Cidinha, a você os meus parabéns e meu primeiro voto!

(*) Por Fabrício Amaral

Desde muito novo estive atento à política, principalmente à partidária, aquela que boa parte da população nega discutir, e aos veículos de comunicação, especialmente ao bom e velho rádio AM/FM.

A verdade é que a política sempre esteve no seio familiar e, de forma recorrente, aparecia nas conversas. Às vezes, naquele corriqueiro Vasco x Flamengo, do nós contra eles. Outras, num Botafogo x Vasco, no clássico da amizade, quando a disputa acontecia no campo da própria esquerda: PDT x PT.

Lembro de chegar da escola, aquela pública, que dava direito a um ensino mínimo e a uma refeição, conquistas garantidas por Brizola e seus pares, como Darcy e tantos outros. E, ainda que não fosse um CIEP, ou melhor, um Brizolão, aquela escola pública guardava direitos básicos, conquistados, defendidos e reafirmados por um líder cuja importância eu só viria a compreender anos depois.

Naquele período, passava boa parte do dia com minha saudosa avó, ex-sindicalista, mulher baiana, que ia pra briga para fechar comércio em dia de feriado e defender trabalhador no Calçadão de Nova Iguaçu. A dimensão de tudo aquilo também só fui compreender anos depois.

Bem, ela ligava a TV e, por volta de 13h ou 14h, lá estava Cidinha Campos: soltando os cachorros, metendo o dedo na ferida, firme, direta, sem medo. Uma mulher que, de alguma maneira, lembrava muito a minha avó, que também estava ali a assistir.

Dali em diante, passei a acompanhá-la mais de perto. Buscava nas redes sociais seus conteúdos, seus discursos na ALERJ, como aquele lendário em que falou dos “que mamam”. Cidinha foi pra cima até dos que hoje estão na rua com a estrela no peito, mas que, naqueles tempos, carregavam um “solzinho”.

Entregou a eles coerência e recebeu ataques. Ataques a uma mulher que, àquela época, não encontrou nenhuma outra mulher para defendê-la. Isso eu tenho guardado na lembrança. E talvez seja esse o motivo de tantas reticências…

Mas, diante de todas as convicções que fui construindo, aproximava-se o meu primeiro voto.

Para muitos amigos e colegas adolescentes, era algo inexpressivo, sem sentido. Para mim, não. Eu esperava por aquele momento.

Eu já tinha certeza do meu voto desde que me plantaram uma semente, ou, nesse caso, uma rosa no coração.

Claro, todas minhas lembranças são pouco para resumir toda uma história e grandiosidade de uma mulher que está na história do nosso país e da política fluminense. Talvez esse atual PDT não lembre e nem dê a devida importância, mas isso diz mais sobre eles do que sobre Cidinha. A eles, deixo minhas outras reticências…

Cidinha Campos, hoje, completa 84 gloriosos anos, sendo pioneira em várias frentes: no rádio, na televisão, no esporte, na política e, sobretudo, em plantar ideias e sentimentos em corações.

A história ninguém a apaga. Ela continua a ser escrita por aqueles que se inspiram. E isso, é a certeza de que você sempre volta! Sempre voltará!

Cidinha Campos, a você o meu primeiro voto! E, hoje, os meus parabéns!!

(*) Por Fabrício Amaral é radialista, bacharel em Produção Cultural. Apresenta o programa “Falando de Samba”, na Rádio Tropical 830 AM, onde valoriza a cultura