidade — ela inaugurou um novo capítulo.

Beija-Flor como potência cultural

A Beija-Flor, mais uma vez, prova que não desfila apenas para competir. Desfila para emocionar, provocar, reinventar. A cada ano, a escola reafirma seu papel como potência cultural, capaz de transformar a avenida em palco de revoluções simbólicas.

E quando a bateria rufar e a voz de Jéssica ecoar novamente, não será apenas samba. Será história sendo cantada em tempo real.

(*) Com Agência Brasil



Você pode ter perdido