Iniciativa do Governo do Rio coloca Pavão-Pavãozinho e Cantagalo na rota do turismo carioca
Parceria entre o programa Cidade Integrada, a Secretaria de Estado de Turismo e o aplicativo Na Favela Turismo promove experiências culturais, gastronômicas e trilhas com vistas para cartões-postais da cidade

O Complexo do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul do Rio, foi incluído no roteiro turístico da cidade. A medida foi possível por meio de uma parceria entre o Governo do Estado e o aplicativo Na Favela Turismo. O tour pelas comunidades reúne visitas aos principais pontos, trilhas com vistas para a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Cristo Redentor e as praias de Copacabana e Ipanema, além da visita ao Museu de Favela, projeto arquitetônico desenvolvido pelo programa Cidade Integrada.

– É sempre importante apresentar propostas que valorizem as comunidades, fomentem o turismo e gerem oportunidades para os moradores dessas regiões – destaca a coordenadora do Programa Cidade Integrada, Ruth Jurberg.
A iniciativa faz parte das ações do programa Cidade Integrada, que reúne projetos voltados para infraestrutura, segurança e desenvolvimento cultural, artístico e social em áreas de vulnerabilidade. A partir de agora, o Pavão-Pavãozinho e Cantagalo passa a integrar o seleto grupo de comunidades aptas a receberem turistas com roteiros acompanhados por guias especializados, que antes incluía apenas a Rocinha e o Vidigal.
Como funciona o tour

Quem deseja fazer um tour pelas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, pode ir até a entrada da comunidade onde há um estande do aplicativo Favela Turismo. No local, um guia cadastrado no App acompanhará o turista no passeio. Além de permitir a identificação de guias da plataforma, o aplicativo assegura ao turista rotas verificadas e monitoradas em tempo real. Uma nova versão do Na Favela Turismo será lançada ainda este mês. O turista passará a ter acesso ao acompanhamento do seu próprio tour em tempo real diretamente pelo aplicativo.
Nas comunidades, além das fotos com visual atrativo, o turista tem a oportunidade de conhecer histórias de moradores e aproveitar a gastronomia local.
– O turismo em comunidades é uma importante ferramenta de transformação social. O conjunto Pavão-Pavãozinho e Cantagalo possui um rico patrimônio histórico. Tenho certeza de que essa integração com um dos principais aplicativos de roteiros turísticos vai gerar bons frutos para a comunidade e proporcionar experiências marcantes aos visitantes – completa Ruth.
A inclusão das comunidades no roteiro turístico vai ampliar a visibilidade de iniciativas culturais e colaborar para fortalecer a economia local.
– Nosso objetivo é valorizar a cultura e o turismo do estado, dentro e fora das comunidades. É inegável a relevância histórica que esses territórios agregam ao desenvolvimento turístico e econômico — frisa o secretário de Estado de Turismo, Lucas Alves.
A Rota do Turismo
Um dos braços culturais dessa integração é o Museu de Favela (MUF), localizado no Edifício Multiuso do Estado. O museu ganhou sede própria após 17 anos de atividades realizadas em espaços cedidos nas comunidades. A construção, realizada pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP-RJ), recebeu mais de R$ 2,6 milhões em investimentos, além dos investimentos de R$ 3 milhões por meio da Light captados via lei de incentivo.
– A ideia do museu nasceu do desejo de mostrar um olhar diferenciado sobre as favelas por meio do turismo. Se queremos projetar algo para fora, o turismo é a ponte. Mas precisávamos de um argumento, e esse argumento é a nossa memória, nossas histórias de superação e a nossa forma de viver — explica Márcia Souza, uma das sócias-fundadoras do espaço.
Ainda de acordo com Márcia, muitos visitantes se surpreendem ao conhecer o MUF:
– Já ouvimos turistas estrangeiros que imaginavam a favela como um lugar triste e ficaram encantados ao ver a felicidade e a luta das pessoas. Não é apenas sobre o clima; é sobre as conquistas e a forma como as pessoas resistem. É um lugar de cultura e de pertencimento – completa Márcia.
Reflexo no empreendedorismo local

Dono e chef do Bar e Restaurante Panelada, Nasi Barbosa ((foto) destaca como o turismo mudou a percepção de segurança e a economia local. Para ele, no que diz respeito à questão econômica, a novidade resultou em um salto enorme para quem vive do comércio local.
– Vejo isso como uma oportunidade para novos empreendedores. O turista vem e percebei todo mundo abraça quem chega – diz o empresário.
No ano passado, Nasi viu o movimento do estabelecimento crescer ainda mais devido à sua participação no Circuito Favela Gourmet, evento de rota gastronômica pioneira no Rio de Janeiro, que destacou restaurantes da Rocinha, Vidigal e Pavão-Pavãozinho/Cantagalo.
Quem também está animado com a chegada de mais turistas é o Mestre Pardal, mototaxista e professor de capoeira no alto do PPG, ele ressalta que a medida gera mais renda e oportunidade de trabalho.

– Alguns turistas, principalmente os estrangeiros, acham curioso o nosso meio de transporte; outros têm medo. Apresentamos a cultura da comunidade e as vistas que temos aqui. Os lugares que eles mais buscam variam muito: alguns só querem ver o visual, mas outros querem saber dos projetos sociais, da cultura e da arte – conta Pardal.
Fotos: Philippe Lima















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