Novo oficializa Romeu Zema como candidato à Presidência da República

Novo oficializa Romeu Zema como candidato à Presidência da República

Ex-governador de Minas Gerais promete combate ao crime organizado, reformas no STF, privatizações e afirma que pretende representar uma alternativa à polarização política.

O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República. O anúncio foi realizado em Brasília, após a convenção nacional da legenda, promovida de forma virtual. O partido ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa.

Durante o evento, Zema agradeceu o apoio dos integrantes do Novo e afirmou que reúne as credenciais necessárias para disputar o Palácio do Planalto. Segundo o candidato, sua experiência como gestor público e empresário o diferencia dos demais concorrentes.

Em seu discurso, o ex-governador afirmou que pretende romper com a polarização política no país e disse acreditar que a população busca uma alternativa aos grupos que dominam o cenário nacional. Zema citou sua trajetória em Minas Gerais como exemplo de gestão baseada em eficiência administrativa e responsabilidade fiscal.

Propostas para segurança pública

Entre as principais propostas apresentadas, Zema defendeu uma política mais rígida de combate ao crime organizado. Ele pretende classificar facções criminosas como organizações terroristas, ampliar o enfrentamento às áreas dominadas pelo tráfico e construir um “superpresídio” em uma região isolada do país, preferencialmente na Amazônia, para abrigar líderes de organizações criminosas.

O candidato também afirmou que esses detentos deverão cumprir longos períodos de prisão e criticou o que considera um cenário de impunidade no Brasil.

Mudanças no STF

Na área institucional, Zema voltou a fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu alterações no funcionamento da Corte. Entre as propostas apresentadas estão a criação de idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, adoção de lista tríplice para a escolha dos integrantes do tribunal e o fim das decisões monocráticas em matérias já apreciadas pelo Congresso Nacional.

O ex-governador também prometeu combater privilégios no serviço público e reforçou o discurso de enfrentamento à corrupção, afirmando que pretende manter uma gestão sem favorecimentos políticos.

Economia e privatizações

Na economia, Romeu Zema reiterou a defesa de privatizações e afirmou que o Estado deve concentrar esforços em áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e infraestrutura, deixando atividades empresariais para a iniciativa privada.

O presidenciável também criticou a burocracia, prometeu criar um ambiente mais favorável aos investimentos e disse ser contrário ao modelo de negociação política baseado na troca de cargos e verbas. Segundo ele, o sistema de emendas parlamentares precisa ser revisto.

Vice ainda será definido

Questionado sobre a composição da chapa, Zema informou que o Novo ainda avalia nomes para a vice-presidência e que a decisão será tomada até o prazo previsto pela legislação eleitoral, em 5 de agosto.

Segundo o candidato, o partido busca um nome com ficha limpa e alinhado aos princípios da legenda. Ele confirmou que existem conversas com possíveis aliados de fora do Novo, mas também admitiu a possibilidade de uma chapa formada exclusivamente por filiados.

Nos últimos dias, Zema mencionou o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa como um dos nomes que considera qualificados para o cargo, embora tenha ressaltado que ainda não há qualquer definição.

Trajetória política

Romeu Zema governou Minas Gerais entre 2019 e março de 2026, quando deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Natural de Araxá (MG), tem 61 anos, é empresário e formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ao longo da carreira política, manteve proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem apoiou no segundo turno das eleições de 2022. Nos últimos meses, entretanto, intensificou críticas ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e descartou integrar uma eventual chapa como vice-presidente.

Foto: Reprodução