Polícia investiga baile em Vigário Geral com homens armados e suspeita de financiamento do tráfico
Vídeos mostram criminosos exibindo fuzis durante shows de MC Chefin e do grupo Tá na Mente; investigadores apuram quem organizou e custeou o evento realizado em área dominada pelo TCP.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação para apurar a realização de uma festa ocorrida no último sábado (11), em Vigário Geral, na Zona Norte da capital, marcada pela presença de homens fortemente armados em meio ao público. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram criminosos exibindo fuzis durante apresentações musicais, enquanto milhares de pessoas acompanhavam o evento.
Segundo as investigações, a celebração teria sido organizada para marcar os 19 anos de domínio da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) no chamado Complexo de Israel, formado pelas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, onde vivem aproximadamente 134 mil moradores.
Os vídeos registrados durante a festa mostram homens portando armamento de grosso calibre e fazendo disparos para o alto, em cenas que circulam amplamente pelas redes sociais. A Polícia Civil realiza a análise das imagens para identificar os participantes e esclarecer como o evento foi organizado, além de investigar quem financiou toda a estrutura da festa.
Entre as principais linhas de investigação está a possível presença do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido pelos apelidos Peixão, Alvinho ou Arão. Informações levantadas pelos investigadores indicam que o criminoso teria participado da comemoração cercado por integrantes da facção.
Considerado um dos traficantes mais procurados do estado, Peixão é apontado como líder do TCP no Complexo de Israel. Foragido da Justiça, ele possui 20 mandados de prisão em aberto e responde por crimes como tráfico de drogas, homicídios, tortura, ocultação de cadáver, extorsão, porte ilegal de armas, intolerância religiosa e terrorismo. Apesar de acumular dezenas de registros criminais, ele nunca foi preso.
As investigações também apuram a suspeita de que o próprio traficante tenha patrocinado a festa. Entre as atrações anunciadas estavam o rapper MC Chefin e o grupo Tá na Mente, que se apresentaram no palco montado na comunidade.
Questionadas sobre o evento, as forças de segurança foram indagadas se tinham conhecimento prévio da realização da festa, amplamente divulgada nas redes sociais, e se houve monitoramento por parte dos setores de inteligência.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública informou, em nota, que as operações das polícias Civil e Militar são planejadas com base em critérios técnicos e investigativos, priorizando a responsabilização criminal de integrantes de organizações criminosas e a preservação da segurança da população. A Polícia Militar declarou que não tinha conhecimento da realização da festa, enquanto a Polícia Civil não comentou os detalhes da investigação.
Procurado pela imprensa, o grupo Tá na Mente informou que não iria se manifestar sobre o caso. Até a última atualização desta reportagem, os demais artistas que participaram do evento não haviam se pronunciado.
Imagem:Reprodução/TV















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