Greve dos rodoviários entra no segundo dia e mantém o Rio em colapso; audiência no TRT pode definir fim da paralisação
Passageiros enfrentam longas filas, ônibus lotados e corridas por aplicativo mais caras; empresas afirmam que 1.400 coletivos estão circulando

A greve dos rodoviários da cidade do Rio de Janeiro entrou no segundo dia nesta terça-feira (30), mantendo milhares de passageiros em meio ao caos no transporte público. Apesar do aumento do número de ônibus nas ruas em relação ao primeiro dia da paralisação, a frota continua abaixo do mínimo determinado pela Justiça, provocando longas filas, superlotação e atrasos superiores a uma hora em diversos pontos da capital.
Logo nas primeiras horas da manhã, cenas de plataformas lotadas se repetiram em terminais e pontos de ônibus. Muitos trabalhadores desistiram de esperar pelos coletivos e recorreram aos trens urbanos, metrô e barcas, que operaram com esquema especial para absorver parte da demanda. Os serviços de transporte por aplicativo também registraram forte procura, com tarifas dinâmicas elevando significativamente o custo das viagens.

Segundo o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de transporte, cerca de 1.400 ônibus deixaram as garagens nesta terça-feira. O número supera os aproximadamente 900 veículos que circularam no primeiro dia da greve, mas ainda está abaixo dos 1.800 coletivos — o equivalente a 50% da frota — exigidos por determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ).
No corredor do BRT, a MOBI-Rio informou que colocou 361 ônibus articulados em circulação, ampliando em 26% a operação em relação ao dia anterior para reduzir os impactos da paralisação.
Audiência pode encerrar a greve
Uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus começou às 11h desta terça-feira no Tribunal Regional do Trabalho. Após a reunião, a categoria convocou uma assembleia em frente ao tribunal para avaliar o resultado das negociações.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou esperar que as partes consigam chegar a um acordo que permita o encerramento da paralisação.
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial, com piso de R$ 4 mil para motoristas convencionais e R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além do fim da escala de trabalho 6×1, da extinção dos contratos temporários e da ampliação de benefícios.
Justiça determina operação mínima
O TRT considerou a greve legal, mas determinou que pelo menos metade da frota permaneça em circulação durante o movimento. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 50 mil ao sindicato da categoria.
No primeiro dia da paralisação, o Rio Ônibus informou que cerca de 50 veículos foram depredados durante piquetes nas garagens. Nesta terça-feira, porém, não houve registro de novos atos de vandalismo.
Passageiros seguem enfrentando dificuldades

Mesmo com o aumento da frota, usuários continuam relatando espera prolongada e ônibus extremamente lotados. Em São Cristóvão, na Zona Norte, uma fila de cerca de 200 pessoas se formou nas primeiras horas da manhã para embarcar na linha 461 (São Cristóvão x Leblon).
Muitos coletivos passaram pelos pontos sem conseguir parar para embarque devido à superlotação, obrigando trabalhadores a buscar alternativas para chegar aos seus destinos.
O resultado da audiência de conciliação no TRT será decisivo para definir se a greve será encerrada ou continuará nos próximos dias, mantendo os impactos na mobilidade urbana da capital fluminense.
Imagens: Reprodução













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