Polícia Civil mira esquema de roubo de veículos usado para financiar facção no Fallet-Fogueteiro
Operação Contenção cumpre 98 mandados contra integrantes do Comando Vermelho investigados por utilizar carros roubados para fortalecer as atividades criminosas na região central do Rio.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (5), mais uma etapa da Operação Contenção para combater a expansão do Comando Vermelho (CV) na região central da capital. A ofensiva, coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP), tem como foco uma organização criminosa que atua no Complexo do Fallet-Fogueteiro e que, segundo as investigações, passou a utilizar o roubo de veículos como uma das principais fontes de financiamento de suas atividades ilícitas.
Ao todo, os agentes saíram para cumprir 98 mandados de prisão contra integrantes da facção, com apoio de equipes dos Departamentos-Gerais de Polícia da Capital (DGPC), Especializada (DGPE), da Baixada (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Até a atualização mais recente da operação, quatro pessoas haviam sido presas, sendo duas em flagrante. Outros seis alvos já estavam presos por investigações anteriores. O principal procurado, Paulo César Batista Castro, conhecido como Paulinho Fogueteiro, permanecia foragido.

Paulinho Fogueteiro é o principal alvo da operação policial Complexo do Fallet-Fogueteiro
As investigações começaram para apurar a atuação da facção no tráfico de drogas, mas revelaram uma mudança significativa no modelo de atuação do grupo. De acordo com a Polícia Civil, a organização diversificou suas fontes de renda e estruturou um esquema voltado ao roubo de automóveis, que abasteciam desmanches clandestinos, o comércio ilegal de peças e também eram utilizados em outras ações criminosas, formando um ciclo permanente de financiamento da facção.
Segundo o delegado Thiago Neves, responsável pelas investigações, a quadrilha passou a funcionar como uma verdadeira empresa do crime.
“Além do tráfico de drogas, o grupo atua no roubo de veículos, na receptação de cabos furtados e em diversas outras atividades ilícitas. Os automóveis roubados podem ser desmontados para venda de peças, utilizados em invasões de territórios rivais ou devolvidos mediante extorsão a seguradoras e empresas especializadas em recuperação de veículos”, explicou o delegado.
Roubos de veículos

O trabalho de inteligência também identificou um comportamento diferente dos índices de roubo de veículos na capital. Enquanto o Rio de Janeiro registrou queda geral nesse tipo de crime, bairros sob influência da facção apresentaram aumento expressivo das ocorrências.
O levantamento da DRFA apontou crescimento de 58,3% nos roubos de veículos em Santa Teresa, de 17,4% no Centro e de 15% na Tijuca, na comparação entre os períodos de janeiro a julho de 2025 e o mesmo intervalo de 2026.
Para a Polícia Civil, os dados reforçam a ligação entre a expansão territorial do Comando Vermelho e o aumento dos roubos de veículos na região, estratégia utilizada para fortalecer a estrutura financeira e operacional da organização criminosa.
Durante a operação, equipes policiais também registraram outras ocorrências. No Catumbi, um motorista de aplicativo foi rendido por criminosos que tentavam fugir da ação policial, mas acabou sendo libertado sem ferimentos. Já na região da Matinha, os agentes localizaram uma fábrica clandestina de balões e prenderam um suspeito em flagrante.
As ordens judiciais foram expedidas com base em um amplo trabalho de inteligência que envolveu análise de imagens, cruzamento de dados e diversas diligências. As investigações também contam com denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que descreve a existência de uma associação criminosa com divisão de funções, hierarquia definida e controle territorial.
A Operação Contenção faz parte da estratégia do Governo do Estado para impedir o avanço do Comando Vermelho, atingindo sua estrutura financeira, logística e operacional. Segundo a Polícia Civil, desde o início da ofensiva mais de 370 criminosos foram presos, outros 137 morreram em confrontos com as forças de segurança, cerca de 480 armas — entre elas 190 fuzis — e mais de 51 mil munições foram apreendidas, reduzindo significativamente a capacidade de atuação da organização criminosa.
Fotos: Reprodução/TV Globo














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