Augusto Cury propõe taxar bets, cortar ministérios e ampliar uso da inteligência artificial
Em entrevista à Globo, candidato do Avante apresentou propostas para reduzir gastos, aumentar a produtividade e reformular áreas como saúde, educação, segurança e economia

O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, apresentou neste sábado (29) um conjunto de propostas voltadas à redução dos gastos públicos, aumento da arrecadação e modernização da máquina estatal. Em entrevista à Globo, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, o candidato defendeu desde uma tributação maior sobre as empresas de apostas esportivas até a ampliação do uso da inteligência artificial na administração pública.
Um dos principais pontos da entrevista foi a situação da dívida pública brasileira. Cury classificou os números como elevados e afirmou que pretende adotar diferentes estratégias para melhorar as contas do país.

Entre as medidas, propôs aumentar significativamente a tributação das bets. Segundo ele, a arrecadação obtida com as empresas do setor poderia contribuir para reduzir o endividamento público.
“Eu taxaria as bets seriamente”, afirmou o candidato, ao defender uma alíquota superior à atual.
Cury também citou a necessidade de ampliar o número de microempresas no país, realizar auditorias na gestão pública, revisar cargos comissionados e reavaliar contratos governamentais como instrumentos para aumentar a eficiência e combater desperdícios.
Corte de ministérios e novas estruturas
O candidato afirmou ainda que pretende reduzir entre oito e dez ministérios, embora não tenha informado quais pastas seriam extintas. Segundo ele, uma análise criteriosa seria realizada antes de qualquer mudança.
Ao mesmo tempo em que defende cortes na estrutura administrativa, Cury propõe a criação de novas áreas estratégicas. Entre elas estão um Ministério da Segurança Pública e uma estrutura específica voltada à Inteligência Artificial e à Robótica.
Para o candidato, o avanço tecnológico exige uma resposta urgente do poder público.
Cury alertou para os impactos que a inteligência artificial poderá provocar no mercado de trabalho e defendeu políticas capazes de preparar empresas e trabalhadores para uma nova realidade econômica.
Máquina pública digital e responsabilidade fiscal

Ao falar sobre o equilíbrio das contas públicas, Augusto Cury defendeu a digitalização da administração e o uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade sem ampliar o número de servidores.
Segundo ele, a combinação entre modernização tecnológica, revisão de despesas e aumento da arrecadação poderia gerar uma economia significativa para os cofres públicos.
Sobre possíveis mudanças no arcabouço fiscal, o candidato evitou antecipar propostas e afirmou que ainda estuda o tema com especialistas. Para Cury, seria precipitado apresentar alterações sem uma análise aprofundada.
Ele também associou a responsabilidade fiscal à possibilidade de redução da taxa de juros no país.
Salário mínimo e fortalecimento da classe média

Na área econômica, Cury defendeu a reposição da inflação acrescida de ganho real de 1% ao ano para o salário mínimo.
A expectativa apresentada pelo candidato é de alcançar um aumento expressivo do poder de compra ao longo de um eventual mandato.
Segundo ele, o crescimento da renda depende diretamente do controle das contas públicas e da melhoria da produtividade nacional.
Cury afirmou que o fortalecimento da classe média é fundamental para movimentar a economia, estimular o consumo e ampliar a atividade comercial.
Telemedicina no SUS

Na saúde, uma das propostas que mais chamou atenção foi a ampliação do teleatendimento no Sistema Único de Saúde.
Cury defendeu que grande parte das consultas básicas possa ser realizada remotamente, deixando os atendimentos presenciais para casos mais complexos.
O candidato, que é médico, argumentou que o avanço tecnológico pode ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, especialmente em situações de urgência e em regiões com dificuldades de atendimento.
A proposta, no entanto, esbarra nas atuais regras e regulamentações sobre telemedicina no país.
Questionado sobre sua ligação anterior com uma empresa do setor, Cury negou qualquer conflito de interesses e afirmou não manter mais relação societária com a companhia.
Previdência e empreendedorismo

Augusto Cury também descartou a realização de uma nova reforma da Previdência.
Para enfrentar o déficit previdenciário, defendeu o aumento da produtividade e o estímulo ao empreendedorismo como forma de ampliar o número de contribuintes.
O candidato propôs ainda uma reformulação na atuação do BNDES, com uma estrutura específica voltada ao financiamento de micro e pequenas empresas.
A meta, segundo ele, seria estimular a criação e o fortalecimento de milhões de novos negócios em todo o país.
Reforma tributária
Sobre a reforma tributária, Cury demonstrou preocupação principalmente com os impactos das novas regras sobre pequenas empresas.
O candidato citou possíveis dificuldades relacionadas ao fluxo de caixa dos empreendedores com a implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Apesar das críticas, não apresentou mudanças específicas e afirmou que continua discutindo o tema com especialistas da área tributária.
Avaliação de servidores públicos

Outra proposta defendida pelo candidato é a criação de indicadores de desempenho para servidores públicos.
Cury afirmou que os trabalhadores da administração devem ser avaliados a partir de critérios relacionados à qualidade do atendimento, produtividade e eficiência.
Questionado sobre a possibilidade de demissões em caso de baixo desempenho, evitou dar uma resposta direta e afirmou que os servidores deveriam receber treinamento e capacitação.
Tecnologia no combate ao feminicídio
Na segurança pública, Cury apresentou propostas voltadas ao combate à violência contra a mulher.
Entre as ideias estão a utilização de drones e a criação de ferramentas digitais para permitir que vítimas acionem rapidamente as forças policiais.
Segundo o candidato, a tecnologia pode ajudar a reduzir o tempo de resposta das autoridades em situações de risco.
Educação e empreendedorismo
Na área educacional, Augusto Cury negou que pretenda comercializar para a rede pública um método de ensino desenvolvido por ele.
O candidato afirmou que disponibilizaria gratuitamente ferramentas educacionais e defendeu mudanças na forma de atuação dos professores em sala de aula.
Entre as propostas estão o uso de música, teatro, oratória e outras práticas capazes de estimular a participação dos estudantes.
Cury também defendeu a criação de milhares de núcleos de empreendedorismo dentro das próprias escolas públicas, sem a necessidade de construção de novas unidades.
A ideia é capacitar professores e contar com a participação voluntária de profissionais e empreendedores.
Relações internacionais e imagem do Brasil

Ao abordar a política externa, o candidato defendeu o fortalecimento da atuação diplomática e afirmou que o Brasil precisa melhorar sua capacidade de promover sua imagem no exterior.
Cury sugeriu que diplomatas e funcionários das embaixadas sejam preparados também para divulgar produtos, oportunidades e potencialidades brasileiras.
Segundo ele, o país precisa ser melhor apresentado ao mercado internacional, especialmente nos setores ligados ao agronegócio e à produção de alimentos.
Bolsa Família
O candidato também afirmou que pretende preservar o Bolsa Família para beneficiários que consigam emprego formal ou se tornem microempreendedores.
A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia para incentivar a entrada de beneficiários no mercado de trabalho e ampliar a base de contribuintes da Previdência.
Ao longo da entrevista, Augusto Cury buscou apresentar uma candidatura centrada na combinação entre ajuste fiscal, empreendedorismo e inovação tecnológica.
A inteligência artificial apareceu como um dos principais eixos de seu discurso, tanto como ferramenta para modernizar o Estado quanto como desafio para o futuro do emprego e da economia brasileira.
Fotos: Reprodução TV Globo














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