Dia do Meio Ambiente: Águas do Rio, professores e especialistas iniciam plantio de mil mudas em mangue no Caju e reforçam o ‘pulmão verde’ da Baía de Guanabara

Dia do Meio Ambiente: Águas do Rio, professores e especialistas iniciam plantio de mil mudas em mangue no Caju e reforçam o ‘pulmão verde’ da Baía de Guanabara

Iniciativa liderada pelo biólogo Mário Moscatelli e Águas do Rio já retirou 450 toneladas de lixo do ecossistema e plantou 19,6 mil mudas nativas

Em uma região que durante décadas acumulou lixo, degradação ambiental e perda de vegetação nativa às margens da Baía de Guanabara, o avanço do reflorestamento começa a consolidar uma nova paisagem no Caju, na Zona Portuária do Rio. Nesta quarta-feira (3), professores da rede pública e especialistas participaram do plantio de mil mudas de mangue-vermelho e mangue-branco em uma área em recuperação que ajudará a fortalecer um dos ecossistemas mais importantes do estado para a biodiversidade e o equilíbrio climático. 

O avanço do reflorestamento começa a consolidar uma nova paisagem no Caju, na Zona Portuária do Rio.

Conduzido pela Águas do Rio e pelo biólogo Mário Moscatelli, o projeto Mangue Alegria avança na recuperação de uma área no entorno da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria. A ação marca a expansão da iniciativa, que desde 2023 já contabiliza a retirada de 450 toneladas de resíduos sólidos trazidos pela maré e o plantio de 19,6 mil mudas nativas cultivadas em um berçário mantido dentro da própria unidade.

A expansão dos manguezais é considerada estratégica para a biodiversidade no Rio de Janeiro. A vegetação atua de forma decisiva no combate aos efeitos das mudanças climáticas, com capacidade de sequestrar e armazenar até quatro vezes mais carbono do que outras florestas, além de servir como um grande berçário natural para a reprodução de peixes e crustáceos. O projeto tem a meta de alcançar 8,2 hectares recuperados, o equivalente a oito campos do Maracanã de floresta viva. Até o momento, a iniciativa já alcançou 1 hectare, ou cerca de 10 mil metros quadrados. 

Para Moscatelli, responsável técnico pela condução do plantio e pela recuperação da área, a intervenção comprova a capacidade de regeneração da natureza quando recebe as condições adequadas.

“O objetivo principal do projeto Mangue Alegria é contribuir para a recuperação desse ecossistema, que é absolutamente essencial para a vida marinha e o equilíbrio ambiental da Baía de Guanabara. A resposta da natureza é muito rápida e vigorosa quando assumimos o compromisso de parar de sufocar o ambiente com o acúmulo de plásticos e materiais recicláveis. Pesquisas revelam que o potencial de sequestro de carbono de um hectare de manguezal equivale ao de dez hectares de floresta tropical, além de servir de berçário para diversas espécies. Isso é renovação”, explica o biólogo.

Mário Moscatelli: contribuir para a recuperação do ecossistema é essencial à vida marinha e ao equilíbrio ambiental da Baía de Guanabara


Segundo Caroline Lopes, gerente de Meio Ambiente da Águas do Rio, a entrega consolida a estratégia ambiental da empresa em diferentes frentes. “A revitalização do mangue integra o nosso compromisso mais amplo com a recuperação da Baía de Guanabara. Estamos unindo a engenharia de infraestrutura à capacidade de regeneração da própria natureza para fortalecer um ecossistema essencial à fauna marinha e às comunidades da região”.

Legado nas escolas

Para garantir que essa cultura de preservação crie raízes na sociedade, o plantio desta quarta-feira contou com a participação ativa de 30 professores da rede pública. O grupo faz parte do programa “Esse Rio é Meu”, apoiado pela concessionária e desenvolvido em parceria com a organização Planetapontocom. A iniciativa incentiva estudantes a adotarem e cuidarem dos rios de seus próprios bairros, engajando cerca de 650 mil alunos em 1557 escolas fluminenses.

O contato direto com o solo oferece uma perspectiva transformadora para o ensino de jovens e crianças.

“Vivenciar essa transformação de perto, saindo da teoria e ajudando a plantar uma floresta urbana no meio do Caju, nos dá a oportunidade de levar para a sala de aula um exemplo real de que a recuperação ambiental do Rio de Janeiro é viável, dependendo ativamente da nossa mobilização e do nosso trabalho contínuo”, disse Pedro Vieira, professor de geografia presente na ação.

Sinais de recuperação já são notados

Os resultados já podem ser percebidos por quem acompanha a evolução do Mangue Alegria. Professores que visitaram o local no ano passado relataram o contraste evidente durante a mais recente ação de reflorestamento: trechos que antes eram sufocados pelo acúmulo histórico de resíduos sólidos hoje dão lugar a mudas em pleno desenvolvimento. Com raízes estabilizadas e o retorno de espécies nativas, como caranguejos e aves, a nova paisagem demonstra a rápida regeneração da biodiversidade local impulsionada pelas ações permanentes de limpeza e reflorestamento promovidas pelo projeto.

Para Célia Regina Honorato, professora do Ensino Fundamental, testemunhar essa evolução contínua serve como uma poderosa ferramenta pedagógica.

“Quando estivemos aqui no ano passado, a visão era de extrema degradação. Hoje, ver o mangue crescendo vigoroso onde só havia lixo nos enche de esperança e prova que a regeneração é possível. Levar essa vivência para a sala de aula, apresentando essas imagens reais de antes e depois, é a melhor forma de educar. Queremos mostrar às crianças que o meio ambiente tem salvação com atitudes concretas e que elas são parte fundamental desse processo de recuperação da nossa Baía de Guanabara”, destaca a educadora.

A professora Célia Regime viu uma Baía de Guanabara em estado de extrema degradação no ano passado

Saneamento estrutural e o projeto macro para a Baía

A inauguração desta nova área de mangue integra um movimento muito maior voltado para a revitalização da Baía de Guanabara. O reflorestamento contínuo do ecossistema atua em sintonia com os investimentos em saneamento básico conduzidos pela concessionária do grupo Aegea Saneamento no Rio de Janeiro.

Os resultados dessa transformação já aparecem em escala significativa: diariamente, 133 milhões de litros de esgoto deixam de ser despejados nas águas da baía e recebem tratamento adequado pela Águas do Rio. Esse avanço contribui para melhorias históricas e contínuas nos índices de balneabilidade registrados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em praias como Flamengo, Glória e Ilha de Paquetá.

Esse esforço ganhará ainda mais escala com o investimento de R$ 2,7 bilhões na implantação de coletores de esgoto em tempo seco. As obras já estão em andamento na Ilha do Governador e na Maré, na capital fluminense, e em São Gonçalo, na Região Metropolitana, e serão estendidas ainda este ano para Nilópolis e Nova Iguaçu, beneficiando cerca de 10 milhões de pessoas em 17 cidades da bacia hidrográfica da Baía de Guanabara.