Escola de Nova Iguaçu cria moeda fictícia para ensinar educação financeira aos alunos

Escola de Nova Iguaçu cria moeda fictícia para ensinar educação financeira aos alunos

Projeto “Bufunfa Negros” transforma comportamento, planejamento e consumo consciente em experiências práticas dentro da sala de aula

A educação financeira ganhou uma abordagem diferente e criativa na Escola Municipal Professora Irene da Silva Oliveira, em Nova Iguaçu. Alunos do 7º ano participam do projeto “Bufunfa Negros”, iniciativa que criou uma moeda própria, chamada BN, e um mercado fictício para ensinar, na prática, conceitos como economia, planejamento, investimento e consumo consciente.

A proposta vai além das contas e números. Por meio da dinâmica, os estudantes aprendem que escolhas têm consequências e que responsabilidade, dedicação e boas atitudes também podem gerar resultados positivos.

Cada aluno inicia o ano letivo com 30 BN e pode aumentar ou reduzir esse saldo de acordo com o desempenho escolar e o comportamento no dia a dia. Fazer trabalhos, cumprir tarefas, ajudar colegas, respeitar profissionais da escola, manter boa frequência e conquistar boas notas são atitudes recompensadas com a moeda fictícia.

A escola criou mercado fictício para ensinar, na prática, conceitos como economia, planejamento, investimento e consumo consciente

Por outro lado, faltas não justificadas, saídas sem autorização da sala e comportamentos que prejudicam a convivência escolar podem resultar na perda dos BN.

Com as moedas acumuladas, os estudantes têm duas possibilidades: gastar no Mercadinho BN, criado dentro da escola, ou investir. No espaço fictício, são oferecidos materiais de papelaria, jogos, experiências e objetos tecnológicos que podem ser adquiridos com a moeda criada pelos próprios alunos e professores.

Quem decide guardar os BN também é recompensado. Ao final do bimestre, o valor investido pode dobrar, permitindo que os estudantes compreendam, de maneira prática, conceitos relacionados à poupança e aos investimentos.

Para a secretária municipal de Educação, Virgínia Rocha, o projeto demonstra como o aprendizado pode ultrapassar os limites tradicionais da sala de aula.

Educação financeira

“Aprender educação financeira por meio de um projeto como esse mostra como podemos transformar conteúdos curriculares em experiências importantes para os alunos. Dessa forma, desenvolvemos autonomia, responsabilidade e capacidade de tomar decisões, competências que eles vão levar para toda a vida”, afirmou.

Com as moedas acumuladas, os estudantes têm duas possibilidades: gastar no Mercadinho BN, criado dentro da escola, ou investir

A iniciativa foi idealizada pela professora de Matemática Priscila Negros, que buscou aproximar os conteúdos escolares da realidade vivida pelos estudantes.

Segundo ela, a criação da moeda também carrega um significado cultural. O BN traz o símbolo Sankofa, associado à ancestralidade e à importância de compreender o passado para construir o futuro.

“Entendendo a forma como eles lidavam com o dinheiro, trouxemos essa realidade para a sala de aula e criamos a nossa moeda. Ela também traz o símbolo Sankofa, ligado à ancestralidade e à ideia de compreender de onde viemos para saber onde queremos chegar”, explicou a professora.

Os reflexos da iniciativa já são percebidos dentro e fora da escola. Priscila destaca que houve mudanças significativas no comportamento dos alunos, além de uma aproximação maior entre o aprendizado escolar e o cotidiano das famílias.

“Está sendo melhor do que imaginávamos. Era uma turma que apresentava muitos desafios de comportamento, e percebemos uma melhora muito significativa. Na reunião de responsáveis, os pais contaram que os alunos estão levando esse aprendizado para casa, falando sobre guardar e economizar dinheiro. Tem sido muito positivo, tanto no comportamento e nas notas quanto na relação com a família”, contou.

Dinheiro de brincadeira, decisões para a vida

A experiência também mudou a forma como os estudantes enxergam o dinheiro e as escolhas financeiras. Para Maria Luiza Rios, de 13 anos, o projeto tornou o aprendizado mais próximo da realidade.

No Mercadinho BN, a estudante decidiu não gastar as moedas acumuladas. A opção foi investir para aumentar o saldo no futuro.

“Eu amei aprender. Isso está me ajudando a evoluir mexendo com dinheiro físico. Hoje, no Mercadinho BN, eu não quis comprar nada, pois preferi investir no banco. No final do bimestre, ganho o dobro do que já tinha e posso comprar mais coisas ou investir novamente”, contou.

Com uma moeda de brincadeira (foto), os alunos aprendem lições reais sobre responsabilidade, paciência e planejamento. Mais do que ensinar a guardar dinheiro, o projeto transforma pequenas escolhas do cotidiano em ferramentas para a construção de uma relação mais consciente com o futuro.