A crise de representação e a falta de proposta


(*) Por Jorge Gama

Estamos diante de uma crise de representação, onde os Poderes da República não conseguem responder aos anseios da sociedade.

Há um clima de incertezas acumuladas em todas as esferas de poder.

Nossa democracia representativa, agora melhor observada pelas redes sociais, segue cada vez mais gerando em seu interior fatos dissonantes cuja intensidade contribui para seu descrédito e o aumento de nossa desesperança.

Não são parágrafos soltos apontando para situações aleatórias próprias da retórica política do nosso período eleitoral. Não trata-se de uma crise institucional aguda que está prestes a se aprofundar podendo transbordar para as ruas.

O que conseguimos enxergar, ainda está longe de ser a realidade do que ocorre nos Poderes constituídos.

No cotidiano da população circula uma taxa de informação bem superior ao que as autoridades imaginam. Os celulares, instrumentos da revolução silenciosa em andamento, revelam os acontecimentos e os capítulos dessa novela sombria que parece não ter um final.

Enumerar o conjunto de fraudes, manobras ou escândalos em andamento no interior do Estado brasileiro seria apenas simplificar uma situação de crise sem um olhar mais reflexivo.

Há uma visão muito mais sombria que podemos observar na vida e no futuro das crianças e dos jovens cujo futuro está baseado numa educação pública precária que irá gerar a falta de oportunidades.

Nos homens ou mulheres adultos(as), nas filas indo ou voltando do trabalho, há um semblante de desesperança e de incertezas sobre o seu próprio futuro e de seus filhos.

Em toda parte, em todos os setores da sociedade, da economia e da população em geral, nota-se um desgaste pela ausência de propostas que possam verdadeiramente mudar o país.

As disputas eleitorais giram em torno de nomes onde uns se defendem de outros que acusam e todos passam longe dos compromissos com a população e com o Brasil.

Há um receio generalizado por parte dos partidos e dos candidatos de apresentar propostas que possam enfrentar uma realidade onde há uma tragédia anunciada, onde os Poderes da República já não atentam para seus limites, onde a Constituição é relativizada, onde a sociedade está insegura, onde a soberania está ameaçada interna e externamente e onde os valores da ética e da razão são consumidos numa sanha diária e incontrolável nos corredores do poder.

Estado e Nação estão cada vez mais distantes.

As vozes estão em seus quadrados políticos, gritando sem parar e sem oferecer um pacto institucional de superação da crise em favor do povo brasileiro.

Nesse ambiente político nada indica que as eleições de 2026 trarão de volta a esperança de um Brasil moralmente justo e politicamente democrático.

Jorge Gama – Advogado e ex-Deputado Federal