Mangaratiba recebe seminário sobre ancestralidade quilombola, território e sustentabilidade
Projeto Raízes do Amanhã promove encontro no dia 15 de setembro e leva à Costa Verde debates sobre preservação ambiental, memória e saberes tradicionais

Mangaratiba será palco, no próximo dia 15 de setembro, da segunda etapa do Projeto Raízes do Amanhã, iniciativa que percorre as oito regiões do Estado do Rio de Janeiro promovendo debates sobre ancestralidade, cultura e comunidades quilombolas. O encontro será realizado no Colégio Estadual João Paulo II e terá como tema central “Território e Sustentabilidade”.
A programação vai discutir a relação histórica das comunidades quilombolas com seus territórios, destacando a importância da preservação ambiental e dos conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações para o uso consciente e a conservação desses espaços.
Entre os convidados está Ivone de Mattos Bernardo, nascida no Quilombo Maria Conga, em Magé. Assistente social, educadora popular e ativista do movimento quilombola, ela integra a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), onde também coordena o Coletivo dos Griôs, voltado à preservação da memória e da tradição quilombola.

Também participa do seminário Luis Felipe César, diretor-executivo adjunto da OSC Crescente Fértil, organização que desenvolve ações voltadas à restauração de florestas, proteção de nascentes e projetos socioambientais. Mestre em Desenvolvimento Sustentável pela UFRRJ e especialista em Gestão Ambiental de Sistemas Florestais, ele possui experiência na gestão pública ambiental e já presidiu a Agência do Meio Ambiente de Resende e o Comitê de Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba.
O Projeto Raízes do Amanhã é realizado pela ONG Art Cult, em parceria com a Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do Ministério da Cultura e a Associação de Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (ACQUILERJ).
A proposta é valorizar a memória oral, os saberes ancestrais e a contribuição das comunidades quilombolas para a construção da identidade cultural fluminense. A iniciativa é viabilizada por meio de um termo de fomento decorrente de emenda parlamentar do deputado federal Eduardo Bandeira de Mello.
Mangaratiba recebe a segunda etapa do circuito, que teve início em Três Rios, na região Centro-Sul Fluminense. Durante o segundo semestre, o projeto passará pelas oito regiões do estado, levando seminários a instituições públicas de ensino e promovendo Rodas de Conversa diretamente nos territórios quilombolas.
Ao todo, 54 comunidades participam das atividades de diálogo e troca de experiências.
“Não existe comunidade quilombola sem território. É nele que estão a nossa memória, a nossa ancestralidade, os nossos modos de produzir e os conhecimentos transmitidos de geração em geração. Quando falamos de sustentabilidade, precisamos reconhecer que as comunidades quilombolas preservam há séculos formas de viver e de se relacionar com a natureza”, destaca Ivone de Mattos Bernardo.
Além dos encontros presenciais, os seminários terão transmissão pelo YouTube. As gravações e materiais pedagógicos também serão disponibilizados gratuitamente em formato digital. Ao final do circuito, um e-book reunirá conteúdos e registros das atividades realizadas ao longo do projeto.
O encerramento está previsto para acontecer na cidade do Rio de Janeiro, com o Festival Raízes do Amanhã. O evento reunirá seminário, apresentações culturais e uma feira com 54 estandes destinados à exposição e comercialização de produtos das comunidades quilombolas participantes.
A passagem do projeto por Mangaratiba reforça o papel da Costa Verde no debate sobre meio ambiente, preservação territorial e valorização das populações tradicionais, aproximando estudantes e a sociedade dos conhecimentos que fazem parte da história e da cultura do Estado do Rio de Janeiro.














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