Caminhos para transformar a saúde na Baixada Fluminense

(*) Por Joé Gonçalves Sestello

A Baixada Fluminense enfrenta, há décadas, desafios estruturais na saúde pública que exigem mais do que soluções pontuais: demandam visão sistêmica, integração regional e gestão qualificada. Com crescimento populacional acelerado e alta demanda reprimida, a região convive com superlotação nas emergências, limitações de acesso a serviços especializados e desequilíbrios financeiros em unidades de saúde.

Dados do Ministério da Saúde indicam que grande parte das internações hospitalares no país está relacionada a condições sensíveis à atenção primária, ou seja, poderiam ser evitadas com um cuidado básico mais resolutivo. Esse cenário se reflete na Baixada, onde o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) é um passo essencial para reorganizar o sistema, reduzir filas e melhorar desfechos clínicos.

Nesse contexto, a regionalização do atendimento se apresenta como um caminho necessário. Organizar a rede de forma integrada entre os municípios, com definição clara de fluxos e responsabilidades, permite otimizar recursos e ampliar o acesso à média e alta complexidade. A expansão de serviços especializados na própria região reduz deslocamentos, tempo de espera e sobrecarga em grandes centros.

Outro eixo fundamental é o investimento em infraestrutura e tecnologia. Modernizar unidades, ampliar número de leitos e incorporar soluções digitais, como prontuários eletrônicos integrados, contribui para uma gestão mais eficiente e para a continuidade do cuidado mais segura. No entanto, infraestrutura sem gestão qualificada não sustenta resultados. É indispensável avançar na profissionalização da gestão pública, com foco em indicadores, transparência e uso racional dos recursos.

Além disso, soluções específicas voltadas ao acesso precisam ser priorizadas. Programas de atendimento domiciliar, telemedicina e parcerias público-privadas podem ampliar a cobertura assistencial e levar cuidado a populações mais vulneráveis. A experiência da saúde suplementar mostra que modelos integrados e centrados no paciente geram melhores resultados clínicos e econômicos.

Superar os desafios históricos da Baixada Fluminense exige cooperação entre os setores público e privado, planejamento de longo prazo e compromisso com a eficiência. Não há solução única, mas há caminhos possíveis e necessários para construir um sistema mais equilibrado, acessível e sustentável.

A transformação da saúde na região passa, sobretudo, pela capacidade de alinhar gestão, assistência e estratégia. É esse o desafio e também a oportunidade de promover uma mudança estrutural que beneficie toda a população.

(*) Joé Sestello é Médico, angiologista, cirurgião vascular e endovascular, e diretor-presidente da Unimed Nova Iguaçu