Zema expõe plano econômico e defende anistia no primeiro debate de propostas na Globo

Zema expõe plano econômico e defende anistia no primeiro debate de propostas na Globo

Presidenciável do Novo promete preservar o poder de compra dos aposentados, reduzir juros, avançar com privatizações e rever decisões relacionadas ao 8 de Janeiro

Romeu Zema abriu nesta segunda-feira (24) a rodada de entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência da República. Durante a conversa, o ex-governador de Minas Gerais apresentou propostas para a economia, Previdência, vacinação, privatizações e segurança jurídica, além de detalhar sua posição sobre os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Na área econômica, o candidato do Novo afirmou que pretende assegurar que o salário mínimo acompanhe a inflação. A ideia, segundo Zema, é impedir que aposentados e trabalhadores tenham redução no poder de compra. Ele acrescentou que, em um cenário de crescimento econômico, pretende manter também ganhos acima da inflação.

A redução dos juros aparece como uma das principais prioridades de seu eventual governo. Zema estima que uma taxa próxima de 6% permitiria uma economia anual de aproximadamente R$ 800 bilhões. Para alcançar esse objetivo, defendeu um governo com maior controle das contas públicas, combate a fraudes e corrupção e recuperação da confiança dos investidores.

Contas públicas e experiência em Minas

Ao ser questionado sobre a situação fiscal de Minas Gerais, Zema atribuiu o crescimento da dívida estadual a problemas acumulados desde a década de 1990. O ex-governador afirmou que sua administração não recorreu a novos empréstimos e direcionou recursos para quitar compromissos antigos.

Segundo ele, quando assumiu o estado, havia um déficit de R$ 11 bilhões. Ao final de seu mandato, afirmou ter deixado um resultado positivo de R$ 5 bilhões.

Zema também citou o pagamento de R$ 23 bilhões em benefícios previdenciários atrasados e de R$ 13 bilhões em obrigações com o governo federal. Para o candidato, esses resultados demonstrariam que é possível promover um ajuste fiscal sem ampliar a carga sobre a população.

A vacinação infantil também esteve entre os temas da entrevista. Zema reiterou que não é favorável à obrigatoriedade, mas afirmou que acredita na ciência e que tomou todas as vacinas contra a Covid-19.

O candidato disse que, durante seu governo em Minas, incentivou a imunização de crianças. Ao mesmo tempo, defendeu que o poder público priorize informação e campanhas de conscientização em vez de medidas que, segundo ele, possam resultar em punições às famílias.

O candidato afirmou que pretende assegurar que o salário mínimo acompanhe a inflação

Em um dos momentos de maior destaque político, Zema declarou que pretende conceder anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília.

O presidenciável criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal nos julgamentos e afirmou considerar que houve motivação política em parte das decisões. Para ele, crimes de vandalismo e depredação devem ser responsabilizados, mas os processos deveriam passar por uma instância que classificou como estritamente judicial.

Sobre o sistema eleitoral, Zema afirmou confiar nas urnas eletrônicas. Apesar disso, voltou a defender a possibilidade de impressão do voto como mecanismo adicional de conferência.

A redução da presença estatal na economia permanece como uma das principais bandeiras do candidato. Zema afirmou que pretende levar para o governo federal a estratégia de desestatização que, segundo ele, aplicou em Minas Gerais.

Ao responder sobre a permanência da Cemig sob controle estadual, o ex-governador disse que praticamente todos os demais ativos previstos em sua estratégia foram negociados. Citou participações em empresas e a privatização da Copasa.

Zema atribuiu a valorização das empresas mineiras durante seu governo a uma administração profissional e afirmou que pretende repetir essa política caso chegue ao Palácio do Planalto.

Sobre o sistema eleitoral, Romeu Zema afirmou confiar nas urnas eletrônicas

Previdência sem aumento imediato da idade mínima

O candidato também evitou prometer uma elevação imediata da idade mínima para aposentadoria. Segundo Zema, uma eventual reforma dependeria de fatores como o aumento da expectativa de vida, a formalização do mercado de trabalho e os resultados de seu programa de redução de despesas.

Ele afirmou que pretende aumentar a renda dos brasileiros em vez de ampliar o período de permanência no mercado de trabalho.

Operação Rejeito

Questionado sobre a Operação Rejeito, investigação da Polícia Federal relacionada a suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais em Minas Gerais, Zema defendeu uma apuração rigorosa.

O candidato afirmou que não compactua com os envolvidos e pediu punição para os responsáveis. Também sustentou que estruturas públicas de grande porte podem estar sujeitas à atuação de servidores ou agentes envolvidos em irregularidades, mas que cabe ao Estado investigar e responsabilizar os culpados.

Campanha presidencial

A entrevista de Zema inaugurou a série de conversas da Globo com candidatos à Presidência. O ex-governador tenta consolidar seu nome como uma alternativa ao bolsonarismo dentro do campo da direita e tem defendido a necessidade de união desse espectro político para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (24), Zema aparece com 2% das intenções de voto.

Sua plataforma eleitoral aposta em uma presença menor do Estado na economia, privatizações, mudanças administrativas, revisão de regras trabalhistas e previdenciárias, endurecimento de políticas de segurança e alterações na relação entre os Poderes.

A entrevista também ocorre em um momento de tentativa de Zema de ampliar sua projeção nacional após dois mandatos à frente de Minas Gerais. Ele deixou o governo estadual após ser eleito em 2018 e reconduzido ao cargo em 2022.

Fotos: Reprodução/TV Globo