Ex-presidentes tentam salvar o STF

(*) Por Jorge Gama

Num posicionamento inédito, os ex-presidentes do STF se unem para socorrer a Corte, mergulhada numa crise sem precedentes.

Vem de longe o acúmulo de situações embaraçosas: decisões monocráticas conflitantes, muitas vezes politizadas. Tudo isso foi, em camadas, se acumulando até o furacão do Banco Master.

Aos poucos, o formato político adotado para as indicações de ministros foi revelando um modelo de atuação segmentada e uma taxa de decisões politizadas, em que a soma do tempo despendido para resolver as questões geradas no próprio segmento estatal passou de eventual a permanente.

Nessa trajetória, em que o STF passou a servir como Corte Criminal, sua agenda tornou-se quase exclusiva para atender aos clientes com prerrogativa de foro. Esse alargamento jurisdicional foi tão extenso que agora já atingiu seus próprios membros.

Essa trágica realidade tornou-se tão apavorante que acabou mobilizando seus ex-presidentes, que estão somando o melhor de seus esforços e experiência para debelar as consequências do tsunami que sufoca a credibilidade da instituição.

Na terça-feira próxima, dia 15 de setembro de 2026, será uma data historicamente decisiva para o abandono de uma prática autodestrutiva, em direção a um novo momento, em busca da recuperação da credibilidade seriamente abalada.

O anúncio da presença, na primeira fila do Tribunal, de seus ex-dirigentes máximos, por si só, traduz um ato de elevado simbolismo institucional, usado na esperança de uma solução para o impasse.

Nesse momento, se a montanha parir um rato e prevalecer, mais uma vez, a prática do contorcionismo jurídico, a descrença pública ganhará contornos indesejáveis.

O STF tem a grande oportunidade de conquistar, mesmo com danos individuais, a recuperação da credibilidade perante a nação.

(*) Jorge Gama é Advogado e ex-Deputado Federal.