Rio se despede de Luiz Carlos Barreto em velório aberto ao público no Palácio da Cidade
Produtor, diretor e fotógrafo que marcou a história do cinema brasileiro recebe as últimas homenagens antes da cremação. Prefeitura do Rio decretou luto oficial de três dias.

O cinema brasileiro presta, nesta quinta-feira (23), a última homenagem a Luiz Carlos Barreto, o eterno “Barretão”, um dos maiores produtores da história do audiovisual nacional. O velório acontece no Palácio da Cidade, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, reunindo familiares, amigos, artistas, autoridades e admiradores da trajetória do cineasta, falecido aos 98 anos.
A cerimônia é aberta ao público entre 11h e 14h. Após as homenagens, o corpo será levado ao Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária da capital fluminense, onde será cremado em uma cerimônia reservada exclusivamente à família.
Em reconhecimento à importância de Barretão para a cultura brasileira, a Prefeitura do Rio decretou luto oficial de três dias. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, ele revolucionou a forma de produzir, financiar e distribuir filmes no Brasil, tornando-se um dos principais responsáveis pela consolidação do cinema nacional no cenário internacional.
“O cinema é uma coisa útil”
Sua trajetória começou ao lado do movimento Cinema Novo, participando de obras emblemáticas como Vidas Secas e Terra em Transe. Posteriormente, produziu sucessos que entraram para a história do cinema brasileiro, entre eles Dona Flor e Seus Dois Maridos, um dos maiores recordistas de público do país, além de O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Conhecido por defender o papel transformador da sétima arte, Barretão costumava afirmar: “O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil.” A frase resume a visão de quem dedicou a vida à produção de filmes que ajudaram a contar a história, a cultura e as contradições do Brasil.
Luiz Carlos Barreto estava internado desde a última segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, tratando uma infecção pulmonar provocada por uma pneumonia. Ele morreu na madrugada de quarta-feira (22).
Além do legado artístico, deixa uma família profundamente ligada ao cinema. Era casado havia 71 anos com a produtora Lucy Barreto e pai dos cineastas Bruno Barreto e Paula Barreto. Seu filho Fábio Barreto, também diretor, morreu em 2019, após permanecer dez anos em coma em consequência de um acidente automobilístico. Barretão deixa ainda nove netos, oito bisnetos e uma obra que continuará inspirando gerações de cineastas brasileiros.













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