
(*) Jorge Gama
O episódio de agressão contra um trabalhador brasileiro, feito por um gerente chinês, amplamente revelado pelas redes sociais, causou certa perplexidade em todos que assistiram às imagens.
O fato ganhou repercussão no exato momento em que a empresa BYD se instala na Bahia, cercada de grande polêmica com a exclusão da mão de obra dos trabalhadores locais. Ao conceder os incentivos para atração da empresa chinesa, o Governo alardeia a geração de empregos para os habitantes locais, gerando expectativas de oportunidades imediatas no imaginário dos moradores locais.
Quando, ao contrário, aparecem milhares de trabalhadores vindos da China e se instalam na localidade em sistema de colônia, afastados do convívio com a população local, surgem as vozes da discordância, apontando a política de exclusão dos brasileiros.
Esses episódios entre nós já aconteceram e foram minimizados com a conhecida Lei dos Dois Terços, que obrigava as empresas estrangeiras a destinar essa proporção mínima aos trabalhadores brasileiros.
Todos esses episódios acontecendo no mesmo momento poderiam ser entendidos como uma nova constante derivada do processo inevitável da globalização. Defendo que são acontecimentos isolados e que merecem uma palavra esclarecedora do Ministério Público e do Ministro do Trabalho.
A voz dessas autoridades, trazendo os esclarecimentos necessários, poderá evitar a politização dos fatos, embora os segmentos de esquerda já estejam colaborando com o silêncio obsequioso.
São culturas diferentes que estão se encontrando e que passarão a conviver no mesmo território, onde os obstáculos terão que ser superados pela ação ativa das autoridades.
As redes sociais estarão sempre presentes para dimensionar os novos passos dessa relação, que ainda não podem ser interpretados em sua real dimensão.
O episódio resultou na paralisação das atividades e em um alerta geral sobre a qualidade das relações empresariais da China com o Brasil. De agora em diante, teremos olhares mais atentos sobre a presença e as atividades chinesas em nosso país.
Os incendiários e os bombeiros devem se preparar para agir diante desse dilema.
(*) Jorge Gama é Advogado e ex-Deputado Federal.