Nova Iguaçu inaugura museu pioneiro e reposiciona a Baixada Fluminense no mapa da história nacional

Nova Iguaçu inaugura museu pioneiro e reposiciona a Baixada Fluminense no mapa da história nacional

Celebrado como símbolo de pertencimento, memória e reconstrução histórica, o Dia da Baixada Fluminense ganhou um novo significado em Nova Iguaçu. Em um movimento que reposiciona a região no cenário cultural brasileiro, o prefeito Dudu Reina inaugurou o Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI), um projeto pioneiro e único no Estado do Rio de Janeiro

Por Geraldo Perelo

No coração da Baixada Fluminense, um novo capítulo da história começou a ser escrito — não como lembrança do passado, mas como um projeto concreto de futuro. No Dia da Baixada Fluminense, Nova Iguaçu deu um passo ousado e estratégico ao inaugurar o Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI), um equipamento único no Estado do Rio de Janeiro e um dos poucos do gênero em todo o país.

O prefeito Dudu Reina e o secretário Marcus Monteiro descerram a placa de inauguração do museu

A entrega do espaço pelo prefeito Dudu Reina, ao lado de sua vice-prefeita, Roberta Teixeira, e do presidente da Câmara Municipal, vereador Dr. Márcio Guerreiro, vai além de uma inauguração: é a afirmação de uma política pública que coloca a cultura no centro do desenvolvimento. Em um território historicamente invisibilizado, o município assume protagonismo nacional ao transformar memória em oportunidade, identidade em pertencimento e patrimônio em futuro.

Instalado no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassu Velha, berço da Baixada Fluminense, o museu nasce cercado por símbolos vivos da história: a antiga torre da Igreja de Nossa Senhora da Piedade, o Porto de Iguassu, as ruínas da Câmara e Cadeia, a Estrada Real do Comércio — caminho por onde passou o imperador Dom Pedro II — e até um cemitério de pessoas escravizadas. Um território que agora deixa de ser apenas vestígio para se tornar narrativa ativa.

A exposição inaugural, “Raízes Ancestrais – A construção da nação brasileira”, apresenta um percurso que vai dos primeiros hominídeos à formação social do Brasil.


Com investimento de R$ 1,25 milhão por meio da Lei Aldir Blanc e articulação entre os três níveis de governo, o projeto consolida uma virada de chave: cultura como política estruturante. E os resultados já começam a se desenhar.

“O que vocês estão vendo aqui é um projeto único no Brasil, de reconstrução de uma vila colonial”, afirmou o secretário de Cultura, Marcus Monteiro, ao destacar a grandiosidade da iniciativa. “Essa história precisava ser contada para que as pessoas conheçam a pujança e a riqueza de Nova Iguaçu.”

Marcus Monteiro, define o projeto como um divisor de águas. Segundo ele, trata-se de um dos raros museus de arqueologia e etnologia do país — ao lado de instituições ligadas à Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Paraná e Universidade Federal da Bahia — e o único fora do ambiente universitário com essa estrutura e proposta.

A exposição inaugural, “Raízes Ancestrais – A construção da nação brasileira” (foto) apresenta um percurso que vai dos primeiros hominídeos à formação social do Brasil. A mostra inclui peças com mais de 800 mil anos e conta ainda com um espaço dedicado ao acervo do parque, que já possui um conjunto de mais de 200 mil fragmentos arqueológicos encontrados na região, parte deles inédita ao público.

Mais do que um museu local, o MAE-NI se posiciona como um espaço de dimensão universal. “Não é um museu só de Nova Iguaçu. É um museu da humanidade”, reforçou Monteiro, ao explicar que o acervo percorre desde o período paleolítico até a presença dos povos originários e da população africana escravizada, revelando a formação da sociedade brasileira por meio de fragmentos concretos da história.

E são esses fragmentos — mais de 200 peças encontradas nas escavações — que ajudam a contar uma história de potência. Louças europeias, moedas argentinas, objetos de uso cotidiano, cachimbos e cerâmicas revelam uma Vila de Iguassu pulsante, conectada ao mundo e estratégica para o ciclo do café e do ouro. Entre os itens, destaca-se um botão que teria pertencido ao imperador Dom Pedro II, figura histórica que percorreu a região pela antiga Estrada Real do Comércio.

Para o superintendente  de Pesquisas Arqueológicas da Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu, Diogo Borges, o impacto vai além da pesquisa. “A gente segue o processo de democratização do conhecimento, permitindo um diálogo entre sociedade, ciência e patrimônio”, destacou. “Hoje temos a possibilidade de devolver essa história à população.”

Diogo Borges: democratização do conhecimento para o diálogo entre sociedade, a ciência e o patrimônio cultural


Mas é na fala do representante do Governo Federal que o projeto ganha dimensão ainda mais clara de futuro. Ministro interino da Cultura, Márcio Tavares foi direto ao ponto:
“Cultura é oportunidade concreta.”

E detalhou: o museu não será apenas um espaço de visitação, mas um ambiente de transformação social. “Os alunos vão sair da sala de aula para aprender sobre a formação da humanidade, circular por galerias, conhecer gastronomia e investir em um espaço que gera emprego e renda.”

A mensagem é clara — e poderosa.
“Hoje, cultura e economia criativa são as principais geradoras de renda no país para jovens entre 18 e 29 anos. Investir em cultura é investir na transformação e no desenvolvimento do Brasil.”

Representando a ministra Margareth Menezes, o secretário executivo da pasta, Márcio Tavares disse que Investir em cultura é investir na transformação e no desenvolvimento do Brasil


A fala ecoa como um chamado. O MAE-NI não é apenas sobre passado — é sobre futuro, emprego, educação e inclusão.

O próprio prefeito reforçou esse sentimento de pertencimento e visão estratégica. “Nova Iguaçu é a mãe da Baixada Fluminense. A gente precisa saber de onde veio para entender para onde vai. Hoje é um dia de felicidade”, afirmou Dudu Reina.

E o futuro já está em movimento. A prefeitura anunciou a criação de um polo gastronômico e cultural no entorno do parque, com galerias, lojas de artesanato e novos museus, ampliando o potencial turístico da região e integrando cultura e economia criativa.

O MAE-NI surge, assim, como um divisor de águas. Um projeto que rompe estigmas históricos da Baixada Fluminense e reposiciona a região como referência nacional em gestão cultural.

Mais do que preservar o passado, Nova Iguaçu mostra ao Brasil que reconhecer suas raízes é o primeiro passo para construir um futuro mais forte, mais justo e cheio de oportunidades.

A história, agora, não está mais enterrada — está viva, acessível e pronta para transformar gerações.

Fotos; Geraldo Perelo

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