Polícia amplia ocupação no Complexo de Israel, e criminosos incendeiam caminhões na Avenida Brasil
Segunda fase da operação reúne mais de 200 militares em Vigário Geral e Parada de Lucas, provoca confrontos, interdições e mudanças no transporte público. O Complexo de Israel reúne comunidades como Cordovil, Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau

A Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou, na madrugada desta segunda-feira (24), a segunda fase da operação de ocupação do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. Mais de 200 policiais militares foram mobilizados para atuar nas comunidades de Vigário Geral e Parada de Lucas, áreas controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A ofensiva provocou intensos confrontos, bloqueios em importantes vias expressas e alterações no transporte público.
Os primeiros momentos da operação foram marcados por tiros. Diante da intensidade dos confrontos, a PM determinou, por volta das 2h30, a interdição preventiva da Avenida Brasil, da Linha Vermelha e da Rodovia Washington Luís. O bloqueio durou cerca de 30 minutos, mas os reflexos da operação se estenderam ao longo da manhã.

A situação se agravou novamente por volta das 9h40. Criminosos invadiram a Avenida Brasil, na altura de Coelho Neto, renderam motoristas e incendiaram caminhões. Dois veículos foram atravessados na pista e queimados no local. Um terceiro caminhão também foi atacado na região de Vigário Geral.
Até a última atualização, o sentido Centro da Avenida Brasil permanecia interditado. No sentido contrário, o trânsito era desviado pela calha do BRT. A ocorrência afetou uma das principais ligações entre a Zona Norte, a Zona Oeste e o Centro do Rio, provocando impactos também no sistema de ônibus.
Durante a operação, quatro suspeitos foram presos em uma área de mata. Os policiais apreenderam dois fuzis e uma granada. Até o momento, não havia registro de pessoas feridas em decorrência da ação.
Escolas e unidades de saúde são afetadas
A operação também alterou a rotina dos moradores. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, oito escolas localizadas em Vigário Geral e Parada de Lucas foram afetadas e suspenderam as aulas.
Na área da saúde, duas unidades de Atenção Primária interromperam o atendimento e avaliavam a possibilidade de reabrir ao longo do dia. Outras três permaneceram funcionando, mas suspenderam atividades externas, como as visitas domiciliares.

O impacto chegou ainda ao transporte coletivo. De acordo com o Rio Ônibus, cerca de 20 linhas precisaram alterar seus itinerários para evitar as áreas afetadas pelos confrontos e pelos bloqueios na Avenida Brasil.
Entre as linhas com desvios estão:
- 300 — Sulacap x Candelária
- 369 — Bangu x Candelária
- 378 — Marechal Hermes x Castelo
- 384 — Pavuna x Passeio
- 386 — Anchieta x Candelária
- 388 — Cesarão x Candelária
- 393 — Bangu x Candelária
- 397 — Campo Grande x Candelária
- 399 — Pavuna x Passeio
- 665 — Pavuna x Saens Pena
- SVB665 — Pavuna x Saens Pena
- 753 — Santa Cruz x Coelho Neto
- 756 — Santa Cruz x Coelho Neto
- 757 — Sepetiba x Coelho Neto
- 759 — Cesarão x Coelho Neto
- 770 — Campo Grande x Coelho Neto
- 771 — Campo Grande x Coelho Neto
- 2303 — Cesarão x Castelo
- 2336 — Campo Grande x Castelo
- 2339 — Campo Grande x Castelo

Segunda etapa de uma operação iniciada na sexta-feira
A ofensiva desta segunda-feira é a segunda fase de uma operação iniciada na última sexta-feira (21). Na primeira etapa, os policiais ocuparam as comunidades de Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas.
Durante o avanço das equipes, a PM encontrou barricadas e veículos equipados com explosivos. Segundo a corporação, os artefatos poderiam ser detonados à distância com a aproximação dos agentes, mas não chegaram a ser acionados.
A primeira fase também resultou na recuperação de veículos e na retirada de mais de 10 toneladas de barricadas. A PM informou ainda que três vias bloqueadas por valas foram liberadas para a circulação.
Após a ocupação, a corporação decidiu manter agentes na Cidade Alta e avançar para Parada de Lucas e Vigário Geral. Segundo a PM, a posição topográfica da Cidade Alta poderia favorecer a observação e o controle territorial por grupos criminosos.
Disputa entre facções está entre os alvos
O Complexo de Israel reúne comunidades como Cordovil, Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau. A região é controlada pelo TCP e está inserida em uma área marcada por disputas territoriais com o Comando Vermelho (CV).
De acordo com a Polícia Militar, um dos objetivos da operação é reduzir os confrontos entre grupos criminosos e impedir que disputas por território coloquem moradores em risco. A corporação também aponta como alvo organizações envolvidas em roubos de veículos e cargas que utilizariam a região como base.
A PM informou ainda que a operação busca combater práticas de perseguição e intolerância religiosa contra minorias, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos, com o objetivo de preservar a liberdade religiosa e a segurança da população.
A corporação avalia que os ataques registrados na Avenida Brasil tenham sido uma reação à operação policial e estejam relacionados a criminosos ligados ao chefe do tráfico do Complexo de Israel.
Grande aparato policial

A segunda fase mobiliza unidades especializadas da PM, incluindo agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom), Grupamento Aeromóvel (GAM) e Núcleo de Apoio a Operações Especiais (NAOE).
A estrutura empregada inclui 40 viaturas leves, 15 motocicletas, cinco veículos blindados de transporte de pessoal, uma ambulância do Bope, um Núcleo de Aeronave Remotamente Pilotada e duas aeronaves, sendo uma delas blindada.
A Polícia Militar informou que a ocupação do Complexo de Israel ocorre por tempo indeterminado. A estratégia é manter a presença policial nas áreas já ocupadas e avançar sobre os demais pontos considerados estratégicos para grupos criminosos.
Fotos: Reprodução














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