Via Light: A Nova Rota da Esperança para a Mobilidade da Baixada Fluminense
A iniciativa é fruto da articulação política do deputado estadual Rafael Nobre (União Brasil), que levou ao governador Cláudio Castro e ao presidente do DER, Pedro Henrique Ramos, uma série de reivindicações em defesa da via expressa
Por Geraldo Perelo

Uma das principais artérias viárias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro está passando por transformação que promete mudar o cenário da mobilidade urbana da Baixada Fluminense. A Via Light (RJ-081), oficialmente batizada de Rodovia Carlinhos da Tinguá, começou a ser revitalizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ). Com 13 quilômetros de extensão, a via conecta Nova Iguaçu à Pavuna, na zona norte do Rio, cruzando importantes municípios da Baixada, como Mesquita, Nilópolis e São João de Meriti — áreas densamente povoadas e com alto índice de deslocamentos diários por trabalho e estudo.
Uma via esquecida e abandonada ao tempo
Inaugurada em 1998, durante o governo de Marcello Alencar, a Via Light foi idealizada para ser uma solução moderna de tráfego, margeando as torres de alta tensão da concessionária Light — daí sua nomenclatura popular. Projetada para comportar até 45 mil veículos por dia, a rodovia nunca atingiu sua plena capacidade. Nas últimas duas décadas, sem a devida manutenção e atenção do poder público, a via foi se degradando. Buracos, sinalização precária, pontos escuros e acostamentos tomados por lixo e entulho passaram a fazer parte do cotidiano dos motoristas.
Além disso, as passarelas, que deveriam garantir segurança aos pedestres, tornaram-se pontos vulneráveis à ação de criminosos. O cenário de abandono foi tão grave que o Ministério Público ajuizou ação civil pública exigindo a retomada imediata da manutenção da rodovia, incluindo a limpeza da faixa de domínio, iluminação, drenagem e reparos estruturais.
Nova fase: modernização e dignidade para a população


O cenário de abandono era tão grave que, em 2022, o Ministério Público ajuizou ação civil pública exigindo a retomada imediata da manutenção da rodovia
As obras de revitalização começaram oficialmente em 4 de junho de 2025. A intervenção contempla recapeamento asfáltico, estabilização de encostas, substituição da iluminação por LED, reforma das nove passarelas, implantação de novos pontos de ônibus cobertos e sinalização adequada. São ações que não apenas melhoram a fluidez do tráfego, mas também oferecem mais segurança e conforto para motoristas, pedestres e passageiros do transporte público.
A iniciativa foi fruto da articulação política do deputado estadual Rafael Nobre (União Brasil), que levou ao governador Cláudio Castro e ao presidente do DER, Pedro Henrique Ramos, uma série de reivindicações. “Ter um asfalto novo, seguro e bem estruturado é fundamental para garantir dignidade e mobilidade à população da Baixada”, destacou o parlamentar. Ele reforça que a Via Light é um eixo logístico crucial para milhares de trabalhadores e estudantes da região, e que seu abandono representava não apenas um descaso, mas uma violação do direito de ir e vir com segurança.

Rafael Nobre: “Ter um asfalto novo, seguro e bem estruturado é fundamental para garantir dignidade e mobilidade à população da Baixada”,
Histórico de promessas não cumpridas
A revitalização da Via Light também carrega o peso das frustrações do passado. Em 2010, o então governador Sérgio Cabral anunciou um ambicioso projeto de expansão da via até o bairro de Madureira, com extensão de quase 10 quilômetros em dois trechos. Avaliada em R$ 314 milhões, a proposta previa a ligação com a Avenida Brasil, contemplando bairros como Guadalupe, Acari, Rocha Miranda e Honório Gurgel. Entretanto, a obra foi engavetada por dificuldades com licenciamento ambiental e problemas de desapropriações — mais um capítulo na longa história de promessas não cumpridas que marcaram a relação da Baixada com o poder público.

O então governador Sérgio Cabral anunciou um ambicioso projeto de expansão da via até o bairro de Madureira, mas a a obra foi engavetada por dificuldades com licenciamento ambiental e problemas de desapropriações
Impacto regional e papel estratégico
A Via Light ocupa um papel estratégico no sistema viário do estado do Rio de Janeiro. Sua revitalização representa uma alternativa eficiente à saturada Rodovia Presidente Dutra, historicamente sobrecarregada pelo intenso fluxo de veículos. Com um traçado paralelo à Dutra e cortando áreas centrais dos municípios da Baixada, a via facilita deslocamentos locais e regionais, com potencial para integrar melhor o transporte público e reduzir o tempo de viagem de milhares de pessoas.
Mais do que uma obra viária, a requalificação da Via Light é um marco simbólico de resgate da autoestima de uma população que, por décadas, conviveu com o abandono. “Essa intervenção mostra que o poder público pode, sim, ouvir as demandas das ruas e agir com responsabilidade. É uma resposta concreta à luta de quem vive e trabalha aqui”, declarou Rafael Nobre.
Avanços na infraestrutura rodoviária do estado
A recuperação da Via Light faz parte de um pacote maior de investimentos em infraestrutura rodoviária promovido pelo governo estadual. Segundo o governador Cláudio Castro, o DER-RJ já restaurou mais de 6 mil quilômetros de rodovias e 1,2 mil quilômetros de estradas vicinais em todo o estado, em um esforço para melhorar a logística, a economia regional e a qualidade de vida da população fluminense.
Perspectivas e cobrança social
A revitalização da Via Light reacende a esperança de que a Baixada Fluminense volte a ser tratada com prioridade. No entanto, os moradores seguem atentos: esperam não apenas a conclusão da obra com qualidade, mas também sua manutenção contínua, para que a história de abandono não se repita.
“Não se trata apenas de recapeamento. Trata-se de respeito à população que há décadas pede infraestrutura digna”, conclui um comerciante da região de Éden, em São João de Meriti. “Agora, o desafio é manter a Via Light viva, iluminada e segura para todos.”
Fotos: Geraldo Perelo e reprodução da Internet















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