Garotinho x Washington Reis

(*) Por Jorge Gama

Assisti, durante o atual processo eleitoral, a reiterados vídeos do então pré-candidato Garotinho afirmando que Washington Reis seria o seu nome preferido para o Governo do Estado. Essa manifestação de preferência era feita de forma clara e reiterada, caso Reis viesse efetivamente a disputar o cargo.

Superadas essas etapas do processo eleitoral e consolidada a escolha da irmã de Washington Reis como candidata a vice-governadora na chapa de Eduardo Paes, surgiu, finalmente, a candidatura do próprio Garotinho ao Governo do Estado.

O posicionamento anteriormente assumido por Garotinho em favor de Washington Reis constitui um registro político valioso e, como tal, merece ser reconhecido. Na atividade política, os gestos públicos possuem grande significado. Representam sinais de elegância, lealdade e respeito, valores que fortalecem qualquer relação política. Esse crédito Garotinho já conquistou perante a família Reis ou, pelo menos, deveria tê-lo conquistado.

Deixemos, porém, o momento anterior para analisar o cenário atual. As convenções já foram realizadas, as candidaturas estão definidas, as desistências começam a surgir e as campanhas propriamente ditas entram em seu período decisivo. As alianças firmadas obrigam agora os candidatos a apresentar suas propostas, suas metas e seus posicionamentos de maneira clara, em um ambiente implacável dominado pelas redes sociais, onde as antigas possibilidades de edição do passado cedem espaço a uma nova dinâmica de comunicação, imediata e permanente.

Recentemente, assisti e gostei da forma como Garotinho, em um vídeo, dirigiu um aviso público a Washington Reis. Pediu que fossem evitados ataques indiretos à sua candidatura, recordando que sempre o apoiou publicamente. Sem demonstrar qualquer arrependimento e adotando uma postura firme e afirmativa, foi objetivo ao afirmar como pretende reagir caso Washington Reis prossiga, ainda que por intermédio de terceiros, com esse tipo de comportamento.

Garotinho, agora muito mais experiente e seguro, transmitiu uma imagem de firmeza e equilíbrio, sem recorrer ao vitimismo, recurso tão comum no ambiente político contemporâneo.

Diante dessa manifestação, caberá agora à família Reis refletir com serenidade sobre o rumo de suas atitudes nos próximos meses de campanha. Afinal, a disputa eleitoral é um acontecimento passageiro e, exatamente por isso, deve ser conduzida com responsabilidade, equilíbrio e respeito às relações políticas construídas ao longo do tempo. Os mandatos passam, as campanhas terminam e os palanques são desmontados. A preservação da palavra, da lealdade e do respeito mútuo, entretanto, permanece como patrimônio da vida pública e da própria democracia.

(*) Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal