Rio decreta luto oficial pela morte de Noca da Portela, ícone histórico do samba carioca
A homenagem foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Município, reconhecendo a importância do artista para a cultura popular brasileira e para o Carnaval carioca.

O Rio de Janeiro amanheceu mais silencioso neste domingo (17) com a despedida de um dos maiores nomes da história do samba. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, decretou luto oficial de três dias pela morte do compositor e sambista Noca da Portela, que faleceu aos 93 anos. A homenagem foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Município, reconhecendo a importância do artista para a cultura popular brasileira e para o Carnaval carioca.
Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, Osvaldo Alves Pereira construiu no Rio de Janeiro uma trajetória marcada pela dedicação ao samba e à cultura. Ainda jovem, mergulhou nos estudos de violão e teoria musical pela Ordem dos Músicos do Brasil, iniciando uma caminhada que o transformaria em referência nacional do gênero. Décadas depois, se tornaria uma das vozes mais respeitadas da histórica Portela.
A ligação com a azul e branco de Madureira começou nos anos 1960, levado por Paulinho da Viola. Na escola, Noca escreveu capítulos inesquecíveis da história do Carnaval. Foram sete vitórias em disputas de samba-enredo, marca que o colocou entre os maiores compositores da agremiação. Entre as obras eternizadas estão “Recordar é Viver”, “Gosto que me Enrosco”, “Os Olhos da Noite” e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal”.
Legado artístico
O sambista também deixou sua assinatura em clássicos gravados por grandes nomes da música brasileira. Canções como “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho, ajudaram a consolidar seu legado artístico. Noca integrou ainda o tradicional Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo, além de compor sambas marcantes como “Portela Querida”, defendido por Elza Soares.
Internado desde o dia 30 de abril em um hospital de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, Noca enfrentava um quadro de infecção urinária que evoluiu para pneumonia. Desde 10 de maio, permanecia no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Durante a internação, recebeu visitas constantes da família, especialmente dos netos, que cantavam músicas da coletânea “Flores em Vida”, lançada em homenagem ao compositor.
O velório será aberto ao público na quadra da Portela, nesta terça-feira (19), das 8h às 14h. Noca da Portela deixa dois filhos, sete netos e três bisnetos, além de um legado imortal que seguirá ecoando nas rodas de samba, nas avenidas e no coração do povo carioca.















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