Greve dos rodoviários provoca caos no Rio, reduz frota de ônibus e registra atos de vandalismo

Greve dos rodoviários provoca caos no Rio, reduz frota de ônibus e registra atos de vandalismo

Paralisação por tempo indeterminado afeta milhares de passageiros; Justiça determinou circulação mínima de 50% da frota, mas empresas afirmam que número de veículos nas ruas ficou abaixo do previsto

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro começou à meia-noite desta segunda-feira (29) provocando transtornos para milhares de passageiros em toda a capital. A paralisação, aprovada em assembleia da categoria, reduziu significativamente a circulação de ônibus municipais e do sistema BRT, causando longas esperas nos pontos, atrasos e dificuldades para quem precisava se deslocar para o trabalho.

Apesar da determinação judicial, o Rio Ônibus informou que cerca de 870 ônibus deixaram as garagens, número inferior aos aproximadamente 1.800 veículos que deveriam estar em operação para atender à exigência da Justiça


Além dos impactos no transporte, o primeiro dia do movimento foi marcado por atos de vandalismo. Segundo o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de transporte coletivo, entre 30 e 40 ônibus foram depredados durante piquetes realizados na madrugada. Em alguns casos, passageiros foram obrigados a desembarcar dos coletivos, e uma pessoa ficou ferida em uma das ocorrências.

Antes mesmo do início da paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permanecesse em circulação durante a greve. A decisão prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Apesar da determinação judicial, o Rio Ônibus informou que cerca de 870 ônibus deixaram as garagens, número inferior aos aproximadamente 1.800 veículos que deveriam estar em operação para atender à exigência da Justiça. O sindicato patronal atribuiu a baixa circulação aos piquetes realizados nas garagens e aos episódios de vandalismo.

Já o Sindicato dos Rodoviários afirmou que encontrou dificuldades para cumprir a liminar porque, segundo a entidade, as empresas não disponibilizaram a escala dos trabalhadores necessária para colocar a frota mínima em operação. A categoria responsabiliza o sindicato patronal pelo impasse.

Muitos passageiros foram surpreendidos pela falta de ônibus nos terminais rodoviários, no Rio de Janeiro

No sistema BRT, administrado pela MOBI-Rio, aproximadamente 68% da frota prevista estava em circulação nas primeiras horas da manhã, mantendo todas as estações abertas. A Prefeitura do Rio orientou a população a utilizar, sempre que possível, meios de transporte sobre trilhos, como metrô, trens e barcas, para reduzir os impactos da paralisação.

Reivindicações da categoria

Os rodoviários reivindicam reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho. Entre as principais demandas estão piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e R$ 5 mil para condutores de veículos articulados, aumento do vale-alimentação para R$ 1 mil, adoção da jornada de trabalho em escala 5×2, contratação dos profissionais do BRT pelo regime da CLT, manutenção do passe livre da categoria, indenização do intervalo de almoço e implantação de planos de saúde e odontológico.

Enquanto não há acordo entre trabalhadores e empresas, a greve segue por tempo indeterminado, mantendo a expectativa de novos transtornos para a população carioca nos próximos dias.

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