Nova fase da Operação Contenção mira finanças do Comando Vermelho e tem prisão na Zona Oeste do Rio

Nova fase da Operação Contenção mira finanças do Comando Vermelho e tem prisão na Zona Oeste do Rio

A ofensiva é resultado de cerca de um ano de investigações, que permitiram mapear com precisão o funcionamento do esquema de lavagem de dinheiro da facção

O Governo do Estado intensificou, nesta quarta-feira (29), mais uma etapa da Operação Contenção no Rio de Janeiro, com foco direto na engrenagem financeira do Comando Vermelho. A ação, coordenada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, mobilizou agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá. Um dos presos, no início da manhã, era Carlos Alexandre Martins da Silva, apontado nas investigações como operador financeiro da facção criminosa.

A ofensiva é resultado de cerca de um ano de investigações, que permitiram mapear com precisão o funcionamento do esquema de lavagem de dinheiro da facção. De acordo com os agentes, o grupo utilizava operadores financeiros para fragmentar valores oriundos do tráfico de drogas, distribuindo recursos por meio de contas de terceiros, além de investir em bens e ocultação patrimonial para dificultar o rastreamento.

Durante as apurações, foram identificadas conversas entre o traficante Carlos Costa Neves, apontado como uma das principais lideranças do grupo, e integrantes de milícia. Os diálogos reforçam a influência de Márcio dos Santos Nepomuceno, considerado figura central do Comando Vermelho, mesmo após décadas no sistema prisional federal.

Mais de 300 presos

A nova fase da operação também mira investigados ligados ao núcleo familiar do traficante, incluindo o rapper Oruam, além de outros suspeitos apontados como participantes do esquema financeiro. Um dos alvos é considerado foragido após sucessivas violações de medidas judiciais.

Segundo a Polícia Civil, a análise de dados telemáticos, financeiros e dispositivos eletrônicos foi fundamental para revelar movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados, evidenciando a origem ilícita dos recursos.

Considerada uma das principais estratégias do governo estadual no combate ao crime organizado, a Operação Contenção já acumula números expressivos desde sua criação: mais de 300 presos, 136 mortos em confrontos, além da apreensão de mais de 470 armas — entre elas, cerca de 190 fuzis — e mais de 51 mil munições.

As investigações seguem em andamento para identificar novos envolvidos, possíveis empresas utilizadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos do esquema criminoso, reforçando o cerco ao poder financeiro da facção.

Imagem: Reprodução/TV Globo

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