Operação Argus mira quadrilha ligada ao Comando Vermelho por sequestros de comerciantes na Baixada Fluminense
Polícia Civil prende cinco suspeitos e realiza buscas em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Mesquita; investigação aponta esquema organizado de cativeiros, extorsões e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Argus, que investiga uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho suspeita de sequestrar comerciantes da Baixada Fluminense para extorquir dinheiro e realizar movimentações bancárias fraudulentas.
A ofensiva é conduzida por agentes da 59ª DP (Duque de Caxias) e da Delegacia Antissequestro (DAS). Ao todo, a Justiça autorizou 14 mandados de prisão e mais de 30 mandados de busca e apreensão. As ações acontecem na capital e nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Mesquita, na Baixada Fluminense, além de outros locais, incluindo o Paraná.

As ações acontecem na capital e nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Mesquita, na Baixada
Até o momento, cinco homens foram presos. Entre os principais alvos está Carlos Eduardo Teodoro, conhecido como Arcanjo, apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela chefia do núcleo especializado em sequestros.
Outro investigado, Alex de Oliveira do Nascimento, não foi localizado e é considerado foragido. Segundo a investigação, ele teria ligação com a comunidade Paula Ramos e seu veículo seria utilizado para transportar vítimas das ruas até o cativeiro.
Comerciantes em cativeiros
As investigações começaram em março, depois que um comerciante de Duque de Caxias foi sequestrado e permaneceu aproximadamente oito horas em um cativeiro no Rio Comprido, na Zona Norte da capital.
Durante o período em que ficou sob poder dos criminosos, a vítima foi obrigada a fornecer senhas, códigos de acesso e autorizações para movimentações bancárias. Também foi forçada a enviar um áudio à esposa afirmando que estava tudo bem.
Depois disso, os sequestradores passaram a exigir dinheiro. O comerciante acabou libertado nas proximidades do Morro do Juramento, mas sofreu um prejuízo superior a R$ 500 mil.
Pouco mais de um mês depois, outro comerciante de Duque de Caxias foi sequestrado e levado para o mesmo cativeiro. O desaparecimento chamou a atenção do filho da vítima, que procurou a polícia.
A localização do celular indicou a região do Morro Paula Ramos. Os investigadores conseguiram chegar ao local e libertar o comerciante.
Quadrilha tinha divisão de funções

Um dos suspeitos preso chega à Delegacia Policial envolvida com aOperação Argus
Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso possuía uma estrutura dividida em três núcleos: um responsável pela liderança, outro encarregado dos sequestros e um terceiro dedicado à movimentação e ocultação do dinheiro obtido por meio das extorsões.
De acordo com os investigadores, Arcanjo recrutava pessoas para fornecer contas bancárias que recebiam os valores pagos pelas vítimas. Após os depósitos, os recursos eram transferidos para outras contas, em uma tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.
Erick Ribeiro de Azeredo Geraldo, Alex de Oliveira do Nascimento e Cauã Victor Ribeiro são apontados como integrantes do núcleo responsável pelos sequestros. Eles seriam encarregados de abordar as vítimas, levá-las aos cativeiros e mantê-las sob ameaça.
Erick teria sido reconhecido pelas duas vítimas. A polícia também apura a suspeita de que integrantes da quadrilha monitoravam previamente a rotina dos comerciantes. Segundo os investigadores, Erick morava próximo às vítimas.
Os investigados são suspeitos de crimes como extorsão com restrição da liberdade, lavagem de dinheiro, coação e associação criminosa.
O nome da operação faz referência a Argus, personagem da mitologia grega conhecido como um gigante de cem olhos e chamado de “o que tudo vê”, em alusão ao trabalho de monitoramento realizado pelos investigadores para identificar a estrutura e os integrantes do grupo.
Fotos: Reprodução/TV Globo














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