Laudos de alimentos impulsionam capacitação da Vigilância Sanitária do estado do Rio de Janeiro

Laudos de alimentos impulsionam capacitação da Vigilância Sanitária do estado do Rio de Janeiro

Programa estadual reforça atuação dos municípios após identificar irregularidades em produtos como leite UHT, queijo e sorvetes, entre outros

A cada quatro alimentos analisados no estado do Rio de Janeiro, pelo menos um apresentou algum tipo de irregularidade em 2025. O dado, que acendeu um alerta nas autoridades de saúde, levou a Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) a reforçar a atuação junto aos municípios das regiões da Baixada Litorânea e Metropolitana II, com foco na melhoria da qualidade dos produtos consumidos pela população.

Com esse objetivo, a Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa)/SES-RJ realizou, nesta terça (14) e quarta-feira (5), em Cabo Frio, uma capacitação voltada aos fiscais sanitários municipais, dentro do Programa de Monitoramento da Qualidade Sanitária dos Alimentos. A iniciativa faz parte de uma agenda contínua do programa, realizada periodicamente para alinhamento com os municípios, e marca a primeira rodada regionalizada do ciclo de 2026 do programa.

A Suvisa)/SES-RJ realizou, em Cabo Frio, capacitação voltada aos fiscais sanitários municipais,

A ação surge em um contexto preocupante, já que em 2025 foram emitidos 996 laudos pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ), dos quais 259 (26%) apresentaram resultados insatisfatórios. Entre os produtos com maior incidência de problemas estão o leite UHT, o queijo minas e os gelados comestíveis, como sorvetes.

Um dos focos centrais desta edição foi justamente atuar sobre os produtos que apresentaram maior risco no ciclo anterior.

Problemas no leite UHT e queijo

“Identificamos problemas importantes, principalmente no leite UHT, no queijo minas e nos gelados comestíveis, como os sorvetes. No caso do leite UHT, por exemplo, encontramos crescimento de microrganismos que não deveriam estar presentes, considerando o tipo de processamento pelo qual esse produto passa. Isso acende um alerta importante para a vigilância sanitária”, destacou a diretora da Divisão de Alimentos da Suvisa, Alessandra Torres. 

A proposta da capacitação, de acordo com a especialista, é aproximar ainda mais o programa dos municípios, facilitando a adesão e promovendo a troca de experiências entre as equipes. “A cada ciclo, nós temos mudanças, pois novos alimentos são pactuados, ou seja, passam a integrar o monitoramento. Assim, novas análises são incorporadas.”, explicou a diretora.

A capacitação também incluiu atividades práticas voltadas ao cotidiano dos fiscais, com estudos de caso, simulando situações do dia a dia. Além disso, foram apresentados documentos como o Termo de Apreensão de Amostras, o Termo de Notificação de Resultado de Produto e o Auto de Infração, para que os participantes se familiarizassem com os instrumentos utilizados nas inspeções.

Outro ponto incentivado pela SES-RJ é a inclusão de alimentos produzidos localmente e não apenas comercializados, ampliando o alcance das ações e promovendo melhorias na cadeia produtiva regional. Desde a sua institucionalização, o programa tem apresentado avanços significativos, como a ampliação da adesão dos municípios. 

Proteção da saúde da população

A cada quatro alimentos analisados no estado do Rio de Janeiro, pelo menos um apresentou algum tipo de irregularidade em 2025


“De 2021 a 2025, tivemos um aumento de 55 para 76 municípios com suas vigilâncias sanitárias envolvidas e aderindo ao programa. Essa evolução também se reflete na qualidade dos produtos. Quando uma irregularidade é identificada, há retorno ao fabricante e, muitas vezes, na nova coleta, o problema já foi corrigido. Isso demonstra o impacto positivo do programa na proteção da saúde da população”, afirmou a superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller.

À frente do programa, o coordenador de Vigilância Sanitária e Fiscalização de Alimentos, Werner Ewald, complementou ao destacar sobre o caráter estratégico da iniciativa. “Esse trabalho mostra que o programa não é só fiscalizatório, mas também educativo. Ele induz à melhoria da qualidade e fortalece a atuação das vigilâncias sanitárias em todo o estado”, destacou.

A percepção positiva foi compartilhada por representantes das vigilâncias sanitárias municipais presentes no encontro. Para a fiscal sanitária de Rio das Ostras, Clara Amir, o apoio do estado é fundamental para fortalecer a atuação local, especialmente em municípios ainda em processo de estruturação. “O suporte mais próximo faz toda a diferença. Esses encontros ajudam a dar mais segurança, alinhar procedimentos e melhorar o trabalho de fiscalização”, afirmou.

Também de Rio das Ostras, o fiscal Hugo Azevedo destacou a troca de experiências como um dos principais ganhos. “É uma oportunidade de conhecer a realidade de outros municípios, alinhar metodologias e fortalecer o trabalho conjunto. O contato mais direto com o estado contribui para padronizar as ações e dar mais segurança à atuação em campo”, disse.

Já a fiscal Ingrid Sá, de Cabo Frio, ressaltou a importância da capacitação prática. “Com mais orientação, conseguimos atuar com mais segurança e reduzir erros. Isso reflete diretamente na confiança da população em relação aos produtos consumidos”, concluiu.

O evento foi realizado no Sebrae em Cabo Frio, parceiro na promoção do desenvolvimento local. Para o analista regional Ronald Silveira, a iniciativa fortalece a saúde pública e os negócios ao incentivar uma atuação orientadora e educativa. “O monitoramento da qualidade dos alimentos é fundamental para a saúde da população e para o desenvolvimento local”, afirmou

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