
(*) Por Jorge Gama
Ao ocupar interinamente o cargo de Governador do Estado do Rio de Janeiro, por determinação constitucional, na condição de Presidente do Tribunal de Justiça, em razão da renúncia do então governador e da prisão do presidente da Alerj — nomes que prefiro não mencionar —, o desembargador Ricardo Couto optou por agir em favor do nosso Estado.
Mesmo sem dispor de um projeto prévio de governo, como exige a legislação eleitoral, formalidade que, em muitos casos, jamais é efetivamente cumprida após as eleições, o governador interino precisou de poucas horas na cadeira de governador para transformar a caneta, instrumento de trabalho de toda a sua vida, em uma verdadeira vassoura administrativa.
A sequência de exonerações promovidas em sua gestão tem recebido amplo reconhecimento da opinião pública. Quando vêm à tona as nomenclaturas dos cargos e seus respectivos salários, instala-se uma enorme perplexidade entre os contribuintes. Não se trata apenas de uma questão ideológica. A indignação é tão ampla que a atitude do governador interino passa a receber aprovação de diferentes segmentos da sociedade.
Além dos cargos considerados extravagantes e dos elevados salários, chama atenção a quantidade dessas funções. A criatividade da burocracia nesse universo parece não conhecer limites. Nesse cenário, a vassoura tornou-se o símbolo mais visível da nova administração.
Agora, o desembargador-governador avança para outra frente relevante: a renegociação da dívida crônica do Estado junto ao Governo Federal. Trata-se de um passo importante.
Outro movimento ousado é a iniciativa de buscar a desapropriação da área da Refinaria de Manguinhos. Ao enfrentar essa questão, seu governo certamente encontrará entraves judiciais e controvérsias jurídicas, legítimas ou não. Ainda assim, a disposição de enfrentar problemas históricos, especialmente aqueles relacionados à sonegação crônica e à falta de transparência, confere maior relevância à sua passagem pelo governo.
A proposta de desapropriação como instrumento de enfrentamento dessas distorções eleva significativamente o peso político e administrativo de sua interinidade. Já é possível identificar esse período como uma gestão marcada pela austeridade e pela disposição de enfrentar temas que, durante muito tempo, permaneceram intocados.
Vá em frente, Governador!
(*) Jorge Gama é avogado e ex-deputado Federal