Inclusão que transforma: EJA de Nova Iguaçu abre caminhos para pessoas com deficiência no mercado de trabalho
Parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e a Granfino mostra, na prática, como educação, acompanhamento e oportunidade podem transformar vidas e ampliar a autonomia profissional

A educação pode ser o primeiro passo para uma transformação que vai muito além da sala de aula. Em Nova Iguaçu, alunos e ex-alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) estão encontrando, por meio do programa Emprego Apoiado, novas possibilidades de inserção no mercado de trabalho e de construção de uma trajetória profissional com mais autonomia e independência.
A iniciativa, desenvolvida em parceria entre a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e a empresa Granfino, cria uma ponte entre a formação escolar e o mundo do trabalho. O projeto é voltado a estudantes com deficiência e oferece acompanhamento individualizado, considerando as necessidades de cada participante e as características das vagas disponibilizadas pela empresa.
Mais do que abrir portas para uma contratação, o programa busca oferecer condições para que os trabalhadores desenvolvam suas habilidades, estabeleçam relações profissionais, conquistem experiência e permaneçam no mercado de trabalho. É uma proposta que reforça a importância de enxergar a pessoa com deficiência não apenas pelas suas limitações, mas principalmente por suas capacidades, potencialidades e sonhos.
“Essa iniciativa demonstra que, com acompanhamento e oportunidades, pessoas com deficiência ocupam diferentes espaços no mercado de trabalho e constroem suas próprias trajetórias profissionais”, destaca a secretária municipal de Educação, Virgínia Rocha.
Histórias mostram a força da oportunidade
A experiência de Luiz Henrique da Costa Pina, de 29 anos, é um exemplo dos resultados que podem ser alcançados quando educação e oportunidade caminham juntas. Ex-aluno da Escola Municipal Amazor Vieira Borges, ele ingressou na Granfino aos 16 anos e, desde então, construiu uma trajetória de 13 anos na empresa, onde atua como auxiliar de empacotamento.
Para Luiz Henrique, conseguir o emprego representou muito mais do que uma oportunidade profissional. A experiência também contribuiu para ampliar sua convivência social, sua comunicação e sua confiança.

“Eu me sinto muito feliz por ter conseguido trabalhar aqui. Foi o meu sonho. Fiz bastante amizade. Ter conseguido essa vaga mudou meu comportamento, meu modo de lidar com as pessoas e de ter uma boa comunicação”, conta.
Hoje, ele também deixa uma mensagem de incentivo para quem ainda busca uma oportunidade: “Não desistam do que planejam exercer, corram atrás e busquem um bom emprego, assim como eu”.
Outro exemplo é Marcos de Oliveira Santos, de 30 anos. Ex-aluno da Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral, ele trabalha há uma década na Granfino como auxiliar de serviços gerais. O emprego representou sua entrada no mercado de trabalho e a possibilidade de construir vínculos e desenvolver uma rotina profissional.
“É um lugar bom, gosto de trabalhar aqui. Meus colegas me tratam bem, me sinto bem e é importante trabalhar aqui”, afirma.
Escola e mercado de trabalho lado a lado
Para a coordenadora da Educação Especial da rede municipal, Natalia Araujo, experiências como essas mostram que a escola é apenas uma etapa de uma trajetória que deve continuar com novas oportunidades de formação, qualificação e trabalho.
“A escola não é o fim da vida dessas pessoas. Existe uma continuidade com o mundo do trabalho e, dentro do Emprego Apoiado, há toda uma perspectiva para dar acessibilidade para que essas pessoas exerçam o ofício para o qual foram selecionadas”, explica.
Segundo ela, um dos principais desafios está justamente em garantir que a inclusão profissional seja efetiva e duradoura. “O maior desafio não é apenas a abertura da vaga, mas a permanência e a continuidade delas dentro do trabalho”, ressalta.
Essa visão amplia o significado da inclusão. Não basta apenas contratar: é necessário criar ambientes acessíveis, oferecer suporte e reconhecer as diferentes formas pelas quais cada profissional pode contribuir.
Parceria que gera resultados
A Granfino também avalia positivamente a experiência. A presidente do Conselho de Administração da empresa, Silvia Coelho Lantimant, destaca que a companhia já desenvolvia ações voltadas à inclusão de pessoas com deficiência e que a aproximação com a rede municipal de ensino permitiu ampliar esse trabalho.

“Estamos há um tempo nessa parceria e ela evoluiu agora com a Secretaria de Educação. Quando a coisa dá certo, a tendência é progredir. É uma evolução natural do caminho”, afirma.
O programa Emprego Apoiado demonstra, assim, que a inclusão pode ser construída por meio de ações concretas e parcerias capazes de aproximar escola, família, empresas e poder público.
As histórias de Luiz Henrique e Marcos mostram que, quando uma oportunidade é acompanhada de suporte e respeito às necessidades de cada pessoa, ela pode representar muito mais do que um emprego. Pode significar independência, autoestima, convivência social, experiência e a possibilidade de construir novos projetos para a vida.
Em Nova Iguaçu, a iniciativa reforça uma mensagem importante: incluir é abrir caminhos para que cada pessoa possa desenvolver seu potencial, conquistar seu espaço e participar plenamente da sociedade.














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