Prefeitura do Rio quer assumir Teatro Villa-Lobos e promete devolver espaço histórico à cena cultural carioca

Prefeitura do Rio quer assumir Teatro Villa-Lobos e promete devolver espaço histórico à cena cultural carioca

A proposta será apresentada ao governador em exercício, Ricardo Couto, e prevê uma união entre os governos municipal, estadual e federal para devolver ao público um dos teatros mais importantes da capital fluminense. A iniciativa reacende a esperança de artistas, produtores e amantes da cultura que acompanham há anos o abandono do imóvel localizado em Copacabana, na Zona Sul

Por Geraldo Perelo

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, anunciou nesta terça-feira (26) que pretende encaminhar ao Governo do Estado uma carta-proposta, em parceria com o Ministério da Cultura, solicitando a transferência do histórico Teatro Villa-Lobos para a administração municipal. O objetivo é viabilizar a recuperação e reabertura do espaço cultural, fechado desde o incêndio que destruiu grande parte da estrutura em 2011.

A proposta será apresentada ao governador em exercício, Ricardo Couto, e prevê uma união entre os governos municipal, estadual e federal para devolver ao público um dos teatros mais importantes da capital fluminense. A iniciativa reacende a esperança de artistas, produtores e amantes da cultura que acompanham há anos o abandono do imóvel localizado em Copacabana, na Zona Sul.

Inaugurado em 1979, na Avenida Princesa Isabel, o teatro recebeu o nome do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, considerado um dos maiores nomes da música brasileira. Durante mais de três décadas, o espaço foi palco de grandes produções nacionais e recebeu artistas consagrados da dramaturgia, da música e do entretenimento.

A estreia do teatro aconteceu com o espetáculo “Pato com Laranja”, estrelado por Paulo Autran e Marília Pêra, marcando o início de uma trajetória de enorme relevância cultural. Ao longo dos anos, o Villa-Lobos recebeu montagens históricas que se tornaram referência no teatro nacional.

Teatro “fadado ao sucesso”

O presidente da Associação de Produtores de Teatro do Rio, Eduardo Barata, chegou a destacar tempos atrás a importância histórica do espaço cultural. Segundo ele, o teatro viveu momentos marcantes da dramaturgia brasileira e ajudou a consolidar grandes produções que permanecem na memória do público até hoje.

O diretor e produtor Cláudio Botelho também já relembrou em entrevista à imprensa espetáculos que comandou no local, como “Gipsy”, “O Despertar da Primavera”, “Bagunça do Teu Coração” e “Chiquinha Gonzaga”. Para ele, o Villa-Lobos sempre foi um teatro “fadado ao sucesso” e precisa voltar a ocupar espaço de destaque na vida cultural carioca.

Desde o incêndio ocorrido em setembro de 2011, o imóvel enfrentava um longo processo de deterioração. Parte do teto desabou, havia vidros quebrados, pichações nas paredes e acúmulo de lixo e entulho. Cercado por tapumes, o prédio chegou virar símbolo do abandono de importantes equipamentos culturais do estado.

Ao longo dos últimos anos, diferentes governos estaduais anunciaram projetos de revitalização para o teatro, mas nenhuma das promessas saiu efetivamente do papel. Nesse período, passaram pelo Palácio Guanabara os governadores Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro.

Agora, a nova articulação entre Prefeitura do Rio e Ministério da Cultura busca abrir um novo capítulo para o Teatro Villa-Lobos. O Governo do Estado informou que iniciou uma limpeza no terreno e que procura parceiros para desenvolver um novo projeto de recuperação do espaço, considerado um patrimônio afetivo da cultura carioca.

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