HUPE/Uerj oferece tratamento multidisciplinar para pacientes com dores crônicas
Clínica da Dor atende pacientes encaminhados pela rede pública e reúne especialistas para tratar condições como fibromialgia, cefaleia, doenças reumáticas e problemas na coluna

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/Uerj), localizado em Vila Isabel, vem ampliando o cuidado especializado para pessoas que convivem diariamente com dores crônicas. Por meio do Centro Multidisciplinar da Dor, conhecido como Clínica da Dor, a unidade oferece acompanhamento a pacientes com quadros como cefaleia, fibromialgia, artrite reumatoide, doenças reumáticas e problemas na coluna lombar.
O serviço também atende pessoas cuja dor está associada a transtornos como a depressão, adotando uma abordagem que integra diferentes áreas da saúde. O acesso ocorre mediante encaminhamento das Clínicas da Família e unidades de saúde, através dos sistemas de regulação SISREG e SER.
A Clínica da Dor disponibiliza cerca de 100 vagas mensais. Somente entre janeiro e junho deste ano, 390 pacientes com diagnóstico de dor crônica procuraram o setor para o primeiro atendimento.
De acordo com o coordenador do serviço, o médico Nivaldo Ribeiro Villela, professor associado de Neurocirurgia e Dor da Uerj, o trabalho é realizado por uma equipe formada por 18 profissionais de diferentes especialidades.

O grupo reúne médicos especializados no tratamento da dor, psicólogos, psiquiatra, profissionais de enfermagem, fisioterapeutas e educadores físicos, permitindo que cada paciente seja acompanhado de forma individualizada.
Segundo o especialista, a dor passa a ser considerada crônica quando persiste por mais de três meses. Em muitos casos, mesmo sem uma lesão ativa identificada, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser reconhecida como uma doença que exige acompanhamento contínuo.
Estudos apontados pela equipe mostram a dimensão do problema. Uma revisão sistemática publicada em 2023 estima que aproximadamente 35% dos adultos brasileiros convivam com algum tipo de dor crônica. Entre os idosos, esse percentual pode chegar à metade da população.
Outro levantamento, divulgado em 2026, aponta ainda uma relação importante entre dor persistente e saúde mental. Entre pacientes que não conseguem controlar adequadamente o quadro doloroso, 42% apresentam sintomas de depressão, situação que pode comprometer o sono, o humor e a qualidade de vida.
Atendimento reúne diferentes formas de tratamento
Ao chegar à Clínica da Dor, o paciente passa inicialmente por avaliação da equipe de enfermagem e recebe acompanhamento social. Depois, é encaminhado aos médicos especialistas, responsáveis pela definição das estratégias terapêuticas.

O tratamento pode envolver medicamentos e métodos não farmacológicos, incluindo procedimentos minimamente invasivos, infusão de medicamentos para controle da dor e da depressão e técnicas de neuromodulação.
A estrutura do centro conta com uma sala destinada a pequenos procedimentos, onde são realizadas intervenções como infiltrações e bloqueios. Outra tecnologia disponível é a estimulação magnética transcraniana, utilizada como alternativa terapêutica para pacientes com dor crônica e depressão.
Pacientes aprendem a administrar a própria dor
Um dos diferenciais do programa desenvolvido no HUPE é o trabalho de autogerenciamento da dor. Nessa etapa, psicólogos, fisioterapeutas e educadores físicos ajudam os pacientes a desenvolver estratégias para lidar melhor com os impactos da doença no cotidiano.
As atividades são realizadas semanalmente durante sete semanas. Cada encontro tem duas horas de duração, divididas entre orientações psicológicas e atividades práticas conduzidas por profissionais da fisioterapia e educação física.
Os participantes são organizados em grupos de até dez pessoas e recebem orientações baseadas em técnicas da terapia cognitivo-comportamental. Entre os temas abordados estão o controle da ansiedade, exercícios de relaxamento muscular, reorganização dos pensamentos e cuidados com a qualidade do sono.
A proposta também incentiva a retomada de atividades prazerosas e mudanças de hábitos que possam contribuir para uma rotina mais equilibrada.
Recuperação da qualidade de vida
Os resultados do acompanhamento podem ser percebidos na trajetória de pacientes que conviviam há anos com dores incapacitantes. A manicure Rosimere Rodrigues de Araújo enfrentou por mais de duas décadas os efeitos da fibromialgia e chegou a interromper suas atividades profissionais devido à intensidade das dores.
Após iniciar o tratamento no HUPE, passou a perceber melhorias na rotina e na forma de lidar com a doença.
Experiência semelhante vive a cozinheira Cátia Cilene Brasil Braz. Depois de sofrer duas quedas, ela passou a enfrentar dores constantes e dependia de analgésicos que já não apresentavam o efeito esperado. Cerca de dois meses após iniciar o acompanhamento especializado, relata avanços na recuperação e na qualidade de vida.


Ao final das sete semanas de atividades, os pacientes recebem materiais em vídeo com exercícios e conteúdos trabalhados durante os encontros, permitindo a continuidade das práticas em casa.
Depois dessa etapa, retornam à Clínica da Dor para nova avaliação médica e seguem em acompanhamento, conforme as necessidades de cada caso. A proposta é oferecer não apenas o alívio dos sintomas, mas ferramentas para que os pacientes possam recuperar autonomia e aprender a conviver de forma mais saudável com a dor crônica.














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