Greve dos rodoviários do Rio entra no terceiro dia e audiência termina sem acordo entre empresas e motoristas
Justiça determina circulação de 80% da frota, mas apenas cerca de 1.650 ônibus estavam nas ruas; categoria mantém reivindicações e realiza assembleia para definir os próximos passos

O impasse entre empresários e rodoviários mantém a greve dos ônibus da cidade do Rio de Janeiro pelo terceiro dia consecutivo. A audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) terminou sem acordo entre as empresas e o Sindicato dos Rodoviários, prolongando a paralisação que tem provocado longas filas, atrasos e dificuldades de deslocamento para milhares de passageiros.
Durante a negociação, o sindicato patronal manteve a proposta de reajuste salarial de 4,39%, índice baseado na inflação oficial (IPCA), sem apresentar novos avanços nas negociações. A oferta foi rejeitada pela categoria, que reivindica reajuste de 17%, piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais condutores, vale-alimentação de R$ 1 mil, planos de saúde e odontológico, adoção da jornada de trabalho no sistema 5×2 e pagamento do intervalo para refeição como hora extra.

Audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) terminou sem acordo entre as empresas e o Sindicato dos Rodoviários
Após o encerramento da audiência, os trabalhadores convocaram uma assembleia na sede do sindicato, em Rocha Miranda, na Zona Norte, para avaliar o andamento das negociações e deliberar sobre a continuidade do movimento.
Frota abaixo do mínimo determinado
Na noite de terça-feira, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, atendeu a um pedido da Prefeitura do Rio e determinou que 80% da frota de ônibus circule durante a greve. A decisão elevou o percentual anteriormente fixado em 50%, sob o argumento de que o transporte coletivo é um serviço essencial e que a redução da oferta compromete o direito de ir e vir da população.
O descumprimento da decisão pode gerar multa diária de R$ 100 mil ao Sindicato dos Rodoviários.
Apesar da determinação judicial, o Rio Ônibus informou que, às 7h desta quarta-feira, apenas 1.650 ônibus estavam em circulação, o equivalente a aproximadamente 46% da frota municipal, composta por cerca de 3.600 veículos. Para cumprir a decisão do TST, seriam necessários 2.880 coletivos em operação.
No sistema BRT, entretanto, a operação apresentou desempenho superior. Segundo a MOBI-Rio, entre 6h e 7h circulavam 502 dos 541 ônibus articulados, correspondendo a cerca de 92% da frota prevista para os corredores exclusivos.

O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira, determinou que 80% da frota de ônibus circule durante a greve
Empresas e sindicato trocam acusações
O Rio Ônibus afirmou que as empresas estão preparadas para colocar mais veículos em circulação, mas atribuiu ao Sindicato dos Rodoviários a dificuldade para cumprir a decisão judicial.
Segundo a entidade patronal, o sindicato não teria encaminhado aos motoristas as escalas indicando quais profissionais deveriam trabalhar para garantir a frota mínima determinada pela Justiça. As empresas também fizeram um apelo para que os motoristas retornem às garagens e retomem suas atividades.
Já o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, criticou a decisão do TST, classificando-a como um favorecimento às empresas de ônibus. Apesar das críticas, afirmou que a categoria cumprirá a determinação judicial, ressaltando que “lei é para ser cumprida”.
Ônibus vandalizados
Durante os primeiros dias da paralisação, o Rio Ônibus informou que entre 30 e 40 ônibus foram vandalizados ou depredados em ações registradas durante piquetes nas garagens. As empresas condenaram os atos e defenderam a continuidade das negociações para encerrar o movimento.
Enquanto não há consenso entre patrões e trabalhadores, os passageiros seguem enfrentando dificuldades para chegar ao trabalho e outros compromissos. Trens, metrô e demais modais operam com aumento na demanda para tentar minimizar os impactos da greve na mobilidade da capital fluminense.
Fotos: Reprodução/TV














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